REALIDADE MATERIALISTA X REALIDADE IDEALISTA

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Autora: Lohany Esmeraldo Abreu                                                           

As diferenças entre as cosmovisões , as físicas e as éticas das escolas filosóficas idealista X materialista.

Desde sempre existe a dialética entre ciência e religião, Razão e emoção, materialismo e idealismo. Mas para que se possa apresentar as reflexões e diferenças entre o idealismo e o materialismo e suas respectivas escolas filosóficas, é necessário ter conhecimento sobre o conceito de ambos.

O materialismo tem como base a matéria, a existência de tudo se deve à matéria, o corpo, o físico, o que se pode apalpar. Enfoca no objeto do conhecimento (as coisas/matéria), o mundo não depende do sujeito pois esse tem uma atitude receptiva, uma vez que já existe a pressuposição do mundo, no qual o mesmo já existe e as coisas são como conhecemos e continuará assim.

De acordo com esse conceito, tudo na natureza é objeto de percepção dos sentidos e o pensamento humano é um resultado da matéria. O materialismo foi um catalizador da ciência pois construiu concepções da matéria, que é de certa forma o foco da ciência. Esse se encontra diretamente ligado ao realismo, empirismo e à natureza, entretanto, tem como defeito a imutabilidade, ou seja, a matéria é do jeito que é e sempre será assim, não vai mudar, é estática. Tal pensamento afasta o materialismo da ideia de evolução.

Um dos autores e filósofos mais influentes do materialismo é Karl Marx, pois criou os conceitos de materialismo filosófico e histórico. O filósofo tem como centro o marxismo e tem dois conceitos principais sendo estes: o fato de que a consciência humana é o reflexo de processos da natureza, e que tais processos sempre vão seguir um certo padrão dialético. E o histórico também possui a filosofia marxista em foco, porem com ênfase na vertente histórica, sendo que os princípios da mesma são o modo de produção e a luta de classes.

          Já o idealismo que é totalmente contrário ao materialismo, tem como base o espírito, enfatizando o sujeito do conhecimento e que a inteligibilidade da realidade depende do sujeito, ou seja, o mundo existe porque o pensamento e o espírito existem e constroem o que conhecemos, a matéria.

Nas escolas idealistas deve-se primeiro focar nos elementos de manifestações internas como o sentir, na existência das emoções, pensamentos e o corpo. O idealismo está diretamente relacionado à metafisica, religiões pois se preocupa com o espírito, com o que sente, sendo que não pode ser explicado por meio de experiências e teste, e sim somente por meio divino ou espiritual.

A matéria é vista como uma espécie de corporificação do espírito.  Para o idealismo de modo geral, tudo é espírito, que existe e não existe ao mesmo tempo, tem uma ligação com as emoções é dinâmico, ou seja, está em constante mudança, fazendo com que o idealismo esteja mais próximo aos ideais de evolução, então o que é criticado como defeito nessa vertente filosófica é fato de que o mesmo não se baseia na matéria, no que existe, no que é “real”, não podendo ser comprovado cientificamente e procurando as leis gerais do pensamento humano para comprovação de algo.

Existem quatro tipos de idealismo que foram inspirados e guiados por filósofos, sendo eles: Immanuel Kant, Berkeley, Hegel, Descartes e Platão, sendo que esse último o mais importante pois sempre acreditou no poder das ideias e na razão humana, e que a verdadeira realidade está no mundo das ideias, das formas inteligíveis, acessíveis apenas à razão.

Sobre os tipos de idealismo, existe o absoluto que é aquele que foi pensado por Hegel e supõe que a única realidade plena e concreta é aquela de natureza espiritual. Tem o idealismo dogmático que é inerente ao  berkelianismo e se caracteriza por negar a existência dos objetos exteriores à subjetividade humana.

O idealismo imaterialista, também defendido por Berkeley, parte de uma premissa empírica fazendo com que a realidade seja confundida com aquilo que dela se percebe, concluindo que os objetos materiais se reduzem a apenas pensamentos na mente divina e humana.

Ilustração extraída da publicação de victorinoabad

E por último, o idealismo transcendental, pensado por Kant e se baseia nos fenômenos da realidade objetiva, ou seja, não aparece aos humanos a sua forma literal/real então aparecem como representações subjetivas que são interpretadas pelo sistema cognitivo dos homens.

Estátua de Platão, Grécia Antiga.

Agora que a definição de idealismo e materialismo está clara, seguimos para a comparação e diferenças entre as escolas materialistas e idealistas, e quais filósofos se identificam com cada escola.

A escola idealista tem como base o espírito, então tem menos a presença do empirismo, e mais contato com a religião e com a metafísica, e isso é o oposto do materialismo que está ligado à ciência, logo, é muito embasada em experiências. Ainda sobre a escola idealista, “idealismo é o grande motor das invenções, das descobertas, dos empreendimentos sociais, políticos, econômicos e culturais que possibilitam as mudanças, as realizações dos sonhos, à concretização de desejos aclamados, muitas vezes, por toda uma vida. O idealismo impulsiona o veículo do tempo pela sua infinita e enigmática viagem rumo ao futuro” [1].

Essa escola também pode ser vista como literária, pois não tem como ter um método de ensino usando um objeto e dispensa a necessidade de valor para a aprendizagem, vale dizer também que o idealismo é mais focado para a sociedade, com uma certa solidariedade e a empatia, visando o bem comum. O idealismo também pode ser visto como uma mistura de diferenças e a valorização de princípios, pensamentos, história e ensinamentos, que podem ser levados para a vida alcançando o bem.

Alguns pensadores dessa escola são: Descartes que pensa que a realidade pode ser extensiva (realidade objetiva, ou seja, independente do sujeito e as qualidades sensíveis só existe na consciência humana) ou qualitativa (um corpo é composto pelas qualidades sensíveis e pelo movimento). Descartes também possuía três essências de seu pensamento: Espírito (substância pensante, imperfeita, finita e dependente), Deus (substância eterna, perfeita, infinita, que pensa e é independente) e a matéria (substância que não pensa, extensa, imperfeita, finita e dependente).

De modo geral Descartes pensava que   a partir o espirito se propõe demonstrar a existência de Deus. Só depois, num terceiro momento, é que fica garantida a existência do mundo. O segundo filósofo é o Kant que foi percussor do idealismo transcendental e ele pensava que as aparências, ilusões e enganos devem ser desfeitos para que se consiga ir além dos fenômenos. Também acreditava que a razão é o intelecto que desconhece objetos e que encontra além do físico, buscando o incondicional (metafísica e incapaz de se alcançar pelo conhecimento).

Outro filósofo importante é o Hegel que concluiu que a materialização do espírito seja resultante deste, pois “a exteriorização do Espírito nas diversas formas de matéria é o que garante o ser em si. Não há em si sem o para si. O infinito depende do finito. A dependência é uma necessidade, mas é o único fundamento da liberdade”[2]. Outros participantes dessa escola são: Renato Russo, Einstein, Tiradentes e Che Guevara.

          Sobre a escola materialista, que já foi vista que se baseia na matéria e nas teorias marxistas. Os principais filósofos dessa escola, além de Marx, são: Demócrito, Leucipo, Epicuro, Lucrécio e os estoicos. E eles falavam das teorias atômicas e se opunham sobre a continuidade matéria, pois o materialismo não tem muita aproximação com a ideia de evolução, entretanto, esses filósofos propunham que a matéria foi criada e desenvolvida, basicamente, a partir dos elementos naturais.

Demócrito pensou sobre a teoria dos elementos, que é o surgimento e desenvolvimento da matéria a partir dos elementos fogo, água, ar, terra e éter. Epicuro falava sobre a vida, de forma geral, as amizades, a morte, e ele bem racional, pregava sobre egoísmo e prazeres na vida, enquanto ela dura. Leucipo e Lucrécio tinham relação com o epicurismo e com as teorias atômicas. E, por fim, os estoicos que tinham como foco o conhecimento humano, o autocontrole e firmeza sobre as emoções.

Pelo fato de que o idealismo e materialismo são extremos opostos, o transcurso de desenvolvimento, as duas escolas se reuniram e formaram uma nova escola filosofia cientifica que o materialismo moderno, que consiste em um ponto de vista monista, unitário, visto que reúne numa concepção única, espírito e corpo.

“O materialismo não possui asas que lhe permitissem voar e não podia penetrar o íntimo da natureza. O idealismo, ao contrário, procurava encontrar e penetrar o íntimo da natureza, mas achava-se suspenso no ar, sem base em que se apoiar”. [3]

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

[1] https://idea-lismo.webnode.pt

[2] http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-32831999000100017

 [3] https://www.marxists.org/portugues/tematica/1922/materia/cap04.htm

OUTRAS FONTES CONSULTADAS:

https://www.pucsp.br/pos/cesima/schenberg/alunos/marizabatista/Idealismo%20em%20Descartes.htm

https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/kant-idealismo-transcendental.htm

https://www.todamateria.com.br/epicuro/

https://www.todamateria.com.br/idealismo/

https://sites.google.com/view/sbgdicionariodefilosofia/