O quão livres somos?

Por: Maria Carolina Lopes Macêdo

Um belo tamanho para a nossa liberdade não?

Quando nos falam sobre a liberdade, logo a associamos com algo sem tamanho, inviolável, indestrutível, presente em todos e para todos. Porém, nunca paramos para pensar de isso está correto. Afinal, a liberdade, a qual nós conhecemos, é uma ideia concebida desde os primórdios da sociedade e o que impede dela ser apenas isso? Uma ideia.

Nós enquanto seres humanos, não somos 100% “livres”: não o fomos no passado, não o somos hoje e jamais seremos no futuro. O motivo disso é bem simples ao meu ver: a tão aclamada liberdade, pode vir a se tornar nossa prisão.

Nem sempre nossas gaiolas são físicas…

Isso pode soar como um absurdo, mas pense o seguinte: quando você está livre para fazer escolhas, essas mais cedo ou mais tarde, irão ter suas consequências. Mas como isso faz a liberdade ser uma carcerária de nós mesmos? Simples: o ser humano tem em seu âmago a capacidade de temer. Pense assim, quando nos é apresentado duas escolhas, sendo uma dela considerada – pela maioria – a correta e a outra é considerada algo a não fazer, por mais que sentíssemos e quiséssemos escolher a opção dois, a maioria de nós opta pela alternativa um, por medo de represálias.

Então fica a pergunta: Somos realmente livres para fazer o que queremos? Ou fazemos nossa escolha com base no que a sociedade espera de nós?

Sempre encontramos bifurcações para nos atrapalhar em nossas escolhas…

Poderia exemplificar isso com o seguinte dilema:

Uma epidemia viral se espalhou pelo globo e matou milhões de pessoas. Você é um cientista e desenvolveu duas substâncias. Uma delas, você sabe, é uma vacina. A outra é letal. Você não sabe qual é qual. Os frascos não estão identificados. Se você souber qual deles contém a vacina, você poderá usá-la.

Há duas pessoas sob seu cuidado. O único jeito de identificar o frasco correto é injetar cada uma das substâncias em uma das pessoas. Uma irá viver, a outra, morrer.

É adequado matar uma dessas pessoas com uma injeção letal para identificar uma vacina que poderá salvar milhões de vidas?

Quando posto o problema assim parece fácil a escolha: milhões de vidas a preço de uma. Mas, e se uma dessas pessoas fosse um ente querido seu como sua mãe, por exemplo. Mesmo a amando muito, você teria coragem de colocá-la em risco de morte e assim salvar milhões, cumprindo o que a sociedade espera de você?

Com esse novo elemento temos mais uma problemática: o ser humano, na maioria dos casos, faz suas escolhas pelas emoções e sentimentos. Ora, quando se trata de dois estranhos ali, é mais fácil sacrificá-lo em prol de milhões, mas quando uma dessas pessoas é alguém querida e amada, exitamos pois não queremos vê-la morrer, por mais que sua morte significasse a salvação da humanidade.

Com isso concluo o seguinte: a liberdade não passa de um sonho utópico. Seja pela pressão e medo de sermos repreendido, seja por nossas emoções para com alguém ou algo, nossas escolhas sempre são influenciadas e continuamos como indivíduos que acreditam serem plenamente livres, para fazerem o que bem entenderem.

Saiba mais sobre ética e moral (e seus questionamentos), assistindo aos filmes:

O filme trata sobre o impacto que nossas escolhas podem ter em nosso futuro. Clique aqui para assisti-lo.