Materialismo vs idealismo

O que Hegel buscou com o desenvolvimento de sua filosofia foi tentar explicar o mundo. Ele irá encontrar na Razão o elemento que o faria chegar ao entendimento do mundo. Daí afirmar que a Razão se explica a si própria, como também afirmar que a Razão é quem dirige a história. Para isso escreveu a Ciência da Lógica para poder traçar o corpo de categorias que, numa relação de movimento, caracterizariam a dialética. 

A dialética hegeliana se compõe de várias unidades, das quais Hegel enumera três: tese, antítese e síntese. A tese poder ser entendida como o momento da afirmação; a antítese é o momento da negação da afirmação, gerando a tensão que origina a síntese, o último momento que corresponde à negação da negação, ou seja, é o resultado da antítese anterior, no qual suspende a oposição entre a tese e a antítese. A síntese representa uma nova realidade marcada pela aparição da Razão Absoluta, da consciência de si, ou, o que dá no mesmo, da autoconsciência. A dialética é o movimento contraditório dentro de unidades que a cada nova etapa nega e supera a etapa anterior, num fluxo contínuo de superação-renovação (NÓBREGA, 2005).                                                                                                                                               

​Explicitando de forma mais detalhada esse movimento de passagem do Espírito Abstrato ao Espírito Absoluto, Hegel utiliza as seguintes categorias: o ser-em-si, o ser-aí, o ser-para-si e o ser-em-si-para-si. Na realidade, dentro das três unidades acima descritas operam quatro momentos. A diferença que há nesses quatro momentos é que do momento inicial para o segundo momento, ou seja, na passagem do ser-em-si (que corresponde à afirmação) para o ser-aí (corresponde à antítese, a segunda etapa) opera-se a primeira negatividade, caracterizada pela imediatez do ser mediatizada pela reflexão. Na passagem do ser-aí para o ser-para-si(corresponde ao segundo momento da antítese) opera-se a segunda negatividade, onde não apenas o ser-para-si diferencia-se do sem-em-si, mas, o supera, se separa e se isola, para além da imediatez do ser-ai anterior.

O momento do ser-para-si é o que há de novo, é fase crucial, é o momento de invenção da dialética hegeliana, pois é a partir desse momento que o ser se torna pessoa, ser livre, é a etapa de maior grau de subjetividade. Essa passagem que Hegel caracteriza como mediação ele a denomina de essência. É nesse sentido que ele se torna livre, segundo Hegel. A idéia de liberdade surge da operação dessa passagem que é marcada pela interferência do movimento dialético, o que no momento anterior não havia, pois na primeira negatividade houve uma passagem imediata, ainda presa ao momento inicial marcado pela ingenuidade, inconsciência no domínio da Razão. 

​A dialética é também um processo de concretização. O momento inicial da tríade é de abstração, por ser mais amplo, pois engloba as três etapas em seus movimentos contínuos e opostos. O momento final do processo que resulta na síntese é o menos amplo, é a fase final do primeiro ciclo dialético que eliminou as demais. Daí que, o que é importante, o movimento dialético representa o processo que vai do abstrato até o concreto. 

​A categoria mais abstrata que, segundo Hegel, se encaixa na tese é o ser, ser puro, livre de seus atributos. Seria a categoria mais abstratamente universal. A antítese do ser seria o não-ser, ou seja, o nada. Este é o elemento mediador, a negação da negação. E na síntese, como mesclagem dessas duas, teríamos o devir ou devenir. A idéia é percorrer o transcurso que levaria do Espírito Abstrato até o Espírito Concreto, através do elemento de mediação que Hegel chama de essência ou a negação da negação. Hegel trata na sua lógica Idéia, Razão e Espírito como sinônimos.

O materialismo de Marx sai das entranhas do materialismo de Feuerbach, mas com uma nova roupagem, pelo seu caráter histórico-concreto. Enquanto Feuerbach observa no materialismo o caráter natural, Marx dará ao seu materialismo um caráter histórico. Na medida em que o materialismo de Marx tem por fundamento a história, ele assume o caráter sócio-histórico, desenvolvendo seu pensamento no âmbito da teoria social. Portanto, o materialismo histórico-dialético de Marx tem uma base material, centrada no binômio forçasprodutivas-relações de produção, que desenvolveremos mais adiante. Marx sai do campo da filosofia para o campo da teoria social.

Nas onze teses de Marx sobre Feuerbachestão as bases de sustentação do materialismo de Marx. Na primeira tese Marx afirma que o principal defeito de todo o materialismo, incluindo o de Feuerbach, é que a realidade, o mundo sensível só são apreendidos sob a forma de objeto ou intuição, mas não como atividade humana sensível, enquanto práxis. Na mesma tese adianta Marx que Feuerbach acata objetos sensíveis distintos dos objetos do pensamento de Hegel, mas não considera a própria atividade humana como atividade objetiva (MARX, 1845-46, p. 99).

Na sexta tese diz Marx que Feuerbach teve o mérito de transpor a essência religiosa para a essência humana, mas que a essência humana não pode ser algo em abstrato, inerente ao indivíduo isolado, sendo, em realidade, o conjunto das relações sociais. Esse último aspecto – o conjunto das relações sociais – é um dos aspectos de maior importância da teoria social de Marx. Acrescenta Marx na sétima tese que o indivíduo abstrato que Feuerbach analisa é ele, na realidade, uma forma social determinada (idem, p. 102). 

Deduz-se que o sujeito em Hegel é produto da Razão. Em Marx, o sujeito é fruto das condições materiais através das quais eles se reproduzem, ou seja, o conjunto das relações sociais de produção e das forças produtivas. Em síntese, Hegel faz da consciência o sujeito e do ser o objeto, enquanto Marx faz do ser o próprio sujeito em sua atividade prática e da consciência o objeto apreendido pelo ser em sua realidade objetiva, material. Assim, conforme as visões de Hegel e Marx acerca da determinação do sujeito e do objeto, vamos ter caminhos diferenciados quando entendidas tais categorias à luz da questão da universalidade no âmbito da relação entre sociedade civil e Estado

As diferenças de pensamentos: Idealismo x Materialismo.

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Redação Multimídia ministrada pelo Prof. Eduardo

Anna Luiza de Abreu Dutra

SETEMBRO
2019

“qual é a primeira causa de tudo o que existe, a matéria ou o espírito?”

● Definições:

Idealismo:
É qualquer teoria em que o mundo material, objetivo, exterior só pode ser compreendido plenamente a partir de sua verdade espiritual, mental ou
subjetiva.

Materialismo:
É o tipo de fisicalismo que sustenta que a única coisa da qual se pode afirmar
a existência é a matéria; que, fundamentalmente, todas as coisas são
compostas de matéria e todos os fenômenos são o resultado de interações
materiais; que a matéria é a única substância.

Um amigo olhou desaprovadoramente para a comida de Andrew Pessin, autor de Filosofia em 60 segundos. “O que foi?”, perguntou-lhe. “Está deliciosa!” “Não está, não”, ele respondeu. Pessin não continuou essa discussão porque não havia nada a argumentar quanto a isso…

Por quê não?…não podemos dizer que a percepção de alguém esteja correta e que a do outro não está. As características percebidas aqui são subjetivas: não no objeto, mas na mente do observador. Beleza, como se diz, está no olho do
observador.

A moeda na sua mão parece redonda, mas, de outro ângulo, parecerá oval;
de longe, você a verá como pequena, ao passo que, de perto, parecerá grande.
Em todos esses casos, certa qualidade varia entre os atos de percepção, ao passo
que o objeto em si não mudará: é a mesma moeda seja parecendo redonda ou oval, pequena ou grande.

O materialismo, isto é, a crença de que não há nada fora da natureza que possa ser apreendido pelos sentidos, logo, de que não há Deus nem ideais, entrou em moda pela primeira vez no século XVIII com o Iluminismo francês.
O materialismo afirmava que a base de tudo o que existe é a matéria e procurava
estudá-la profundamente, foi ele um grande auxiliar do desenvolvimento das
ciências, mas desde que via na matéria um elemento imutável, de formas definitivas e eternas, tropeçava forçosamente, com o tal ponto de vista, num entrave á verdadeira concepção da natureza.

Exemplos: Teoria Marxista bem materialista.

CURIOSIDADES

materialistas= empiristas
idealistas= racionalistas
Origem inglesa

Retomando o materialismo, em geral, se contrapõe ao idealismo; não se pode
realmente compreender o materialismo sem conhecer o seu oposto — o idealismo.
Para se responder à pergunta, sobre o que vêm a ser materialismo e idealismo, não colocaremos a questão tão metafisicamente, do seguinte modo: “qual é a primeira causa de tudo o que existe, a matéria ou o espírito?”, se há principio e fim em tudo o que existe. Formularemos a questão um tanto diferentemente. No mundo em existência que concebemos, sentimos primeiramente a nossa própria existência que se compõe em certo sentido de duas partes:


● 1º), vemos a nós mesmos como um corpo: — nosso corpo material;
● 2º), sentimos a nós mesmos como elemento de manifestações internas: —
pensar, sentir, saber. São esses os dois momentos principais que cada “eu”
sente em sua própria existência. Por isso, ao construirmos uma escola
filosófica, temos diante de nós dois caminhos a seguir:
● 1º), a escola materialista afirmando que em todo o existente está a matéria, o
corpo; que tudo na natureza é objeto da percepção dos nossos sentidos e
que o pensamento humano é o resultado da matéria — o pensar é atributo da
matéria, como todos os outros, ou
● 2º), a escola idealista que diz sentirmos primeiramente a existência das
nossas emoções, dos nossos pensamentos e que o corpo, — a matéria
existe tão somente porque o “eu”, o nosso pensamento concebe. A pedra,
por exemplo, que não se concebe a si própria, não tem existência
Percebemos um fenômeno com os nossos órgãos, vemo-lo com os nossos
olhos, mas o ato em si de ver, o fato como tal, não é material, não pode ser
visto nem tocado. Esta escola toma por isto como base o espírito, o
pensamento. A matéria é por ela tomada como um acidente ou como
corporificação do espírito.

A que pode conduzir e a que nos levaram o materialismo e o idealismo em seu
desenvolvimento histórico?
Desde que verificamos ser o corpo, a matéria, o objetivo, o que realmente existe,
devemos estudá-lo antes de tudo, conhecer suas prioridades e só assim é que
poderemos conhecer o mundo. O materialismo tornou-se assim um propulsor do desenvolvimento das ciências, graças ao fato de construir as suas concepções
sobre a matéria.

Os idealistas, ao contrario, diziam que se devia antes de tudo investigar as
manifestações internas, — o espírito, o fator básico de tudo o que existe; que se
pode apresentar até sob a forma de matéria. Mas o espírito é algo que não se pode apreender, que não se pode investigar. O espírito, como tal, não pode estar sujeito a força alguma, e, pelo seu conteúdo, só pode ser explicado espiritualmente ou divinamente. O desenvolvimento histórico dessas duas doutrinas deu-se de tal forma, que o materialismo cresceu e se desenvolveu ao lado da ciência, ao passo que o idealismo achava-se quase sempre ligado á religião, ou se entretinha com a metafísica especulativa, divagando sempre nas esferas da metafísica e da teologia.

Fontes para realização do trabalho:

https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2014/07/12/idealismo-x-materialismo/

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-32831999000100017

REALIDADE MATERIALISTA X REALIDADE IDEALISTA

Site de onde foi extraído a imagem

Autora: Lohany Esmeraldo Abreu                                                           

As diferenças entre as cosmovisões , as físicas e as éticas das escolas filosóficas idealista X materialista.

Desde sempre existe a dialética entre ciência e religião, Razão e emoção, materialismo e idealismo. Mas para que se possa apresentar as reflexões e diferenças entre o idealismo e o materialismo e suas respectivas escolas filosóficas, é necessário ter conhecimento sobre o conceito de ambos.

O materialismo tem como base a matéria, a existência de tudo se deve à matéria, o corpo, o físico, o que se pode apalpar. Enfoca no objeto do conhecimento (as coisas/matéria), o mundo não depende do sujeito pois esse tem uma atitude receptiva, uma vez que já existe a pressuposição do mundo, no qual o mesmo já existe e as coisas são como conhecemos e continuará assim.

De acordo com esse conceito, tudo na natureza é objeto de percepção dos sentidos e o pensamento humano é um resultado da matéria. O materialismo foi um catalizador da ciência pois construiu concepções da matéria, que é de certa forma o foco da ciência. Esse se encontra diretamente ligado ao realismo, empirismo e à natureza, entretanto, tem como defeito a imutabilidade, ou seja, a matéria é do jeito que é e sempre será assim, não vai mudar, é estática. Tal pensamento afasta o materialismo da ideia de evolução.

Um dos autores e filósofos mais influentes do materialismo é Karl Marx, pois criou os conceitos de materialismo filosófico e histórico. O filósofo tem como centro o marxismo e tem dois conceitos principais sendo estes: o fato de que a consciência humana é o reflexo de processos da natureza, e que tais processos sempre vão seguir um certo padrão dialético. E o histórico também possui a filosofia marxista em foco, porem com ênfase na vertente histórica, sendo que os princípios da mesma são o modo de produção e a luta de classes.

          Já o idealismo que é totalmente contrário ao materialismo, tem como base o espírito, enfatizando o sujeito do conhecimento e que a inteligibilidade da realidade depende do sujeito, ou seja, o mundo existe porque o pensamento e o espírito existem e constroem o que conhecemos, a matéria.

Nas escolas idealistas deve-se primeiro focar nos elementos de manifestações internas como o sentir, na existência das emoções, pensamentos e o corpo. O idealismo está diretamente relacionado à metafisica, religiões pois se preocupa com o espírito, com o que sente, sendo que não pode ser explicado por meio de experiências e teste, e sim somente por meio divino ou espiritual.

A matéria é vista como uma espécie de corporificação do espírito.  Para o idealismo de modo geral, tudo é espírito, que existe e não existe ao mesmo tempo, tem uma ligação com as emoções é dinâmico, ou seja, está em constante mudança, fazendo com que o idealismo esteja mais próximo aos ideais de evolução, então o que é criticado como defeito nessa vertente filosófica é fato de que o mesmo não se baseia na matéria, no que existe, no que é “real”, não podendo ser comprovado cientificamente e procurando as leis gerais do pensamento humano para comprovação de algo.

Existem quatro tipos de idealismo que foram inspirados e guiados por filósofos, sendo eles: Immanuel Kant, Berkeley, Hegel, Descartes e Platão, sendo que esse último o mais importante pois sempre acreditou no poder das ideias e na razão humana, e que a verdadeira realidade está no mundo das ideias, das formas inteligíveis, acessíveis apenas à razão.

Sobre os tipos de idealismo, existe o absoluto que é aquele que foi pensado por Hegel e supõe que a única realidade plena e concreta é aquela de natureza espiritual. Tem o idealismo dogmático que é inerente ao  berkelianismo e se caracteriza por negar a existência dos objetos exteriores à subjetividade humana.

O idealismo imaterialista, também defendido por Berkeley, parte de uma premissa empírica fazendo com que a realidade seja confundida com aquilo que dela se percebe, concluindo que os objetos materiais se reduzem a apenas pensamentos na mente divina e humana.

Ilustração extraída da publicação de victorinoabad

E por último, o idealismo transcendental, pensado por Kant e se baseia nos fenômenos da realidade objetiva, ou seja, não aparece aos humanos a sua forma literal/real então aparecem como representações subjetivas que são interpretadas pelo sistema cognitivo dos homens.

Estátua de Platão, Grécia Antiga.

Agora que a definição de idealismo e materialismo está clara, seguimos para a comparação e diferenças entre as escolas materialistas e idealistas, e quais filósofos se identificam com cada escola.

A escola idealista tem como base o espírito, então tem menos a presença do empirismo, e mais contato com a religião e com a metafísica, e isso é o oposto do materialismo que está ligado à ciência, logo, é muito embasada em experiências. Ainda sobre a escola idealista, “idealismo é o grande motor das invenções, das descobertas, dos empreendimentos sociais, políticos, econômicos e culturais que possibilitam as mudanças, as realizações dos sonhos, à concretização de desejos aclamados, muitas vezes, por toda uma vida. O idealismo impulsiona o veículo do tempo pela sua infinita e enigmática viagem rumo ao futuro” [1].

Essa escola também pode ser vista como literária, pois não tem como ter um método de ensino usando um objeto e dispensa a necessidade de valor para a aprendizagem, vale dizer também que o idealismo é mais focado para a sociedade, com uma certa solidariedade e a empatia, visando o bem comum. O idealismo também pode ser visto como uma mistura de diferenças e a valorização de princípios, pensamentos, história e ensinamentos, que podem ser levados para a vida alcançando o bem.

Alguns pensadores dessa escola são: Descartes que pensa que a realidade pode ser extensiva (realidade objetiva, ou seja, independente do sujeito e as qualidades sensíveis só existe na consciência humana) ou qualitativa (um corpo é composto pelas qualidades sensíveis e pelo movimento). Descartes também possuía três essências de seu pensamento: Espírito (substância pensante, imperfeita, finita e dependente), Deus (substância eterna, perfeita, infinita, que pensa e é independente) e a matéria (substância que não pensa, extensa, imperfeita, finita e dependente).

De modo geral Descartes pensava que   a partir o espirito se propõe demonstrar a existência de Deus. Só depois, num terceiro momento, é que fica garantida a existência do mundo. O segundo filósofo é o Kant que foi percussor do idealismo transcendental e ele pensava que as aparências, ilusões e enganos devem ser desfeitos para que se consiga ir além dos fenômenos. Também acreditava que a razão é o intelecto que desconhece objetos e que encontra além do físico, buscando o incondicional (metafísica e incapaz de se alcançar pelo conhecimento).

Outro filósofo importante é o Hegel que concluiu que a materialização do espírito seja resultante deste, pois “a exteriorização do Espírito nas diversas formas de matéria é o que garante o ser em si. Não há em si sem o para si. O infinito depende do finito. A dependência é uma necessidade, mas é o único fundamento da liberdade”[2]. Outros participantes dessa escola são: Renato Russo, Einstein, Tiradentes e Che Guevara.

          Sobre a escola materialista, que já foi vista que se baseia na matéria e nas teorias marxistas. Os principais filósofos dessa escola, além de Marx, são: Demócrito, Leucipo, Epicuro, Lucrécio e os estoicos. E eles falavam das teorias atômicas e se opunham sobre a continuidade matéria, pois o materialismo não tem muita aproximação com a ideia de evolução, entretanto, esses filósofos propunham que a matéria foi criada e desenvolvida, basicamente, a partir dos elementos naturais.

Demócrito pensou sobre a teoria dos elementos, que é o surgimento e desenvolvimento da matéria a partir dos elementos fogo, água, ar, terra e éter. Epicuro falava sobre a vida, de forma geral, as amizades, a morte, e ele bem racional, pregava sobre egoísmo e prazeres na vida, enquanto ela dura. Leucipo e Lucrécio tinham relação com o epicurismo e com as teorias atômicas. E, por fim, os estoicos que tinham como foco o conhecimento humano, o autocontrole e firmeza sobre as emoções.

Pelo fato de que o idealismo e materialismo são extremos opostos, o transcurso de desenvolvimento, as duas escolas se reuniram e formaram uma nova escola filosofia cientifica que o materialismo moderno, que consiste em um ponto de vista monista, unitário, visto que reúne numa concepção única, espírito e corpo.

“O materialismo não possui asas que lhe permitissem voar e não podia penetrar o íntimo da natureza. O idealismo, ao contrário, procurava encontrar e penetrar o íntimo da natureza, mas achava-se suspenso no ar, sem base em que se apoiar”. [3]

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

[1] https://idea-lismo.webnode.pt

[2] http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-32831999000100017

 [3] https://www.marxists.org/portugues/tematica/1922/materia/cap04.htm

OUTRAS FONTES CONSULTADAS:

https://www.pucsp.br/pos/cesima/schenberg/alunos/marizabatista/Idealismo%20em%20Descartes.htm

https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/kant-idealismo-transcendental.htm

https://www.todamateria.com.br/epicuro/

https://www.todamateria.com.br/idealismo/

https://sites.google.com/view/sbgdicionariodefilosofia/

A busca por um pensamento racional: idealismo x materialismo

Sócrates é considerado o patrono da Filosofia, por isso seu nome é um marco que divide a filosofia grega entre os períodos pré-socrático e socrático. No período pré-socrático, entretanto, encontra-se uma vasta e importante produção filosófica que remete aos primórdios da Filosofia, ao início de uma busca por um pensamento racional que não aceitasse as explicações fantasiosas oferecidas pelas mitologias como verdades inquestionáveis.

Nesse período, os primeiros filósofos ocidentais buscaram observar a natureza para entender como ela funciona e, assim, atribuir uma causa como origem primeira de todo o universo (cosmos em grego). Isso deu origem à cosmologia, que é uma tentativa de compreender a origem de tudo a partir da observação, da argumentação e do raciocínio lógico, deixando de lado explicações mirabolantes como as que eram fornecidas pela mitologia grega.

Todos os filósofos desse período tentaram, de algum modo, atribuir uma origem ao universo, utilizando-se de argumentações. Alguns apontaram os elementos materiais e naturais como a origem de tudo; outros citaram elementos imateriais, e alguns, ainda, disseram que a origem se encontrava em um misto de elementos infinitos e indeterminados.

Como a Grécia antiga não era um único Estado soberano fundado sobre um mesmo território, mas um misto de cidades-estados (polis) diferentes e autônomas que se situavam em regiões próximas, porém separadas, as comunidades fundadas nessas cidades eram diferentes. Com essa diferença, houve também uma modificação das maneiras de pensar daquele povo: havia um esforço comum para buscar algo novo – o pensamento racional –, mas cada um fez isso à sua maneira.

Por esse motivo, surgiram na Grécia pré-socrática diferentes escolas de pensamento racional que propunham resolver o mesmo problema – qual a origem racional do universo –, de maneiras diferentes.

O idealismo é uma corrente filosófica que defende a existência de uma só razão, a subjetiva. Por essa abordagem, a razão subjetiva é válida para todo ser humano, em qualquer espaço temporal ou físico. A partir do pensamento idealista, a realidade se resume ao que é conhecido por meio de ideias. Há, ainda, diferença entre a realidade e o conhecimento que temos sobre ela. Ou seja, só podemos dizer que a realidade é racional para nós a partir de nossas ideias.

O pensamento idealista foi inaugurado por Platão. O filósofo grego resume o idealismo no “Mito da Caverna”. Na alegoria, afirma que as sombras do mundo sensorial precisam ser superadas pela luz da verdade universal e da razão.

As críticas ao idealismo platônico ocorrem porque as ideias do pensador grego alcançam o pensamento abstrato. Entre os fatos está a defesa da existência da dualidade na criação, com a existência do corpo e da alma.

A abordagem filosófica do idealismo na Alemanha é retomada por Immanuel Kant (1724 – 1804). Começa na década de 80 do século XVIII e se estende até a primeira metade do século XIX.

A partir do século XIX, o idealismo alemão é abordado por um grupo de filósofos denominados pós-kantianos. Eram Johann Gottlieb Fichte (1762 – 1814), Friedrich Wilhelm Joseph von Schelling (1775 – 1854) e Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770 – 1831).

O idealismo transcendental de Kant é fundamentado no fato de o conhecimento não resultar de uma experiência neutra.

Kant atenta para a influência social na razão. O filósofo apontava que cada um enxerga o mundo conforme suas lentes cognitivas. As lentes resultam da influência do meio, da sociedade e do momento histórico.

Hegel, embora defensor do idealismo, criticava as ideias de Kant. O pensador afirma que a transformação da razão e de seus conteúdos é movida pela própria razão. Afirmava que a razão não está na história porque ela é a história.

Uma das principais características do materialismo é sua busca pela explicação dos fenômenos da realidade a partir de condições estritamente concretas e materiais, donde se pode compreender de modo racional as fontes que geram as dinâmicas sociais, históricas, psicológicas, epistemológicas, etc.

Com efeito, o materialismo está em via oposta ao idealismo, o espiritualismo e a metafísica, posto que afirme a primazia da matéria sobre o espírito. Ademais, até mesmo o pensamento seria uma manifestação interior da matéria, permitindo a existência imaterial da consciência, contudo, correlacionada aos fatos e fenômenos de origem material.

Tem especial destaque no materialismo o pensamento marxista de Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895), donde o ser humano fundamenta toda sua estrutura econômica e social nas condições materiais de sua existência.

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Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895)

Pelo “Materialismo Dialético”, as mudanças surgem pelo embate entre as forças sociais, como um reflexo da matéria em sua relação dialética com as dimensões psicológica e social, as quais, por sua vez, constituem as forças produtivas e as relações de produção.

Por conseguinte, no “Materialismo Histórico”, os processos históricos seriam uma manifestação do trabalho para satisfazer as necessidades materiais, o que determinaria os modos de produção da vida material, com impactos diretos na vida social, política e espiritual em cada período histórico.

Do ponto de vista do idealista, uma cadeira, por exemplo, precisa primeiro ser concebida em sua mente como vontade, necessidade ou projeto, para depois ser construída, ou seja, para se ter então a ideia executada. Já numa visão materialista de mundo, são as necessidades e experiências no mundo físico que promoverão na mente do homem a ideia de se construir uma cadeira.

Maria Eduarda Reis

REFERÊNCIAS

PORFÍRIO, Francisco. Escolas filosóficas pré-socráticas. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/escolas-filosoficas-pre-socraticas.htm Acesso em: 22/09/2019.

MAGALHÃES, Bruno. Idealismo filosófico. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/idealismo/ Acesso em: 22/09/2019.

LOBO, Bianca. Materialismo. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/materialismo/ Acesso em: 22/09/2019

O concreto ou o imaginário?

Por Laiza Pereira

O único caminho para descobrir o mundo é através de ideias e conceitos, como foi dito na teoria das ideias de Platão. A teoria das idéias de Platão é historicamente o primeiro dos idealismos.

Filosofo: Platão

“Para ele, o ser em sua pureza e perfeição não está na realidade, que é o reino das aparências. Os objetos captados pelos sentidos são cópia imperfeita das idéias puras. A verdadeira realidade está no mundo das idéias, das formas inteligíveis, acessíveis apenas à razão.” – segundo o site estudantedefilosofia

E ao vermos a partir de um aspecto geral, podemos definir o idealismo como o centralismo do Eu subjetivo.

Podemos entender através da forma de pensar em três sentidos:

Sentido Ontológico: A realidade, em sua natureza, é essencialmente espiritual, sendo que a matéria apenas uma ilusão inacabada da matriz perfeita, que se constitui de formas ideais inteligíveis.

Sentido Gnosiológico: O objeto é inteligível pelo ser humano devido às muitas diferenças entre cada indivíduo, o que irá fazer com que cada um compreenda a realidade de uma forma.

Sentido Prático: Trata-se de uma fundamentação de ideias de conduta como uma espécie de guia para o agir humano no mundo.

“Para o idealista inglês George Berkeley, a única existência dos objetos é a idéia que se tem deles: “existir é ser percebido”. As coisas só existem como objetos da consciência. A existência do mundo como realidade coerente e regular estaria garantida por Deus, mente suprema onde tudo se produz e ordena. E no idealismo transcendental de Kant, a experiência sensorial só se torna inteligível por meio de estruturas conceituais preexistentes no espírito humano. Assim, a realidade é apreendida por formas de sensibilidade, como as noções de espaço e tempo, e certas categorias universais do entendimento.” – Segundo o site estudantedefilosofia

Segundo o filosofo alemã Hegel que formulou um sistema filosófico que representa uma síntese do idealismo alemão e é comumente chamada de idealismo absoluto. As formas de pensar seriam também as formas do ser: “o que é racional é real e o que é real, é racional”. O espírito se realiza a si mesmo, no mundo externo, em um processo dialético de superação de contradições, integrado por três fases: tese, antítese ou negação, e síntese, ou negação da negação. Os sucessivos processos dialéticos vieram á conduziro espírito à perfeição.

MATERIALISMO

A imagem do mundo Atual!

Materialismo é toda concepção filosófica que aponta a matéria como uma substância primeira e última de qualquer ser, coisa ou fenômeno do universo.

“Para os materialistas, a única realidade é a matéria em movimento, que, por sua riqueza e complexidade, pode compor tanto a pedra quanto os extremamente variados reinos animal e vegetal, e produzir efeitos surpreendentes como a luz, o som, a emoção e a consciência.” – Segundo o site estudantedefilosofia

O materialismo contrapõe-se ao idealismo, Devido o elemento primordial é a idéia, o pensamento ou o espírito. Bom a tradição materialista na filosofia ocidental, começou com o filosofo pré-socrático Demócrito, no século V a.C., que afirmou que tudo que existe compõe-se de átomos (partículas invisíveis de matéria) em constante movimento no espaço vazio. Já de acordo com o filosofo Epicuro, o mais influente dos materialistas gregos, o qual confirmou a teoria de Demócrito mas atribuiu aos átomos a propriedade de se desviarem de suas rotas, o que explicaria o encontro entre eles.

“Com essa hipótese, Epicuro procurou demonstrar que a origem do movimento está na própria natureza, é inerente a ela e prescinde de intervenção divina. Na sistematização que fez do conhecimento da época, Aristóteles pretendeu conciliar as vertentes materialista e idealista da filosofia grega. Seu pensamento representou um compromisso entre a ciência e a teologia a tal ponto que foi utilizado, no final da Idade Média, como instrumento de defesa da fé cristã.” – Segundo o site estudantedefilosofia

Na França, o filosofo Descartes lançou os fundamentos do materialismo mecanicista com sua teoria dualista, que separa radicalmente espírito e matéria. E na Itália, o filosofoTommaso Campanella e Giordano Bruno defenderam que o pampsiquismo, o qual toda matéria tem um ímpeto interior que adquire qualidade anímica ou consciente.

“A idéia atingiu plena maturidade com Spinoza, o filósofo judeu-holandês que assegurou que matéria e alma constituem os aspectos externo e interno de uma mesma coisa, a natureza, que se confunde com Deus.No século XIX, com os avanços científicos em diversas áreas, em particular a teoria evolucionista de Darwin, as concepções materialistas tiveram grande impulso. Destaca-se o epifenomenismo, defendido pelo britânico Thomas Huxley, que sustentou que os processos mentais prescindem de relevância causal e só os processos físicos dão causa a outros.” Segundo o site estudantedefilosofia

Materialismo Dialético

“O materialismo dialético é uma corrente filosófica que utiliza o conceito de dialética para entender os processos sociais ao longo da história. Essa teoria faz parte do marxismo socialista, criada por Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895). Na concepção marxista, a dialética é uma ferramenta utilizada para compreender a história. A dialética marxista considera o movimento natural da história e não admite sua maneira estática e definitiva. Segundo Engels: “O movimento é o modo de existência da matéria”.” Segundo o site todamateria

Sendo assim, a história quando é analisada como algo em movimento irá torna-se transitória, que por sua vez, pode ser transformada pelas ações humanas. E Nesse caso, a matéria possui uma relação dialética com os âmbitos psicológico e social. Sendo assim, os fenômenos sociais são interpretados através da dialética. E Por meio dessa relação dialética entre o ambiente, o organismo e os fenômenos físicos, os seres humanos, a cultura e a sociedade criam o mundo, ao mesmo tempo que são modelados por ele. Vale notar também que o materialismo dialético é oposto ao idealismo filosófico que acredita que o mundo material é um reflexo do mundo das ideias.

A “Guerra às drogas” como forma de dominação e controle social no Brasil e o papel da filosofia

Por: Giovanna Guedes Coelho

O proibicionismo das drogas é uma política pública imposta no início do século XX. Com a intenção de desnaturalizar a ideia de que as drogas sempre foram proibidas, a dissertação de mestrado defendida por Jonas Lunardon no Programa de Pós-graduação em Ciências Políticas da UFRGS apresenta como foi construída essa política.

Com o fim da escravidão, uma das maneiras encontradas para controlar a cultura negra foi a criminalização social, um processo que passa a ser utilizado para a manutenção do status quo, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. “O proibicionismo das drogas é uma questão de exclusão social e foi uma criminalização direta da população negra”, comenta Jonas.

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Rótulo do cigarro de cannabis Grimault

No Brasil, até o início da repressão, era comum que anúncios de cigarros de cannabis fossem encontrados em jornais da época. Como na propaganda da marca Grimault, acima, a publicidade da época atentava para o uso da maconha no tratamento de certos problemas de saúde: “recomendada por autoridades médicas para doenças pulmonares, febre do feno e laringite”. Além disso, peças publicitárias, como a produzida pelo governo de Franklin Roosevelt em 1942, demonstram que a produção de maconha – dado seu potencial industrial para ser transformada em fibras e óleos – foi incentivada em regiões estadunidenses para ser utilizada na indústria de mantimentos à guerra.

O Brasil foi protagonista em incluir a cannabis na lista de substâncias perigosas, o que acontece na época do fim da escravidão e da entrada da população negra na sociedade. Ao longo do tempo, essa população passa a tencionar o tecido social, com seus elementos culturais e religiosos ganhando maior relevância. “Quando isso acontece, decide-se criminalizar componentes dessa cultura. A maconha é um dos elementos criminalizados, da mesma forma que o samba, a umbanda e a capoeira também foram”. Com o passar do tempo, alguns são liberados, sendo até mesmo utilizados como propaganda do Estado brasileiro, mas a maconha não. “Ela é o elemento que serve de estigma para que ainda se possa criminalizar essa cultura. ”

Outros campos se agregam à questão política da criminalização, como os interesses econômicos e os fatores médicos, sanitaristas e higienistas que se articulam e fomentam a proibição. “Principalmente nos interesses econômicos, era fundamental naquele início de século resguardar mercados, como o têxtil, o petrolífero, entre outros. Eles precisavam saber que a concorrência não seria suplantada. A fibra da maconha e os óleos retirados dela eram utilizados para essas questões”.

A proibição da maconha tem origem autóctone: data de 1830 uma postura da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, considerada o primeiro documento que penalizava a venda e o uso do “pito de pango”, como era conhecida a Cannabis em nosso país, cujo hábito de consumo recreativo era associado aos africados escravizados que teriam trazido essa cultura (e as sementes) de seu continente de origem. A erva tinha diversos nomes de origem africana, como diamba, bangue, maconha, fumo de angola, pito de pango, riamba e liamba,9 e seu uso não médico era disseminado entre os negros, que passaram a cultivá-la no Brasil. Em clara expressão de racismo estrutural, no século XIX no Rio de Janeiro punia-se com prisão, muito antes de qualquer convenção internacional, o usuário, negro escravizado ou pessoa pobre, enquanto um eventual vendedor seria punido apenas com multa.

Um fato histórico importante para entender a questão é a criação, no governo de Getúlio Vargas, de um sistema nacional de segurança. Dentro do sistema, surge a Delegacia de Costumes, Tóxicos e Mistificações (DCTM), que controla os crimes considerados imorais. “Existe uma institucionalidade dedicada a oprimir componentes da cultura negra. Salo de Carvalho diz que quando o Estado decide criminalizar essas subculturas (ou culturas desviantes, ou contraculturas), ele incrimina seus elementos, para que, a partir deles, se possam reprimir as populações. A maconha, nesse caso, foi o elemento que restou dessa criminalização”, destaca o pesquisador.

Esse tipo de proibição acontece durante a história da civilização humana, como, por exemplo, quando Napoleão dominou o Egito e proibiu algumas práticas dos povos nativos. Quando analisamos no sentido geral, essa repressão é largamente utilizada por domínios ao longo da história.

Poster utilizado pelos USA para promover a produção de cânhamo para o esforço de guerra em 1942.

Para compreendermos melhor como esse fato se deu, a seguir assista uma cena do documentário da Netflix, “Basedo em fatos racias”.

No início deste mês, o The Intercept Brasil trouxe à tona uma pesquisa nacional realizada pela Fiocruz que traça a dimensão do “problema das drogas” no Brasil. A pesquisa intitulada o 3º Levantamento Nacional Domiciliar sobre o Uso de Drogas apresenta dados sobre o consumo de determinadas drogas, legais e ilegais, no país, e, apesar de ter sido concluída em 2016, nunca foi divulgada pelo governo federal. O seu resultado foi embargado pelo governo do então presidente Michel Temer e demonstra que, ao contrário dos discursos de autoridades de segurança pública do país, não existe uma epidemia de drogas no Brasil.

No Brasil, predomina ainda a lógica de “guerra” e proibição. Há uma série de políticas e legislações hoje em vigor, como a criminalização do usuário, o enfoque na dimensão da repressão ao tráfico (a despeito da reduzida atenção à prevenção e tratamento), o recrudescimento das penas aos crimes envolvendo drogas, o direcionamento das ações policiais para operações antidrogas, a militarização das polícias, além do encarceramento em massa, dentre outras, que expressam tal abordagem. Diante da necessidade de apresentar uma resposta para esse “problema das drogas”, o governo e agentes de segurança optam ainda por um conjunto de ações midiáticas, a fim de aumentar os números finais de apreensão e encarceramento. Com isso, o uso da força, muitas vezes desproporcional, passa a ser justificado e inclusive demandado por parte da população aterrorizada com a “epidemia de drogas” vivida no país.

O que a omissão do governo nos indica é que sua ação não é apenas responsiva ao problema das drogas que se apresenta no país, mas que ele próprio assume um papel de criar e significar esse tal “problema” sobre o qual poderá justificar suas “soluções”. A pergunta que devemos levantar aos interesses de quem que essa “guerra às drogas” atende.

O controle social contra negros e pobres no Brasil tem sido justificado pela “guerra às drogas”, ainda que seja sabido que o comércio e consumo das mesmas não se restrinjam a esse grupo populacional.  Os crescentes orçamentos no campo da segurança pública e nacional também vem se justificado pela necessidade de controlar o tráfico de drogas. As prisões estão superlotadas de indivíduos acusados por tráfico de drogas, causando uma crise carcerária no país, cuja solução tem caminhado no sentido da privatização das prisões. A insegurança nas cidades tem sido relacionada às drogas, o que vem movimentando um poderoso mercado de segurança privada, para citar algumas possibilidades. As clínicas de tratamento e reabilitação ficam a cargo de entidades privadas e religiosas, interessadas sustentar um modelo baseado na internação compulsória, na moralização do consumo e na abstinência.

Só em 2017, as polícias brasileiras foram responsáveis por 5.144 mortes no país (14 por dia), o que representa 20% de aumento com relação ao ano anterior. No mesmo ano, 367 policiais foram mortos, 5% a menos do que no ano anterior. Vale destacar que os grandes traficantes e crimes violentos não são prioridade das ações policiais. O usuário é foco de 40% das ações policiais, fazendo com que a maior parte das apreensões se direcionem a pequenos traficantes, que carregam quantidades muito pequenas de drogas.

De acordo com os últimos dados divulgados pelo INFOPEN, em junho de 2016, o crime por tráfico de drogas aparece em 28% das incidências penais pelas quais as pessoas privadas de liberdade foram condenadas ou aguardam julgamento no país. De 2005 a 2016, o percentual de mulheres presas por tráfico cresceu de 49% para 62%, levando à explosão do encarceramento feminino no país, que cresceu 698% em 16 anos. Uma vez que a maioria das mulheres envolvidas no comércio de drogas atuam nos níveis mais baixos das redes criminosas, é possível dizer que o foco das ações de combate ao tráfico ocorre no final da cadeia transnacional da droga, sem alcançar e atingir as grandes organizações narcotraficantes.

O atual governo apresenta discurso de que o Brasil está passando por uma “epidemia de crack”, algo que parece não se sustentar pela pesquisa em questão.  O levantamento conclui que 0,9% da população usou crack alguma vez na vida, 0,3% fez uso no último ano e apenas 0,1% nos últimos 30 dias. No mesmo período, maconha, a droga ilícita mais consumida, foi usada por 1,5%, e a cocaína, por 0,3% dos brasileiros. Esses dados, segundo todos os especialistas consultados pelo The Intercept, confirmam que isso está longe de se configurar como uma epidemia.

Em razão disso, questiona-se a metodologia utilizada pela Fiocruz, que não permitiria comparação com pesquisas anteriores. A Fiocruz, por sua vez, garante que adotou a mesma metodologia da Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar (Pnad), levando às ruas mais de 300 pesquisadores e técnicos. Ainda assim, Sergio Moro, na pasta do Ministério da Justiça, afirma que não vai usar a pesquisa para desenhar a Política Nacional de Drogas, discurso este também reproduzido pelo Ministério da Saúde.

Esse posicionamento mostra como o governo não tem interesse em reconhecer a real dimensão do “problema das drogas” no país. A falta de transparência e diálogo sobre a questão das drogas no Brasil permite a manutenção de uma lógica repressiva, como ficou claro na nova Política Nacional de Drogas assinada pelo presidente Jair Bolsonaro.

A divulgação da nova Política Nacional sobre Drogas poucos dias depois do posicionamento contrário do governo à citada pesquisa, que apontava não haver uma epidemia de drogas no país, sustenta nossa interpretação de que existem interesses em não tornar público esses dados. Com isso, voltamos à nossa pergunta inicial: a quem e a que tipo de política interessa a não divulgação da real situação do “problema das drogas” do país?

Essa falta de acesso às informações científicas por parte da população garante um apoio expressivo às decisões governamentais que hoje alinham-se aos setores mais conservadores da sociedade brasileira, mas que atendem a grupos interesses que visam sustentar a lógica da “guerra às drogas”. O resultado é que se acentua uma abordagem repressiva e sensacionalista sobre a questão das drogas, a qual exime o Estado de tratar o consumo dessas substâncias como uma questão de saúde pública. Dessa forma fortalece-se o entendimento do “problema das drogas” a partir da ótica de segurança, o que garante uma política de exclusão, combate e encarceramento massivo da população negra e pobre do país.De certo modo, tudo o que nos cerca hoje é subproduto da Revolução Cultural dos anos 1970, década de onde emergiu o “politicamente correto” e praticamente todas as políticas públicas que marcam a gestão social no Ocidente.

Michel Foucault (1926-1984)

Um dos seus principais mentores ideológicos foi o filósofo francês Michel Foucault (1926-1984) que fundiu numa extravagante doutrina inspirada no anarquismo com as concepções de Nietzsche.

“A partir do Estado Moderno, com a criação de grandes centros urbanos, esse Estado passa a ter que lidar com a população. Foucault desconstrói e analisa várias instituições que servem como sistemas de domínio, como a escola e a educação. Ao trabalhar com a biopolítica, ele analisa como o Estado se baseia no controle do corpo e da consciência. ”

Devemos entender o poder e o Estado não apenas como negativos e repressores, mas também como produtivos e positivos. “Esse tipo de poder cria relações, modos de ser, formas de existência. Para produzir, ele vai precisar de ferramentas políticas e sociais, para criar maneiras de ser que cabem no Estado em que a gente vive. O proibicionismo das drogas é uma dessas ferramentas estruturantes. ”

Michel Foucault pertenceu a uma geração de intelectuais que demonstrou outra receptividade para com as drogas e o vício em geral. Em parte, inspirados na obra de Aldous Huxley, “As portas da percepção” (The doors of perception, de 1954), que relata as experiências do escritor com a ingestão de mescalina, LSD, entre outras, e os efeitos que nele provocou, muitos escritores e ideólogos começaram a reverter as posições que os esquerdistas históricos tinham em relação ao problema das drogas.

Entrementes, no transcorrer das décadas de 1960 e 1970, as ideias dele de “desconstrução” das instituições formais ganharam adeptos no meio acadêmico americano. A nova geração que saiu dos bancos das faculdades de Direito, de Sociologia e de Psicologia, da Costa Leste ou da Califórnia, sofreu forte influência doutrinaria dos professores seguidores de Michel Foucault, um pensador que não acreditava existir na sociedade instituição alguma que não estivesse à disposição da teia do jugo da coerção e da lógica do poder.

Se as instituições serviam acima de tudo como “espaços da opressão” e afirmação do poder, era preciso alterar sua substância, esvaziando a sua razão de ser.

Com a abolição ou contenção da autoridade é possível que Michel Foucault pensasse abrir caminho para a verdadeira revolução que surgiria no porvir, liberando os seres humanos de qualquer amarra. Em termos freudianos, a neutralização do superego com seus rigores e impedimentos, proporcionaria aos indivíduos um novo horizonte de possibilidades não-repressivas.

Se não fora possível libertar o operário do poder do capital, como era a proposta do marxismo clássico, pelo menos, seguindo Michel Foucault, ela ajudaria a libertar milhões de indivíduos dos preconceitos, emancipando-os da moral convencional.

O ativismo filosófico, neste contexto, é a chave, de umas das portas da libertação desta dominação racista e segregacionista.

No Primeiro Encontro Nacional de Coletivos e Ativistas Antiproibicionistas (Encaa), os argumentos usados pelo movimento se relacionam a questões práticas, como a falta de resultados da política criminalizadora das drogas no país em comparação com o aumento da violência, mas também ao conceito de até onde o Estado pode interferir em escolhas pessoais. Henrique Soares Carneiro, professor de história moderna da Universidade de São Paulo (USP), e um dos palestrantes do primeiro dia do encontro, estudou o uso de substâncias psicoativas pela humanidade e seus diferentes usos ao longo da história, desde o aspecto religioso e medicinal até o efeito recreativo.

“O uso de drogas é parte da condição humana, pode ser bem ou mal-usada. Se é mal-usada cabe à sociedade oferecer assistência, dar formas de ter desabituação como ocorre com o álcool. Agora, não é porque alguns se tornam alcoólatras que você vai proibir o álcool”.

Ele defende que um dos princípios a serem levados em conta na questão é “ético-filosófico”: a liberdade de escolher o que ingerir, desde que isso seja feito sem perturbar os outros. Ele rebate o argumento de que as substâncias devem ser proibidas porque são maléficas à saúde usando o exemplo do consumo do excesso de açúcar, um fator determinante para diabetes e obesidade, mas que não é – e na opinião do acadêmico não deveria – ser criminalizado.

A legalização permitiria retirar do crime organizado uma das maiores fontes de receita contemporâneas mundiais, que é a comercialização de drogas. “E está na mão não só de grupos criminosos, mas de grupos que corroem as instituições. No Brasil, há o famoso helicóptero com 450 quilos (kg) de cocaína de uma família de um clã de políticos mineiros, que nunca foi investigado apesar de todas as evidências. O narcotráfico é, na verdade, parte da instituição de poder hoje no Brasil. E a renda dele está sendo embolsada da mesma forma que a corrupção. Então legalizar é tirar dessa esfera clandestina corrupta que está alimentando fortunas que não são de favelados”, defende Henrique Carneiro, da USP.

Fontes de pesquisa:

https://outraspalavras.net/terraemtranse/2019/04/18/guerra-as-drogas-para-quem/

http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2016-06/movimentos-discutem-mudancas-nas-politicas-antidrogas

https://www.terra.com.br/noticias/educacao/historia/das-drogas-a-loucura-foucault-inspira-o-politamente-correto,08d942ba7d2da310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html

https://diplomatique.org.br/a-proibicao-como-estrategia-racista-de-controle-social-e-a-guerra-as-drogas/