A busca por um pensamento racional: idealismo x materialismo

Sócrates é considerado o patrono da Filosofia, por isso seu nome é um marco que divide a filosofia grega entre os períodos pré-socrático e socrático. No período pré-socrático, entretanto, encontra-se uma vasta e importante produção filosófica que remete aos primórdios da Filosofia, ao início de uma busca por um pensamento racional que não aceitasse as explicações fantasiosas oferecidas pelas mitologias como verdades inquestionáveis.

Nesse período, os primeiros filósofos ocidentais buscaram observar a natureza para entender como ela funciona e, assim, atribuir uma causa como origem primeira de todo o universo (cosmos em grego). Isso deu origem à cosmologia, que é uma tentativa de compreender a origem de tudo a partir da observação, da argumentação e do raciocínio lógico, deixando de lado explicações mirabolantes como as que eram fornecidas pela mitologia grega.

Todos os filósofos desse período tentaram, de algum modo, atribuir uma origem ao universo, utilizando-se de argumentações. Alguns apontaram os elementos materiais e naturais como a origem de tudo; outros citaram elementos imateriais, e alguns, ainda, disseram que a origem se encontrava em um misto de elementos infinitos e indeterminados.

Como a Grécia antiga não era um único Estado soberano fundado sobre um mesmo território, mas um misto de cidades-estados (polis) diferentes e autônomas que se situavam em regiões próximas, porém separadas, as comunidades fundadas nessas cidades eram diferentes. Com essa diferença, houve também uma modificação das maneiras de pensar daquele povo: havia um esforço comum para buscar algo novo – o pensamento racional –, mas cada um fez isso à sua maneira.

Por esse motivo, surgiram na Grécia pré-socrática diferentes escolas de pensamento racional que propunham resolver o mesmo problema – qual a origem racional do universo –, de maneiras diferentes.

O idealismo é uma corrente filosófica que defende a existência de uma só razão, a subjetiva. Por essa abordagem, a razão subjetiva é válida para todo ser humano, em qualquer espaço temporal ou físico. A partir do pensamento idealista, a realidade se resume ao que é conhecido por meio de ideias. Há, ainda, diferença entre a realidade e o conhecimento que temos sobre ela. Ou seja, só podemos dizer que a realidade é racional para nós a partir de nossas ideias.

O pensamento idealista foi inaugurado por Platão. O filósofo grego resume o idealismo no “Mito da Caverna”. Na alegoria, afirma que as sombras do mundo sensorial precisam ser superadas pela luz da verdade universal e da razão.

As críticas ao idealismo platônico ocorrem porque as ideias do pensador grego alcançam o pensamento abstrato. Entre os fatos está a defesa da existência da dualidade na criação, com a existência do corpo e da alma.

A abordagem filosófica do idealismo na Alemanha é retomada por Immanuel Kant (1724 – 1804). Começa na década de 80 do século XVIII e se estende até a primeira metade do século XIX.

A partir do século XIX, o idealismo alemão é abordado por um grupo de filósofos denominados pós-kantianos. Eram Johann Gottlieb Fichte (1762 – 1814), Friedrich Wilhelm Joseph von Schelling (1775 – 1854) e Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770 – 1831).

O idealismo transcendental de Kant é fundamentado no fato de o conhecimento não resultar de uma experiência neutra.

Kant atenta para a influência social na razão. O filósofo apontava que cada um enxerga o mundo conforme suas lentes cognitivas. As lentes resultam da influência do meio, da sociedade e do momento histórico.

Hegel, embora defensor do idealismo, criticava as ideias de Kant. O pensador afirma que a transformação da razão e de seus conteúdos é movida pela própria razão. Afirmava que a razão não está na história porque ela é a história.

Uma das principais características do materialismo é sua busca pela explicação dos fenômenos da realidade a partir de condições estritamente concretas e materiais, donde se pode compreender de modo racional as fontes que geram as dinâmicas sociais, históricas, psicológicas, epistemológicas, etc.

Com efeito, o materialismo está em via oposta ao idealismo, o espiritualismo e a metafísica, posto que afirme a primazia da matéria sobre o espírito. Ademais, até mesmo o pensamento seria uma manifestação interior da matéria, permitindo a existência imaterial da consciência, contudo, correlacionada aos fatos e fenômenos de origem material.

Tem especial destaque no materialismo o pensamento marxista de Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895), donde o ser humano fundamenta toda sua estrutura econômica e social nas condições materiais de sua existência.

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Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895)

Pelo “Materialismo Dialético”, as mudanças surgem pelo embate entre as forças sociais, como um reflexo da matéria em sua relação dialética com as dimensões psicológica e social, as quais, por sua vez, constituem as forças produtivas e as relações de produção.

Por conseguinte, no “Materialismo Histórico”, os processos históricos seriam uma manifestação do trabalho para satisfazer as necessidades materiais, o que determinaria os modos de produção da vida material, com impactos diretos na vida social, política e espiritual em cada período histórico.

Do ponto de vista do idealista, uma cadeira, por exemplo, precisa primeiro ser concebida em sua mente como vontade, necessidade ou projeto, para depois ser construída, ou seja, para se ter então a ideia executada. Já numa visão materialista de mundo, são as necessidades e experiências no mundo físico que promoverão na mente do homem a ideia de se construir uma cadeira.

Maria Eduarda Reis

REFERÊNCIAS

PORFÍRIO, Francisco. Escolas filosóficas pré-socráticas. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/escolas-filosoficas-pre-socraticas.htm Acesso em: 22/09/2019.

MAGALHÃES, Bruno. Idealismo filosófico. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/idealismo/ Acesso em: 22/09/2019.

LOBO, Bianca. Materialismo. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/materialismo/ Acesso em: 22/09/2019

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