Se um médico lhe dissesse hoje que, com toda probabilidade, só lhe resta um ano de vida, como você passaria seu tempo?

Por Diego Meireles Silva

Deve se começar pensando quais efeitos isso causaria após escutar aquela fala, muitos irão pensar no que fazer, outros iriam se desesperar, mas uma resposta é certa “como devo viver a partir de agora?”. Deve-se começar pensando quem deve estar presente com você, onde, até quando. Eu pensaria em minha família na maior parte do tempo com os amigos mais próximos, depois iria pensar no meu bem estar, viver o resto daquela vida tranquila, já com o sentimento de aceitação em que após aquele tempo não estarei mais presente naquele meio.

Mas alguns se perguntariam “Será que o diagnóstico e opinião este profissional é realmente válida?”, isto seria um caso em que depende de quem disse isso, uma opinião de um especialista, que tem maior conhecimento e nome no meio, será de maior valor do que um recém formado, e ai tomando isso como argumento, seria fundamental buscar ou não outra opinião.

Se for pensar que a doença que uma doença degenerativa seria algo que afetaria bastante como a pessoa iria viver bem, ou seria algo que faria o indivíduo vegetativo, e com isso retornaríamos a pergunta se viveríamos intensamente ou angustiado, se você se tornar uma pessoa vegetativa, obviamente você não seria bem mentalmente e a viveria o pouco que lhe resta de uma forma bem ruim. Em que não poderia se sentir feliz, rodeado de pessoas que te fariam sorrir e você se sentir que aquele momento eram sim especiais e que foram bons momentos
em sua vida.

Portanto se hoje um médico que teria um renome na área, bastante conhecimento da antiga e avançada medicina, e eu tivesse uma doença que não atrapalharia minhas capacidades físicas e mentais, eu viveria intensamente, com meus amigos próximos e família, falaria tudo que sinto e penso naquele exato momento, sem ter medo de consequências futuras, claro se eu tivesse certeza que morreria, já que tudo pode acontecer, então mesmo que eu morra daqui um ano a partir de hoje, tentaria passar para os indivíduos a minha volta, minha melhor versão. Então viva bem.

Platão e a caverna

Por Paulo Fernando

O mito começa falando sobre algumas pessoas que nasciam e viviam em uma caverna,
eram aprisionadas e viviam algemadas, tudo que eles viam era sombra do que ele dizia
ser uma fogueira mas era o Sol e a sombra das pessoas que passavam, de animais que
passam, e que era só uma ilusão do que existe lá fora, então um dia, um deles acordou
e estava com algema solta e quebrada. Então ele levantou bem lento e saiu da
caverna, e quando ele chegou lá fora, ele ficou cego pelo sol mas depois de algumas
horas ele voltou a enxergar, então ele viu pessoas, viu cores, viu casas e tudo mais que
o mundo podia ter, então ele voltou para falar para seus amigos que tinha acontecido
e os libertarem da vida nas sombras. Ao tentar fazer isso, eles falaram que ele era um
louco e que se ele continuasse a falar sobre o que tinha lá fora que para eles era
mentira, eles iriam matá-lo.
O que podemos retirar disso é que nós somos iguais aos prisioneiros, ou seja, pessoas
comuns que vivem baseados em seus conhecimentos e muitas vezes achando que
sabemos de tudo e não temos nada pra aprender. A caverna é a junção de nossos
sentimentos e nosso corpo é o nosso armazém de conhecimentos, mas muitas vezes
nos leva ao erro. Os ecos e sombras são simulações da realidade, sendo a forma que não
vemos e julgamos as coisas, seja com opiniões rotuladas.
A luz do sol é a dificuldade que temos em mudar a nossa caminhada para a mudança
de opinião (a dificuldade de enxergar). Na sua volta, os outros prisioneiros poderiam até mesmo mata-lo
por levar a eles a chance de sair da caverna o que se refere à morte de Sócrates.

Hoje podemos vê que temos muito mais semelhança com os prisioneiros,
do que com o rapaz que conseguiu fugir, porque estamos amarrados ao senso comum e com o
preconceito prevalecendo como se fossem as correntes nos privando da passagem e amedrontando-nos do conhecimento real.

Analisando Mitos: A Caixa de Pandora

por Ricardo Richard Moura

Certamente um dos mais famosos mitos da Grécia Antiga, a caixa de Pandora narra a história do surgimento da primeira mulher da humanidade. Até então, só havia os homens criados por Prometeu e seu irmão, Epimeteu, cujos nomes significavam respectivamente o prudente e o inconsequente. Acontece que, como dito em outro mito, Prometeu roubou o fogo do Olimpo e presenteou a humanidade com o mesmo e para se vingar, Zeus que já não era muito simpático ao titã, arma um plano e esculpe uma mulher a partir do barro, faz com que os quatro ventos lhe soprem vida e pede para que as deusas a enfeitem, essa mulher era Pandora. No objetivo de castigar Prometeu e a humanidade, ele oferece a mulher junto a uma caixa que não deveria ser aberta nunca a  Prometeu que, temendo se tratar de um plano de Zeus, recusa o presente.

Frustrado, o deus muda seus planos, arranja outra maneira de punir o titã e para punir a humanidade oferece a mulher a Epimeteu que aceita Pandora junto com a caixa. Ele guarda a caixa em casa e encarrega duas gralhas de vigiarem o item. Um dia, Pandora revela temer as gralhas e pede que Epimeteu se livre delas e ele faz o que ela pede, depois, eles têm um momento romântico e Pandora o domina sexualmente até a exaustão. Quando o titã cai no sono, ela aproveita para abrir a caixa e com isso liberta todos os males físicos e espirituais sobre a humanidade e quando fecha a caixa percebe que lá só restara a esperança.

Há quem diga que o mito se trata da imprudência de Epimeteu que, em um momento de distração, permite que algo terrível aconteça. Também há aqueles que dizem que o mesmo se trata de esperança porque quando tudo de ruim acontece a esperança deve permanecer conosco. Duas interpretações educativas, contudo, há nesse mito uma outra interpretação quando observamos a interpretação da mulher na história e a maneira como está é associada a tudo de ruim no mito.

Podemos fazer um paralelo desse mito com um outro mito cristão, o mito de Adão e Eva, em ambos há essa inferiorização da figura feminina como o ser que surgiu depois como um presente para os homens, um ser dotado de atributos de sedução e manipulação, curioso e principalmente, sua retratação como a responsável por toda a desgraça humana. Os dois mitos foram criados em sociedades machistas em que a mulher não tinha valor nenhum e só tinha as funções de servir o marido e procriar, no caso cristão estas não podiam nem ser detentoras de conhecimento pois eram acusadas de bruxaria e traços dessa cultura são observados ainda hoje, ainda há esse preconceito com mulheres formadas, independentes, entendidas da vida, há um medo de que elas se tornem superiores aos homens. Naquela época, mitos como estes eram utilizados por homens para justificar o impedimento a mulheres que buscavam conhecimento e ainda alertar outros homens a respeito de sua natureza curiosa, sedutora e manipuladora. Embora muitos digam que a moral do mito seja que mesmo com todas as adversidades a esperança deve seguir conosco o real significado deste mito é algo muito mais profundo e enraizado em nossa sociedade, o machismo e a opressão sofrida pelas mulheres, se antes, segundo os homens, as mulheres usavam sua sedução para fazer o homem se curvar às suas vontades hoje, de acordo com os mesmos homens, essas mulheres usam essa sedução para “pedir” para serem violentadas quando usam roupas julgadas inadequadas.

Mitos como esse perpetuam a ideia de que as mulheres devem ser submissas aos homens porque se deixadas no comando podem gerar catástrofes, elas não podem ser livres nem mandar em si mesmas, não podem ter o próprio dinheiro, escolher as próprias roupas, devem por obrigação casar e ter filhos além de cuidar deles, da casa e do marido e por ter todos esses deveres até estudar não é bem visto porque uma mulher formada academicamente pode faltar com suas obrigações dentro de casa.

Para concluir deixo claro que não concordo com as ideias transmitidas por esse mito por ver que são injustas. Devemos deixar para trás essas ideias antiquadas e perceber que homens e mulheres devem viver em harmonia e essa harmonia só pode ser trazida pela igualdade de gêneros e pelo respeito bilateral.

fonte: https://brasilescola.uol.com.br/mitologia/a-caixa-pandora.htm

Carta para Epicuro

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Muito obrigado pela carta meu amigo Epicuro. A mesma me fez divagar em diferentes pensamentos. Demonstrarei agora, algumas de minhas conclusões.

Na questão referida ao limite imposto pelo temor a morte, concordo com os pontos apresentados. Muitos delimitam sua experiência em vida por conta deste medo trivial. Além do medo a possíveis punições vindos de divindades, que mal se pode confirmar a existência. Toda essa pressão em um único individuo faz com que o mesmo se “encaixote”, passando a acreditar que só a um caminho para uma possível salvação.

Dependendo da crença, o sujeito é impossibilitado de ceder aos prazeres do álcool juntamente a alguns prazeres carnais. Em alguns casos extremos, o mesmo recebe a pior proibição possível: é proibido de filosofar. Vivendo em uma única linha em toda a sua vida, na qual todas as frases ditas em sua bolha são verdades absolutas e todos os possíveis questionamentos se tornam heresias disfarçadas em inverdades. O mesmo se torna um ser vazio e opaco, que passa avida inteira tentando cumprir dogmas hereditários, esquecendo de viver em sua essência.

No entanto, muitos indivíduos, mesmo livre da amarra dos deuses, vivem a vida presos em futilidades. Muito por conta de um sistema social perigosamente bem estruturado, no qual cada indivíduo é uma mera mosca fisgado por uma grande teia. O que torna tudo muito mais aterrorizante, é a que a mosca ao menos sabe que seu fim aproxima. Já o homem, padece lentamente e nem percebe a aranha se aproximando. Essas futilidades são encontradas no dia-a-dia, seja no desejo de adquirir roupa marca, na vontade ver o time de futebol se consagrar campeão. Entre tantas outras ameaças do sistema moderno. Todos esses pontos citados, impedem o indivíduo de atingir uma real felicidade, presente apenas nos mínimos detalhes e no filosofar.

Com isso, my bestofriendo, eu finalizo minha carta. Com o entendimento de que até o mais sábio dos homens cede a armadilhas diariamente. Por mais forte que seja sua força de vontade, é impossível se desvencilhar de todas as amarras da sociedade, pois se isso acontecesse, o mesmo não conseguiria interagir dentro de um âmbito social. Espero que o conteúdo aqui presente o ajude a refletir e espero muito ansiosamente por uma nova carta, para reiniciarmos essa discussão e iniciarmos muitas outras.

P.s: Epicuro visualizou a minha carta e nunca mais me respondeu.

E se o médico te dissesse que com toda a probabilidade, te restasse somente mais um ano de vida, como você passaria o seu tempo?

 Receber a notícia de ter uma doença que me mataria, seria um baque e grande. Ter o tempo encurtador poderia gerar um grande medo e talvez um trauma, nesse caso de noticia eu iria buscar realizar cada meta dentro do tempo estimado.
 E sim, seria possível gozar da vida mesmo com o tempo sendo cortado, pra isso basta fazer os seus objetivos que lhe deixaria feliz; no meu caso eu iria construir minha família, me casar, ter um filho e uma filha, ver eles crescendo e junto vendo suas felicidades. Para isso eu precisaria de no mínimo 33 anos, depois disso eu poderia morrer de boa, porém eu não veria eles crescendo então eu descarto esse plano . Bem, já que eu não poderia aproveitar o plano anterior eu iria viajar para alguns locais do mundo e aprender mais sobre suas culturas; como a religião deles funciona, como a sociedade dele gira, culinária e tradições. Eu iria anotar tudo em um diário de couro, acho que isso seria um ótimo ultimo ano
 Em relação a doença no corpo, eu me recuso a imaginar que o meu perderia a sua força, eu me recuso pensar que eu perderia o movimento e que eu não poderia jogar basquete ou segurar alguém, e para ter certeza se o corpo iria entrar em degradação muscular, eu buscaria no mínimo 6 avaliações medicas (não me contento com uma apenas)
 Em relação se o tempo encurtasse novamente, provavelmente eu não mudaria   nenhuma resposta

Se você tiver só mais um ano de vida!!!

Se você tiver só mais um ano de vida! Esta pergunta foi feita para a nossa turma; Se eu tivesse só mais um ano de vida eu faria coisas que eu nunca fiz, para quando meu tempo estivesse se esgotando eu diria que fiz tudo oque eu realmente queria sem nenhum arrependimento, mais eu acho que não seria bem assim.

Se você como leitor fizer esta pergunta para uma pessoa desconhecida, provável ela iria te responder “ EU iria comprar diversas coisa pegar dinheiro emprestado iria viajar, comprar diversos carros, fazer coisas ilegais, N coisas”. Mais já parou para pensas o motivo porque esta pessoa não faz isso quanto esta saldável?

A vida e uma grande filosofia controversa, pois muitas das vezes você deixa de viver o hoje para viver o amanha, fomos criado vendo isto “ trabalhe o hoje, e viva o amanhã”.

Então assim uma coisa que aprendi a o longo das aulas e das discussões que tivemos foi que, não deixe de fazer as mínimas coisas, pois você não sabe o amanhã, não deixe de dizer oque você realmente quer dizer que o amanhã pode ser tarde, não leve com você o gosto do arrependimento.

QUEM PODE ME DIZER QUANTO TEMPO EU TENHO?

Por Mário Filipe.

Quando eu vi o tema fiquei refletindo um bom tempo antes de começar a escrever. E nesse tempo fiquei pensando no que faço hoje, e se teria alguma coisa que eu tivesse necessidade de fazer dentro desse 1 ano, caso ficasse sabendo que só me resta um mero ano de vida. Então percebi que estou na minha melhor fase, fazendo tudo que eu quero, rodeado de amizades “sinceras”, mas como o texto não é como estou e sim sobre o que eu faria se tivesse apenas 1 ano de vida, vamos lá.

Eu não seria hipócrita de falar que não iria querer fazer tudo que sempre quis. De querer viajar o mundo, de ir em varias festas, de querer beber todo tipo de bebida, de querer fazer muito sexo nesse tempo. Porém isso não seria um pouco irônico? Esperar tá quase morrendo para fazer tudo que sempre quis em um curto espaço de tempo, não seria melhor fazer isso durante sua vida toda, e não só quando está prestes a morrer?

Eu não acredito que seria possível gozar desse ano plenamente, fazendo tudo que eu sempre quis, sabendo que iria morrer depois daquilo tudo que vivi. Creio que ninguém sabendo que vai morrer consegue ficar alegre, ou até pode, porém não seria aquela plena alegria.

Ainda mais se a doença que eu tiver me deixar em uma cama, imagina preso em uma cama sem conseguir fazer nada por um longo ano, dependendo de outras pessoas para fazer tudo. Além de não conseguir fazer nada no meu último ano de vida, seria infeliz.

Escrevendo esse texto, eu percebi que não quero esperar ter uma doença terminal para viver meu último ano, pois prefiro viver cada ano como se fosse meu último, viver cada momento intensamente, pois creio que médico nenhum pode me dizer quanto tempo de vida tenho, a não ser eu mesmo.

Efemeridade e plenitude

por Cindy Campos


Vida e seu antônimo substantivos que desde o princípio causa dualidade nos discursos entre os filósofos que se dedicam a compreendê-los com variadas
finalidades. Compreendendo a vida como o conjunto de hábitos e costumes,
memórias, sensações e sentimentos, podemos então definir a morte como a
ausência total destes elementos formadores.

Com a marcação temporal, de um ano do rompimento dos meus conjuntos formadores de vida em aspectos gerais não causaria vultosas mudanças da atual forma de viver. Tendo em mente que tudo possui um começo, processo e fim, inclusive a existência humana, podemos nos filiar a ideia de que a marcação dannossa data final em pouco nos causa impacto, porque logicamente teremos um fim, logo uma data mas esta desconhecida.

Mediante o exposto o viver deve estar ligado sempre ao ato de filosofar
sobre as dinâmicas situações que nos são apresentadas a todo instante, assim como afirma Epicuro. Podendo assim compreendê-las, dissipando muitas vezes os sentimentos nefastos, sendo esses elementos que nos resguardam na inércia no processo de viver. Entretanto permitindo que as sensações que nos são acometidas tragam com sigo o significado de viver e nos levar a formar de forma individualmente ou coletivamente ideal.

Ciente pois então de que 365 dias me separam da inexistência, buscaria
compreender melhor a situação com base em outras opiniões e análises para então ter uma ação mais concreta no ato de existir. Mas caso tal ação se demonstre inútil, logicamente o abandonaria. Continuando com a costumeira cotidianidade me desligaria ao fato anteriormente exposto, não o apresentando aos demais e simplesmente vivendo o que me for possível. Além de me dedicar à paixão que nutro por conhecer e descobrir. Faria assim como Dom Quixote de La Mancha que de tanto ler e imaginar se tornou incapaz de distinguir a tenuidade entre o imaginário e o real e viver o irreal. Mas não como uma válvula de escape e sim a exímia formação e aglomeração dos elementos formadores da vida para que ao final não haja angústias e arrependimentos e sim memórias.

Resposta a carta de Epicuro.

Por José Arthur

Bem-aventurado seja, meu amigo Epicuro. Agradeço pela carta e deixo de antemão que ela me foi útil. Me ajudou a refletir e dialogar em meu interior sobre a verdade do indivíduo. Deixo minhas impressões sobre suas verdades:

Para começar deixarei claro alguns conceitos o quais utilizei para o meu pensamento: a não existência de uma verdade absoluta, pois não há quem confirme os fatos. E a existência de uma verdade individual, baseada na vivência do indivíduo e a forma com que o mesmo busca sua felicidade.

A partir disso, se confere o entendimento de que sábio é o homem que não nega suas verdades. Não há como dizer que um homem é tolo somente por conta de suas convicções, quando nem mesmo dentro das leis dos homens há uma verdade absoluta. Confere a existência de advogados, cuja única função é encontrar falhas nas leis, muitas vezes seguidas de sucesso. No entanto, apesar de não existir verdade absoluta existe o erro que, de acordo com minhas convicções, se encontra no individuo em que seus prazeres estão no desprazer de um igual. Este sim é um homem tolo. Aquele que, com sua ideologia, interrompe o equilíbrio da sociedade.

Baseado nisso, considero as divindades fruto da verdade de cada ser. Cada indivíduo tem suas experiências em vida que o levarão para o caminho de uma crença. Assim, não tem como dizer que indivíduos com crenças monoteístas, politeístas e até mesmo livres de deuses, levam sua vida de forma errônea, se os mesmos seguem suas convicções sem ferir a verdade e a vida alheia, conferindo assim ao equilíbrio da sociedade. Há quem diga que este estado é impossível de ser atingido com seres em um mesmo ambiente e diferentes crenças. No entanto, existe esta possibilidade quando o sábio tem a consciência da existência das verdades alheias e as respeita pelo fato de não existir uma verdade absoluta.

Concordo com seu ponto de vista ao dizer que o medo do fim limita a estrada, no entanto não posso afirmar que este é o maior motivo da infelicidade do homem. Pois, conheço homens que, mesmo temente a deuses, nunca deixaram de seguir seus ideais. Visto que, eles são os mesmos dos deuses o qual segue (Não são os deuses que determinam a verdade do homem, e sim sua verdade que determina os seus deuses). Desta forma, mesmo que temendo o fim, nunca deixaram de seguir suas convicções, assim aproveitando a sua vida. Cada ser possui seus próprios demônios, mesmo que livre de crenças. Até mesmo você, Epicuro, possui aspectos que limitam sua verdade, e apenas sua pessoa pode dizer quais são e conviver com eles.

O considero um homem sábio, por entender suas verdades e o ver segui-las com veemência. No entanto, poderia muito bem um terceiro ler nossas cartas e considerar-nos tolos por conta de nossos princípios. E se o mesmo não interferisse de alguma forma em nossas verdades, ele não estaria errado, tampouco nós estamos. Lembre-se, todo dia um tolo e um sábio se encontram e julgam um ao outro, e cada indivíduo tem a sua própria leitura de quem é o tolo e o sábio da história.

Diante disso, cada homem tem o livre direito de determinar como vive sua vida, e nós até podemos julgá-la, mas nuca interferir. Pois aspectos que para nós são de vital importância, como a filosofia, pode pouco importar a um terceiro. E se o mesmo segue suas convicções e é feliz, por que deveríamos dizer a ele como viver? Se o mesmo não interfere nas verdades e nem nas vidas de seus iguais, é livre para viver em sua ignorância.

 Dentro de nossa sociedade, pessoas com ideais semelhantes formam grupos e consideram tolos todos os que compartilhem de ideias divergentes a sua, pouco sendo a existência do diálogo. Que fique bem claro, dialogo não é tentar convencer o outro que é superior à ele, e sim entender como o pensamento de um diferente indivíduo funcionam, para quem sabe, agregar novos valores. Vale ressaltar, que este ato não é a mesma coisa que negar sua verdade, pois todos sofremos transformações em nossas vidas

Por fim, de nada vale se sentir superior aos outros. Pois, como foi dito anteriormente, não existe uma verdade absoluta e é sempre possível aprender em um diálogo.

 A forma de viver apresentada em sua carta, Epicuro, é a forma condizente com sua verdade. Ou seja, de acordo com suas experiências vividas, você determinou o que seria uma vida perfeita. Mas isto não significa que este modelo, de fato, é perfeito. Pois, existem pessoas com diferentes vivências e, consequentemente, diferentes interpretações acerca da vida.

Referências

EPICURO. Carta sobre a felicidade – A Meneceu. São Paulo: Unesp,2002.

Carta para Epicuro

Caro íntimo de ideias, 

Não havendo temporalidade para a prática da filosofia creio que haja para o nosso encontro que tornará nosso nosso debate sobre a felicidade mais dinâmico e pungente. Lhe escrevo em resposta porque em muito me vislumbro em suas constatações que sem dúvidas me tiraram da inércia da morbidez cotidiana e já aproveito e compartilho uma dúvida que me surgiu contemplando sua escrita.

Me contenta ter alguém de meu íntimo compartilhando a ideia sobre a morte ser somente a privação dos elementos formadores de vida, que dentre eles está o prazer que veemente aborda em sua carta e infelizmente é interpretado erroneamente e confundido com outros sentimentos. Creio que este medo que nos sonda sobre este inevitável evento se deve ao curto alcance que nossas mentes possuem sobre a morte e seu por vir, legítimo, mas sem dúvidas um encalço para a plenitude do viver.

Não me surpreende que declarem-no um ateu completo por aqueles que o entendem com equívoco ou se esquivam de suas afiadas questões sobre a situação da existência dos deuses e a construção de suas imagens pelo senso comum, pois sua existência sempre foi atrelada na crença de paraísos, superioridade, castigo e condenação e divindades que compartilham características humana. Sendo, portanto exposto a ideia de que os deuses são parte da construção humana vai contra tudo aquilo que já viveram e nos faz sentir o inevitável medo e incerteza.

De fato a filosofia não se prende ao tênue tecido temporal da vida, porque não entende por completo, tanto as faculdades mentais mais primárias, ou seja, os ignorantes – aqueles que escolhem e aceitam sê-lo – quanto às puídas decifram seus significados e creio ainda que nunca iremos saber, nos resta, portanto, as indagações e digo de fato com pesar, porque compartilho de seu anseio do saber e sempre convido sofia para me fazer companhia.

Confesso com ansiedade de sua resposta que me confunde a ideia de que o sábio sagradamente vive em plenitude, tendo em vista que a felicidade por ser extremamente subjetiva não se prende a regras. Faço aqui então uma questão que não sei bem a resposta ainda: Se a sabedoria nos atrai até a felicidade a ignorância de igual forma a repele? Tendo em vista que ao nos darmos conta de nossa verdadeira existência as ansiedades e inquietações se tornam ainda mais presentes, mas que poderia a ignorância dissipá-las como um bálsamo, caso estas não inflamem o íntimo da alma, pois assim nem a ignorância entorpece.  

Carpe diem! Carpe Diem! Entendo os porquês de tantos se perderem em suas colocações acerca do prazer humano, pois estão apegados a conceitos limitados do que realmente venha ser o prazer, que difere da luxúria. Compreendo porque tal ideia venha a semear em suas reflexões depois de se colocar em posição de questionar as construções que há sobre as imagens dos deuses e buscar se livrar da angústia de suas análises e julgamentos e condenações finais. Em êxtase finalizei sua carta o que me demandou alguns dias para absorver seus conceitos e espero respondê-lo de igual forma. 

P.S: Em certo desconforto materializo nesta carta as minhas inquietações, mas me encontro agradecida de tal dinamismo das ideias. Carpe Diem!

Referências

EPICURO. Carta sobre a felicidade – A Meneceu. São Paulo: Unesp, 2002.

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