A PAREDE DOS PORQUÊS: Lambes com perguntas filosóficas estudantis colorem o IFG de Anápolis – relato de um cutucante experimento pedagógico

Prof. Eduardo Carli relata experiência de ensino no ano letivo 2025 e a importância do questionamento filosófico audaz

Saudações, terráqueos humanos aqui do planeta Terra. Eu sou Eduardo Carli, estou aqui na Casa de Vidro e hoje eu vim falar um pouco sobre o ofício de ensinar filosofia que eu venho exercendo aqui em Goiás, no Instituto Federal, desde 2014, lá se vão quase 12 anos. O sentido principal deste vídeo e deste texto é uma partilha de experiência pedagógica realizada no ano letivo de 2025 lá no câmpus Anápolis onde eu leciono chamado PAREDE DOS PORQUÊS.

Quero relatar um pouco pra vocês o processo que eu incentivei os estudantes a realizarem, que é uma confluência entre o campo das ciências humanas, ou seja, a filosofia também se percebendo na escola como confluente da sociologia, da geografia, da história, e também uma confluência com o campo das artes, onde, aliás, o IFG tem atuação impecável sobretudo através do Festival de Artes de Goiás, do Encontro de Culturas Negras e a própria PROEX, a nossa própria Reitoria de Extensão e de Cultura. Então, no âmbito do IFG, também o campo das artes, das expressões artístico-culturais, é uma parte muito integrante, importante, relevante da instituição.

O Parede dos Porquês foi uma tentativa de trazer questionamentos estudantis para o muro, para o espaço transitável no interior do nosso campus. Eu queria relatar um pouco qual foi o procedimento para chegar a resultados como este aqui. Peguei um exemplo da Emily Vitória, Turma Química 3: não sei se pelo vídeo isso é sensível e palpável, como é aqui para mim, mas ela fez uma colagem muito interessante, colocando a questão “o que nos torna humanos?” e opondo aqui a alma e a consciência, e colocando ao mesmo tempo um verdadeiro toró de questões e trabalhando com o coração, o cérebro e a borboleta, esta aqui remetendo também a um ser vivo outro-que-humano, alado, voador, ou seja, dotado de aptidões que nós não temos.

Eu queria começar a aprofundar um pouco mais a importância da questão. A filosofia é um âmbito da aventura humana, da empreitada do homo sapiens, que é relativamente recente, digo isto por conta de uma consideração pelo tempo geológico: a filosofia de fato desponta há 2.500, 2.600 anos atrás, na Grécia, com os assim chamados pré-socráticos, os que seriam denominados como pré-Sócrates depois, postumamente. Uma pergunta se esvaiu, mas logo a retomaremos. A importância do questionamento está lá na aurora, na invenção da filosofia, e o desafio hoje era fazer com que esses jovens do ensino médio técnico integrado, ali a galera entre 14 e 18 anos, conseguisse encontrar uma questão pertinenteao invés de apenas pensar a partir de questões formuladas por outrem.

Porque, digamos assim, por mais que sejam brilhantes as questões da tradição filosófica, elas nos cutucam a pensar, não é a mesma coisa do que pensar a partir de uma questão que você mesmo retirou das próprias entranhas. Nós podemos ficar horas debatendo uma questão metafísica canônica como “por que existe alguma coisa ao invés de nada?”. Nós podemos passar horas debatendo alguns questionamentos de Descartes, por exemplo, quando ele está lá no processo de demolição de todas as crenças e dogmas que lhes foram impingidos às crianças francesas de sua época, pela escola, pela família, pela imprensa nascente, quando René está num processo meio de demolição para encontrar aquela pedra fundamental para alicerçar o edifício do pensamento, ou seja, quando ele está praticando a dúvida metódica, ele chega a se perguntar: “Porra, será que há um diabo maligno, num lugar onde eu concebo que estaria Deus, e ele está me enganando?” Essa questão cartesiana é muito instigante. E se, ao invés de um Deus cosmocrata no comando, foi um demônio enganador e sádico que está projetando falsidades na minha consciência e na verdade não há nada disso lá? É um cinema diabólico que esse Lúcifer-Trickster está aplicando. Isso já é o prenúncio de Matrix, certo?

Ou questões como aquela de Santo Agostinho, quando ele fala que, bom, eu sei perfeitamente o que é o tempo, desde que não me perguntem. Caso alguém me pergunte o que é o tempo, putz, deu tilt, travei, vou precisar investigar, achava que sabia o que era o tempo, mas agora que você me pergunta e me força a falar sobre, pô, que complicação. E muitos outros exemplos, o próprio Sócrates, a sua atuação na cidade de Atenas, na praça pública da pólis, era ser essa mosca irritante que ia lá e apunhalava os passantes com questionamentos.

Então, a filosofia tem como uma espécie de motor de propulsão o questionamento. E me pareceu interessante, até da perspectiva um pouco da Pedagogia do Oprimido, de que melhor do que você impor uma questão ao outro, sobretudo você chegar com uma questão formulada por um homem branco europeu morto há muitos séculos e que virou cânone, ao invés de pegar essa questão europeia e aplicá-la aqui num movimento de cima para baixo, tentar fazer um movimento de baixo para cima com esses estudantes, com esses discentes, com esses alunos, para que eles, enraizados na sua própria situação existencial e sociopolítica local, anapolina, goiana, brasileira, eles pudessem emanar de si essa questão.

Então, o método que eu usei, aí eu chamei meu auxílio Conceição Evaristo e pedi que eles fizessem uma escrevivência, relatando algo que havia ficado na memória de maneira indelével, alguma lembrança que eles não sentiam que fosse apagável, alguma coisa no corpo deles, nessa psiquê estudantil, que não pode ser apagada a despeito do nosso imediatismo, a despeito de nossas vidas serem vividas para serem instagramáveis, apesar de nosso curtoprazismo. Eles tinham que encontrar alguma vivência que não tinha passado, alguma vivência passada que ainda era presente em seus efeitos. E dessas escrevivências eles extrairiam uma questão principal, de preferência que não tivesse resposta, que serviria como uma espécie de estrela guia no percurso deles pela filosofia, ou seja, um ponto de interrogação que eles lançassem ao seu próprio horizonte para que orientasse essa caminhada de busca, de estudo, de diálogo e de encenação.

Trabalhos da turma de Comércio Exterior 2

E no caso desse projeto, da escrevivência à questão geradora e daí aos muros, aos lambes, aos cartazes grudados nas paredes, onde os passantes podem ser interpelados, podem ser convocados, podem ser cutucados a pensar a partir dessa questão. Essa foi a premissa. É daí que o projeto se desenrolou. Da escrevivência à questão, e aí essa questão nutre um lambe, mas também nutre uma outra vertente que aí conduz ao teatro. Então eu percebo que eu, ainda que sem formação de arte-educação, tendo muito interesse por esse campo, mas sem propriamente ter passado por um processo de ser ensinado a ensinar arte-educação, não passei por isso, então eu improvisei um caminho. E ele perpassou pelo teatro, no sentido da encenação de diálogos, onde essa questão que o sujeito da escrevivência extraiu das suas vivências mais memoráveis, e com frequência mais traumáticas, dessa questão você desenvolve uma interação com o outro. Então você vai com essa questão ao âmbito da alteridade. Você pede ao outro: “Vem cá, me ajuda com a minha questão.” E isso me pareceu que era a experiência crucial para eles vivenciarem sobre o que é a filosofia.

Me parece que a filosofia tem muito a ver com essa sondagem da autorreflexão, do autoconhecimento, que toda essa tradição socrática nos deixou carecas de saber que é o caminho para a virtude, além da moderação das paixões e dos excessos que conduzem ao vício e ao extremismo. Nessa ética socrática, platônica, aristotélica, que virou tão dominante no mundo ocidental via cristianismo, via judaísmo, via monoteísmo, você tem aí toda uma concepção de mundo e de conduta que responde a uma grande questão que é o “como viver?”, ou melhor, “como viver bem?”, ou melhor, “como conviver bem para viver bem?”. Então, essa questão da virtude, da felicidade, da eudaimonia enquanto florescência, tudo isso é essencial para a filosofia, como prática de auto e alter transformação, né? Um processo prático-político onde os sujeitos se transformam através do diálogo e da interação, pois eles partilham perguntas, eles têm questões que eles querem investigar juntos.

E eu notei muito nessas escrevivências o quanto surgia uma galáxia de questões sobre o sentido da vida, sobretudo, mas o sentido do mundo, o sentido da sociedade, o sentido de certas ocorrências sociais, que às vezes eles passam na pele: tem um amigo que se suicidou ou morreu atropelado, tem um avô ou um tio que foi para uma UTI, na Covid ou não. Várias vivências nutrem a questão. É muito, muito interessante, muito importante que os estudantes trazem questionamentos sobre o sentido, muitos deles formulados de várias maneiras, mas que eu traduziria assim: a nossa vida tem um sentido pré-determinado ou é preciso que nós o inventemos?

E essa questão se dissemina também por outras correlatas. Porque se a gente se pergunta sobre o sentido da vida humana, a gente pode também se perguntar a respeito de todas as vidas que foram excluídas desse questionamento sobre o sentido da vida humana. E você pode começar a questionar: mas e o sentido da vida de uma barata que eu acabei de esmagar debaixo do meu sapato? Ou seja, você pode começar a questionar, digamos, a vida com “V” maiúsculo, a vida que é muito maior do que os seres vivos humanos, no panorama da teia da vida. Nós podemos ter essa ilusão antropocêntrica de que nós somos fulcrais, centrais, que estamos realmente ali no local mais importante do cosmos e tendo a atenção do chefão da porra toda, desse Deus Pai, desse cosmocrata onipotente, com os olhos voltados para nós. Essa grande ilusão narcísica, monoteísta, eurocristã, que também importa questionar quando você põe o sentido da vida em geral, e não só da vida humana, em foco.

Bem, eu acredito nisso, numa filosofia questionadora, questionativa, que saiba na escola, num instituto, por exemplo, como esse, o IFG, uma filosofia que saiba colocar boas questões para que os estudantes se sintam engajados em um processo de pesquisar mais sobre essas questões. E eu estou aqui com alguns livros que me parecem também interessantes para mostrar o escopo, a magnitude da pergunta, do ato de perguntar, da ação cognitiva, mental, psíquica, do questionamento crítico das coisas que a filosofia promove.

“Sobre o que nos perguntam os grandes filósofos?” Aqui o Leszek Kolakowski. Perdoem aí o meu polonês, viu? É… não sei pronunciar o nome correto, ele que me perdoe, mas Kolakowski tem um livro muito interessante, que coloca a filosofia na perspectiva de apresentar os grandes pensadores a partir do que eles nos perguntam. Então, inclusive, para nós compreendermos a diferença entre Parmênides e Heráclito, ele faz dois capítulos sobre que tipo de pergunta Parmênides endereçou ao mundo e que gerou uma certa resposta, uma certa cosmovisão, e que outro tipo de perguntas Heráclito, o filósofo do Tudo Flui, colocou e como que se deu que esse Panta Rei, que esse Tudo Flui, fosse a resposta ao enigma que ele formulou.

Aqui também tem o Nicholas Fearn, “Filosofia, novas respostas para antigas questões”. Mais uma vez aqui, questões no centro de um livro de filosofia destinado ao grande público, publicado pela Zahar. E há “100 ideias para ensinar filosofia e ética”, do John Taylor, para professores do ensino médio. Ele tem um trecho aqui muito massa, falando primeiro sobre o método da dúvida, onde ele vai falar que, “no que tange a filosofia, a fé não necessariamente é uma virtude, e a dúvida tem suas vantagens.”

Veja só, eu também compactuo muito com isso. A filosofia não é, não deve ser, não pode ser uma serva subserviente da fé. Ela não é uma criada da teologia e ela não está aqui para enxergar certos campos, certos locais como inacessíveis, como proibidos. Então a filosofia está aqui sim para questionar a fé, para questionar Deus e o diabo, para questionar o bem e o mal, para questionar paraíso e inferno e purgatório, inclusive. Então, a filosofia também é um empreendimento de fazer da dúvida um método, uma prática fecunda. Duvidar é o começo do filosofar. Isso, inclusive, em um cara que se tornou bastante dogmático, como Descartes. Descartes começou por aí. Tudo bem, muitos se tornam dogmáticos no fim da filosofia, mas também começaram, como Descartes, por tentar colocar tudo em dúvida para encontrar um alicerce sólido.

E aqui, vejam só que interessante, como ponto de partida para a filosofia e a ética, o John Taylor coloca um capítulo chamado “Faça uma pergunta engraçada”. Vou tentar isso, me aguarde o IFG, que é, por exemplo, “meu azul é igual ao seu?”. Uma pergunta que tem a sua graça e é uma boa pergunta. Será que você percebe o azul da mesma maneira que eu? Será que a sua consciência sensível opera como a minha? E quando você coloca isso para criaturas outras que humanas, adoraria que a gatinha Tânia Caterina estivesse presente aqui nessa sala nesse momento, mas ela está ausente. Mas imaginem aqui a gata Tânia Caterina olhando para o filósofo, por exemplo, Jacques Derrida. O que ocorre quando você concebe o azul percebido por um gato em contraste com o azul percebido por Jacques Derrida? E o que acontece quando o animal te olha, quando ele te interpela, quando ele emite sons pelo seu aparelho fonético para comunicar algo para você? O que ocorre nessa interação interespécies com a consciência de cada um? E aí, o meu azul é igual ao seu? É possível que o seu azul esteja sendo visto por uma consciência sóbria e por isso é um azul sóbrio, enquanto no caso de Jacques Derrida, ele pode estar, em virtude dos seus estudos, da sua prática da filosofia ou de alguma substância estupefaciente que tenha tomado, ele pode ver o azul em transe, certo? A pergunta é boa. O meu azul é igual ao seu? No que o seu azul difere do meu? O que é, afinal, o azul? “Me diz por que o céu é azul?” – cantará Renato Russo, não é? Grande perguntador.

E, além disso, as perguntas sobre identidade pessoal, ele (Taylor) também valoriza muito. “Você é hoje a mesma pessoa que foi ontem?” Pergunta Heraclitiana. Se tudo flui, as pessoas também fluem.

E já me encaminhando para o meu último exemplo de livro, um grande parceiro na minha trajetória enquanto filósofo foi Gustavo Bernardo, que me foi apresentado pelo Robinson Bucci, vulgo Tibúrcio, ainda no ABC Paulista, quando eu era um adolescente, nas aulas de redação. Fui apresentado pelo Prof. Tibúrcio a Gustavo Bernardo, a seu texto “Espelho”, e também ao “Pequeno Tratado das Grandes Virtudes” de André Comte-Sponville. E acabou que o Gustavo Bernardo, e sobretudo aqui o “Redação Inquieta”, e o André, toda a sua obra, se tornaram gurus realmente para mim, grandes mestres que eu segui e que transformaram minha vida no sentido de que me puxaram para a filosofia e eu nunca deixei de persegui-la. E quando eu tinha a idade dos meus alunos hoje, quando eu tinha esses 14, 15, 16 anos, no ensino médio, eu recebi o texto “Espelho” de uma maneira que eu acho que até hoje ressoa. E até hoje eu trabalho também esse texto “Espelho” com os estudantes, trabalho no slide um dos capítulos da “Redação Inquieta”.

E eu, como alguém que também produz sem cessar as escrevivências e alguém que se percebe como um escritor desassossegado e que não pode evitar derramar sobre a página ou sobre a tela em branco digitada uma inquietude, eu ainda encontro no Gustavo Bernardo, nesse trecho, muitas questões inquietantes que eu continuo investigando, inclusive sobre o tema da identidade pessoal e da mutabilidade no tempo do ser que somos, dessa entidade psicossomática envolta numa teia de interdependências que somos, cada um de nós e todos. E sempre me pareceu muito impressionante a clareza, a simplicidade com que o Gustavo Bernardo diz que as perguntas fundamentais são quatro, dizem por aí: Quem sou eu? De onde vim? Para onde vou? E, afinal de contas, o que estou fazendo aqui?

Quatro questões em um parágrafo de três linhas. E eu já fiz o experimento, literalmente, de ficar horas debatendo com os estudantes essas questões, porque elas são muito fecundas, e elas são muito abertas, muito abrangentes, e também são perguntas que não sei se existe algum indivíduo humano, racional, que não se faça.

Parte da Turma de Edificações 3

E “quem sou eu?” e “de onde vim?” traz uma dimensão do passado, da fonte, da origem, de um processo genealógico, de um enraizamento, de uma ancestralidade, de um processo pretérito que veio dar nisso que eu chamo de eu. Então, “de onde vim”, além do que, tem um sentido que pode ser interpretado tanto espacial quanto temporalmente. Eu vejo esses dois vetores. “De onde vim”, se você se pergunta concretamente, você faz essa pergunta na escola, a pessoa diz: bom, eu estou aqui no IFG Campus Anápolis e eu vim de casa. E eu peguei o busão tal e demorei 40 minutos para fazer o deslocamento do centro até aqui no nosso campus, vizinho ao cemitério e ao IML. Então, literalmente nos últimos minutos, eu vim de casa para a escola. E aí você pode ir recuando no tempo e outras proveniências espaciais. Por exemplo, a pessoa dizer que eu vim do Maranhão ou do Pará, para Anápolis, para Goiás, no ano tal, 2017, por tais e tais razões. Então, vir de algum lugar significa também que você se desloca no espaço.

Mas tem uma dimensão também temporal, digamos assim, lá atrás, nesse tempo da memória, da lembrança, ou mesmo do que não se consegue mais acessar, nem com a memória pessoal, nem com documentos, né? Esse passado distante, tudo isso nutre esse “de onde vim”. E aí você também pode, extrapolando, quando você começa a fazer o estudante perceber que essa linha do tempo em direção ao passado é muito mais comprida e extensa do que somos levados a pensar. Nós somos iludidos a pensar, inclusive pelo número 2025 d.C., 2026 d.C., a nossa contagem temporal a partir de Jesus Cristo, ela tende a nos colocar nesses dois mil e poucos anos em relação a esse marco zero instituído histórico-culturalmente. Mas o tempo antes de Cristo é muito mais imenso, incomensuravelmente mais imenso do que esse tempinho minúsculo que se passou desde J.C.

Quando as pessoas começam a compreender isso, esse tempo histórico, esse tempo da vida no planeta, e esse tempo geológico mesmo, o tempo do planeta, quando nós vamos nos encaminhando aos bilhões de anos, esse “de onde vim” também adquire um aspecto cosmológico.

E do mesmo modo, “para onde vou?”, essa dimensão desse futuro, desse porvir, de maneira mais imediata. Para onde vou? Bom, eu vou da escola para o RU bater um rango, e depois eu vou sair com os meus amigos para ir no cinema, ou seja, eu vou sair do IFG e eu vou para outros lugares e finalmente hoje à noite eu vou para casa descansar. Mas ao mesmo tempo, para onde eu vou no futuro? Eu vou para qual profissão? Eu vou para que tipo de aposentadoria? Eu vou conseguir constituir família? Eu vou ter quantos namorados e namoradas? Eu vou ter quantas relações? Para onde vou depois que eu morrer?

Essa também é uma questão que aflige e que instiga muitos seres humanos, inclusive muitos estudantes, a pensar a morte e o seu depois, a morte não como uma porta para o nada, mas como algo que dá algum tipo de continuidade. E aí a controvérsia sobre essa continuidade é também uma porta de entrada extremamente fascinante para a filosofia.

Porque imaginem o seguinte, você pode ensinar a oposição entre materialismo e idealismo, ou entre ateísmo e criacionismo, a partir dessas grandes questões. O que vem depois da morte? O que é o fenômeno da morte e o que ele produz como efeito na consciência do sujeito e no mundo assim chamado objetivo? Então, partindo daí, você pode vir com a resposta materialista, com a resposta que começa com Demócrito, com Epicuro, com Lucrécio, e vem nutrindo a história e vai parar no Renascimento, com a redescoberta de Lucrécio, mas também com Giordano Bruno, com Diderot, com Helvécios, com toda uma tradição iluminista materialista, que Marx e Engels estudaram muito bem, aliás. E você pode vir com a resposta materialista, que a morte vai propiciar que os átomos que nos compõem, enquanto seres vivos compostos por essas partículas elementares, possam se unir de outras formas, constituindo outros agregados após a dissolução desse agregado transitório chamado corpo.

E de outro lado, toda uma tradição religiosa idealista virá para afirmar que existe um fantasma na máquina, existe um espírito nesse corpo e que ele pode transmigrar, como na doutrina pitagórica e metempsicótica de uma alma, de um fantasma que migra de corpo a corpo, inclusive os animais envolvidos nessa parada toda. Então, a partir dessa grande questão sobre o morrer, sobre a morte, sobre o que vem depois, você pode explicar a diferença entre grandes tradições filosóficas, grandes tradições sapienciais.

Acho que eu já disse o suficiente sobre uma pequena introdução sobre a pergunta, o ponto de interrogação e a importância crucial que isso tem no campo da filosofia, e acho que já é uma boa justificativa para dar tanto peso para o questionamento no cotidiano da minha prática enquanto professor. Mas eu quero terminar de maneira mais pé no chão e mais aproximada da crônica, e falar um pouquinho sobre a experiência mesmo de ir com esses alunos aos muros da escola, com as questões que eles formularam e que depois eles colocaram nesses posters, nesses papéis A4.

Foi um processo que também contou com o auxílio da Elza Gabriela, professora de artes do IFG, que nos auxiliou com a parte prática de lidar com a cola, o nível de mistura com água que é preciso para ter o grude melhor possível, como lidar com a superfície da própria parede. A Elza, com já alguma experiência acumulada no campus com os lambes, pôde nos fortalecer, nos dar uma ajuda nesse sentido. Mas a minha relação prática com a arte urbana do lambe-lambe não havia ainda sido perpassada, de fato, pelo mãos à obra, pelo sujar as mãos de cola para fazer. Então, com essas cinco turmas, os três terceiros anos de comércio exterior, de química e de edificações, e também com dois segundos anos, o de comércio exterior e o de química, nós então produzimos esse, digamos, evento pedagógico-cultural, onde mais de 80 obras questionativas dos estudantes foram coladas nesse grande mosaico, que fica ali perto da rampa, onde se sobe para o segundo andar, para as salas de aula do Instituto no segundo andar.

Então, nesse local de passagem, de circulação, de subida e descida pelo Instituto, ou seja, ali onde nós temos os transeuntes, nós colocamos ali esse mosaico de questões, um pouco sobre a inteligência coletiva ali se manifestando. É uma possibilidade dos estudantes também se relacionarem com as questões uns dos outros e foi muito interessante.

Eu também quero deixar um agradecimento aos meus colegas docentes, servidores técnico-administrativos que acolheram essa ideia, esse experimento pedagógico fora da curva, que passou inclusive por uma reunião do CONCAMPUS. A gente sabe que as paredes do Instituto Federal são patrimônio público e a gente não pode simplesmente, sem aval, sem permissão, fazer um grafite, um pixo, uma parede de lambes, uma poesia de parede ali, sem que as instâncias aprovem. Então, essa reunião do CONCAMPUS foi muito bacana, eu me lembro muito bem dela, porque eu estava na cidade de Goiás, estava lá no Festival de Artes, curtindo essa programação esplêndida que ocorreu por lá em 2025. E aí entrei numa ligação para justificar um pouco a pertinência da presença da Parede dos Porquês ali. E aí fui muito bem acolhido, foi um projeto que o CONCAMPUS aprovou por unanimidade.

E é claro que eu também devo me desculpar pelo mau jeito. O nosso primeiro experimento com a parede dos porquês deixou um pouco a desejar do ponto de vista técnico, né? Nós tivemos muitos lambes enrugados, nós tivemos muitos lambes que logo se rasgaram, nós tivemos um processo que não gerou, do ponto de vista estético, uma coisa tão impressionante quanto é o campus do IFG Cidade de Goiás, com todos aqueles grafites coloridíssimos, belíssimos, de que eu sou muito fã. Mas foi uma tentativa, foi um experimento, estamos engatinhando juntos numa comunidade de aprendizado sobre como fazer a filosofia parte dessa comunidade e principalmente interagir com conteúdos das ciências humanas, mas também cada vez mais das ciências naturais, essa fronteira está caindo. Então, você vai ver muitas questões estudantis, que também são questionamentos em relação ao que se faz no campo das ciências naturais, ou das ciências da computação, ou das ciências emergentes, das inteligências artificiais.

Então, esse foi um experimento de trazer uma polifonia de questões. Para remeter também aqui, no finzinho desse vídeo, a Olgária Matos, grande mestra também, que muito me inspira, assim como Marilena Chaui e Márcia Tiburi e Viviane Mosé. No Brasil tem uma tradição fantástica de mulheres filósofas questionadoras, que muito nos inspiram, né? E eu acho que a Olgária Matos foi brilhante ao propor a polifonia da razão como outro nome da filosofia, né? Essas várias vozes da razão. A gente talvez deva parar de chamar de razão com “R” maiúsculo e pressupondo algo unitário, né? Há várias cosmovisões, há várias tradições sapienciais que emergem de variados exercícios das razões. E se a gente começar a pensar na razão-não-ocidental, no que seria uma razão africana, uma razão asiática, né? O que é para um sábio budista o exercício da razão? O que é para um sábio griô, adepto da ética do Ubuntu, o uso da razão? O equivalente dessa potência intelectiva, cognitiva e sensível que se dá o nome de razão em outros territórios.

Então, em síntese, eu quis, no fim do ano letivo de 2025, vir aqui, abrir a câmera para compartilhar um pouco essa experiência, que foi muito rica, foi muito comovente, e que eu recebi excelentes feedbacks dos estudantes. Acho que eles gostaram de fazer. Me agradeceram pela oportunidade de também se expressar na escola. Eu acho que isso também está no espírito da pedagogia do oprimidoé você dar expressão ao estudante ao invés de vê-lo como uma esponja que deve receber os nossos jatos e simplesmente de maneira passiva engoli-los. E também para que eles não se vejam como um pequeno banco de capital humano e acadêmico, onde a gente vai depositando moedinhas de valor monetário nesse grande mercado das ideias e das profissões. Ou seja, uma outra concepção de escola, de Instituto Federal e de filosofia, inclusive, que vai colocar muito mais autonomia, muito mais agência, muito mais poder questionador e transformador nesse estudante que sente que a sua pergunta importa, que alguém está inclusive dizendo para eles: eu quero que a sua pergunta esteja no muro para todo mundo ver. Então, é um pouco um ato de empoderamento, eu acho.

E aí, nesse processo de documentar essa atividade, através de fotos e vídeos, acabei também fazendo algumas entrevistas com estudantes que relatam suas vivências de participar da Parede dos Porquês, num processo que envolveu também a escrevivência e a encenação dos diálogos filosóficos. Então é um material muito interessante que vai agora irrigar o prosseguimento dessas práticas:

Eu quero fazer uma segunda edição do Parede dos Porquês agora em 2026, um ano letivo que se inicia. E também, para além da Parede dos Porquês no IFG de Anápolis, eu acho que essas pequenas obras, elas podem de algum modo ser compreendidas como uma criatividade juvenil, emergente, conectada com o âmbito da memética. Essa galera hoje em dia é hiperconectada, essa geração dos nativos digitais, eles têm vontade de uma vida que tenha sentido e muitos deles têm essa ambição de ter um impacto, mas eles concebem isso a partir do modelo do meme que viraliza.

E olha que interessante, se uma pergunta filosófica transformada num meme, que ali tem uma ilustração, um desenho, uma montagem, ou mesmo instruções que foram dadas a uma IA, imagine que uma dessas obras pode de fato viralizar na internet, pode ser reblogada aí nos Tumblrs, nos Instagrams, nos Facebooks da vida. Então é interessante pensar também uma certa inclusão da cibercultura, um certo debate sobre essa visibilização que o sujeito contemporâneo quer ter tanto na rede social. E como que a gente reconfigura isso de maneira que a gente não seja só uma função censora, dominadora, que diz assim: “desliga o celular, moleque. Vou trancar essa porra desse dispositivo no armário. Você está proibido de usar essas ferramentas durante a minha aula!”. Fica só numa coisa meio tecnofóbica. Aquele professor: “eu vou pegar o giz aqui, ó, copiem tudo no caderno, decorem, porque tem prova semana que vem!” Essa educação não só analógica, mas opressora, bancária, depositista, ela precisa passar, ela precisa ser superada.

E me parece que hoje em dia a gente precisaria fazer com que os estudantes sentissem que a internet não está aí para ser consumida. A internet pode ser um espaço de expressão onde você contribui colocando um conteúdo novo, inovador lá. E isso também vai passar pelo questionamento. Você pode colocar uma questão nova na internet. Digamos assim, em termos de ambição, você pode pensar que muitos estudantes são influenciados por influenciadores a desejarem serem influenciadores eles também. Entende? Ou esses estudantes que são muito fãs de música pop e que são de idolatrar a Taylor Swift, a Beyoncé, o Linkin Park, Kendrick Lamar, a Anitta, quem quer que seja. Esses adolescentes muitas vezes têm fantasias de ter um impacto a partir da sua expressão, da sua mensagem, do artefato cultural que criam.

Então também foi no sentido de me conectar um pouco com a vontade dessa juventude e pensar com a Paula Sibilia uma escola que não seja só paredes, mas que esteja aberta para as redes. No sentido de que eles também geraram nos seus computadores, nos seus notebooks, nos seus celulares, uma imagem digital que pode ser postada, que pode ser replicada, que está no novo regime da reprodutibilidade técnica de que falava o Walter Benjamin. Então, eles têm uma possibilidade de aprendizado sobre criação de conteúdo memético, viralizável, que tem um conteúdo socialmente benigno, que é a pergunta.

Por tudo que eu disse aí atrás, é claro que algumas pessoas podem ficar com muitos pés atrás diante dessa atitude, que principalmente os conservadores têm muito temor e muita fobia dela, que é de criar uma juventude com questionamentos indomáveis, inclusive das autoridades. Mas nós precisamos disso, precisamos de uma cidadania questionadora e que ouse afrontar com o seu questionamento inclusive as maiores autoridades da fé, do mercado, do empresariado, do Estado, de todos os poderes. Então é isso.

Parede dos Porquês foi um projeto realizado no IFG Campus Anápolis em 2025. E esse foi um pouco do relato dessa experiência e também uma conceituação a respeito da importância da questão. E eu quero terminar, vou pegar o meu caderninho aqui, com a leitura de uma escrevivência minha, que está aqui nesse caderninho, tem um cérebro na capa, e abaixo está escrito: “use!”, do Cadernos Filosóficos, adoro, recomendo. E no dia 24 de setembro de 2024, este filósofo, doutorando na UFG, pesquisando Antropoceno e Cinema, fui a Pernambuco para participar da ANPOF, o grande encontro da Associação Nacional da Pós-Graduação em Filosofia. E na primeira página desse caderno, que eu comecei a redigir nessa ocasião, que é muito instigante para nós filósofos e nós pós-graduandos em filosofia, eu tentei enfrentar a seguinte questão: para que serve a filosofia? Qual é a serventia desse treco? Qual a utilidade desse trem chamado filosofia?

E aí eu quero ler para vocês um pouquinho dessa escrevivência para terminar.

Para que serve a filosofia? A pergunta, dependendo do tom em que é feita e de quem é que a profere, tem uma peçonha ofensiva. O questionador talvez suspeite que não serve para nada. Deleuze responde que a “filosofia serve para prejudicar a tolice”. E “não tem outra serventia a não ser denunciar a baixeza do pensamento sobre todas as formas e criticar todas as mistificações”. Fecha aspas, Gilles Deleuze, filósofo francês. Mas a estupidez e a irreflexão são fortes demais. É a lei dos grandes números e nós filósofos poucos e muitas vezes desorganizados.

Parto hoje de Goiânia em uma longa jornada que deve me conduzir à ANPOF do Recife. Vou ouvindo nos fones de ouvido a Banda de Pau e Corda. “O que é verde amadurece, o que é velho se renova”, eles cantam. Lá na ANPOF, o maior dos encontros filosóficos do Brasil, uma demonstração de nossa capacidade maturante de organização e de intercâmbio de saberes e vivências. Em uma semana de imersão, é possível ter acesso a um panorama abrangente das pesquisas que se fazem hoje na universidade, para além de palestras e mesas com pensadores graúdos e renomados, além de atrações culturais.

Recife e Olinda, que conheci apenas de passagem anos atrás, me seduzem como um magneto a saber mais sobre a cultura popular, frevo, maracatu, mangue-beat, e sobre a história. Sou, sobretudo, fascinado pelo período da empreitada colonial holandesa em Pernambuco. Também o povo Fulniô me interessa faz alguns anos, desde que eu conheci a sua musicalidade acachapante na Chapada dos Veadeiros. Mas, antes de Pernambuco, rumo para São Paulo, em mais um episódio da Long and Winding Road da vida, a longa e tortuosa estrada da vida.

E vou como um discípulo de Dioniso, em busca da sabedoria tragicômica de Nietzsche. Amplamente conectado com o slogan “Deus está morto”, Nietzsche foi um ateu anômalo, descrente no Deus da tradição judaico-cristã e islâmica, crítico do monoteísmo. Faz, no entanto, uma exaltada apologia do deus Dioniso. E não se trata de uma celebração confinada ao âmbito da arte. O dionisismo nietzschiano não é apenas uma postura, um parti-pris em estética, mas uma sabedoria, um modo de viver, que ele recomenda aos espíritos livres vindouros, em que é central a figura do sábio dionisíaco, que prefere ser um sátiro a ser um santo. Não se trata apenas de mobilizar o deus do teatro na genealogia da tragédia ática, o que é feito pela maioria dos doutos eruditos que se debruçam sobre as raízes da arte dramática. No palco da história, sondando os conflitos viscerais no âmbito da cultura, nos últimos três milênios, Nietzsche chega a algo emblemático: a contradição entre o Dioniso e o Crucificado. Que cosmovisões antagônicas, que possíveis sabedorias poderiam ser extraídas desta oposição entre o Dioniso pagão e o Crucificado cristão?

É isso. Ficam muitas questões.


A seguir, alguns vídeos gravados e fotos tiradas durante o projeto, sem edição, possivelmente as matérias-primas para um futuro documentário.

ALGUMAS OBRAS:

Maria Rita Da Silva Levy
Victor Kauã Pina da Silva
Vitória Dias
Stephany Ferreira de Souza

Arcane uma relação com sociedade contemporânea

O que é arcane?

Arcane é uma série animada da Netflix que é baseada no jogo League of Legends, que conta a história dos personagens de suas principais cidades, Piltover e Zaun. Piltover é também conhecida como a cidade do progresso possuindo poder e influência crescente, já Zaun é um distrito que cresceu abaixo dessa cidade e durante muito tempo as duas eram unidas, mas atualmente o que as mantém juntas é a tecnologia mágica.

No decorrer da série, é mostrado como a relação das personagens se desenrola, sua influência sobre as cidades e também mostra a visão do povo que vive esquecido (Zaun) e os inventores revolucionários (Piltover). As tensões são mostradas e também como as personagens lidam com isso é bastante trabalhado.

Piltover, também conhecida como cidade do progresso.
Zaun, também conhecida como subferia.

Tecnologia mágica e sua influência

O uso da tecnologia mostrada na série, tem como objetivo evoluir a sociedade, tendo uma escola de invenções onde se estudam a melhor forma de melhorar a tecnologia. Na série é apresentada por um personagem, uma maneira de usar a magia a favor da tecnologia e depois de muito conflito, Piltover usa essa para iniciar uma nova era no comércio das regiões.

A torres usadas para o comércio, também conhecidas como Hexgates.

O problema principal é mostrado que tal forma de tecnologia poderia iniciar um grande conflito e um dos principais conselheiros da série era relutante quando a mesma por ter uma ideia de que aquilo poderia causar muitos problemas no futuro. Aliás, a mesma magia que foi usada para criar a revolucionária tecnologia apresentada por Piltover, a personagem principal cujo nome é Jinx a usa como uma arma criando munição e bombas para lutar e se proteger.

A cena retrata o uso da mesma tecnologia da Hexgate em armas (Vi usando manoplas e Jayce, criador da Hexgate, usando um martelo).

Uma relação que podemos fazer com a tecnologia mágica sendo usada para avanço e destruição é a comparando ao pensamento de Cathy O’Neil, autora do best seller “Algoritmos de Destruição em Massa”, onde ela mostra como o avanço das redes neurais e machine learning com uso de dados do público, pode acabar nos prejudicando pois, assim como a magia de Arcane que por um deslize pode ser usada para melhorar armamentos, nossas máquinas podem por um pequeno erro acabar gerar ambiguidade entre nossa evolução e nossa destruição.

Diferentes mãos

As ideias revolucionárias de Piltover faz ela ser conhecida como a Cidade do Progresso pelas outras regiões, título esse que coloca a mesma sempre em destaque. Porém, todo esse destaque esconde um desprezo quanto a Zaun que depende de Piltover. Uma das formas que mais é retratada é como cada uma se desenvolveu enquanto era mostrado as dificuldades enfrentadas.

Em um dos episódios mostra um dos ex-conselheiros sendo guiado pelo personagem cujo nome é Ekko, e vão visitar uma base dentro da cidade de Zaun, e assim percebeu que a tecnologia lá também avançou, mesmo que de forma mais escassa. Encantado com o que vê, pergunta a Ekko como aquilo era possível fazer tanta coisa tão rápido e com tão poucos recursos, Ekko responde então “ficaria surpreso com o que dá para fazer quando a sua vida depende disso”, o que mostra que por mais que haja poucos recursos, as pessoas ainda sim buscaram avançar da maneira delas.

Cena citada acima onde, da esquerda para a direita temos, Ekko centado e Heimerdinger (ex-conselheiro) no centro de capuz.

A concentração de poder, influência e destaque de Piltover é similar ao que podemos ver no Vale do Silício, pois muitos dos produtos digitais que consumimos hoje em dia deixam pouco espaço para criadores de outras partes do mundo crescerem com suas ideias. Outro ponto é a relação da tecnologia com as cidades de Piltover e Zaun e que tais mostram que as pessoas buscarão aprimorar suas necessidades, mesmo que haja poucos recursos que possam o ajudar, uma grande ideia ou uma necessidade coletiva ajudarão a sociedade crescer.

Conclusão

A tecnologia mágica é um dos principais fatores da trama da série, seu valor e uso é mostrado com o passar dos episódios como sendo inovador e ao mesmo tempo bélico. Com isso nós podemos concluir que Arcane é uma série com bastante peso interpretativo e de um bom uso para a nossa realidade, além de apresentar uma boa história.

Capa da série Arcane, série da Netflix.

Outro fator fundamental ao compararmos a série com nossa sociedade é a luta de classes, onde determinados grupos detêm o controle e influência nas decisões onde acaba prejudicando as massas, onde são atreladas a determinadas situações de precariedade de realidade. Uma situação que podemos identificar e analisar ao compararmos com nosso cotidiano e a realidade do Catar, país que sediou a copa do mundo de 2022. Onde foi palco para diversas polêmicas, onde  milhares de mortes por acidentes de trabalho, há informações de que 500 casos (7%) foram suicídios e muitos deles podem estar ligados às condições de trabalho degradantes desses trabalhadores. Essas mortes teriam ocorrido entre 2010, ano em que a Fifa anunciou o Qatar como sede da Copa.  Essas classes trabalhadoras se colocavam na capital porém em uma outra realidade da cidade que é sempre excluída e apagada da sociedade, assim vivendo a sombras de grandes e poderosos.

Realidade?

Por:Davi Galdino e Ana Carolina

Até que ponto podemos distinguir a realidade da tecnologia? Ela é tão poderosa a ponto de nos deixar confusos?

PLAYTEST – Black Mirror

Black Mirror

Cooper, um viajante americano que se inscreve para testar um novo sistema de “jogo” revolucionário para conseguir dinheiro após ter problemas em sua conta do banco, no qual esse novo “jogo” leva a imersão do jogador para outro nível, um chip é implantado que faz conexões diretas com o cérebro. O computador utiliza as lembranças e medos de Cooper e cria situações de medo e terror adaptadas para sua mente, onde a cada interação, o chip adentra mais fundo no cérebro do personagem, transformando a experiência do protagonista em um verdadeiro “pesadelo”.

“Ah, isso está muito longe da nossa realidade” Será mesmo?

É a foto de uma pessoa, correto?

Não! Esse é um rosto gerado por uma IA essa pessoa não existe, o site https://thispersondoesnotexist.com mostra a cada clique um rosto completamente digital. Às vezes são acometidos de falhas, mas não dá pra negar uma grande taxa de acerto.

Realidade Aumentada vs Realidade virtual

A realidade virtual cria do zero uma situação, um ambiente completamente digital sendo possível viajar para outras dimensões, por outro lado a realidade aumentada adequa a realidade física com componentes visuais que vão ser anexados ao ambiente.

Por exemplo, quando você usa o google para ver um animal ou até mesmo um jogo para capturar um pokémon, você está utilizando a tecnologia de realidade aumentada.

Mas quando você está usando um óculos de realidade virtual já se trata de realidade aumentada, e isso não se restringe apenas ao mundo dos jogos mas também se estende sobre aulas e formas de lidar com o luto

Mas não parece tão real assim pra gente se assustar, né?

Por fim, podemos concluir que a atual tecnologia dificilmente nos confundiria, pois se torna bastante diferenciável , mas em um futuro, com o evoluir da sociedade e seus recursos, pode-se tornar perigoso, como vemos em PLAYTEST, onde a realidade moldada levou o personagem à loucura, devido a impossibilidade e incapacidade de definir real ou virtual.

Tecnologia e cérebro humano

Com base no episódio relatado de Black Mirror, percebe-se que a junção da Tecnologia e o cérebro humano é extremamente poderoso, pois podemos desbloquear e acessar áreas inexploradas de nosso cérebro, tornando algo muito positivo, potencializando nossos sistemas neurais, mas também pode ser uma arma perigosa em mãos erradas, continuando na linha do episódio, vemos que a tecnologia acessou e se enraizou em locais tão profundos do cérebro, revelando diversas memórias “escondidas” e mostrando seus maiores segredos e usando deles contra a própria pessoa. Com base no que foi dito, se torna necessário impor limites dessa interação cérebro com a tecnologia, para que não crie mais problemas na sociedade.

Fuga da realidade

Outro elemento presente quando falamos de virtualização de alguns processos é a fuga da realidade para o mundo virtual, sabemos que a nossa realidade tende a ser decepcionante e frustrante em diversos aspectos e momentos, por esse e vários motivos, as pessoas buscam a realidade virtual, que é um ambiente totalmente gerado por algoritmos e com isso podemos “definir” oque acontecerá com esse ambiente e como ele será de acordo com nossas preferências, e isso se torna um atrativo enorme para qualquer indivíduo, quem não gosta de ter tudo no seu controle? Pois bem, a tecnologia oferece tudo isso e oferecerá isso com mais força conforme a sua evolução, afetando toda uma sociedade e desenvolvendo diversas complicações mentais e sociais, então concluímos que deve-se existir programas auxiliares e educacionais, com o intuito de guiar toda a sociedade e inseri-la de forma saudável nesse novo mundo.

Capitalismo

Sabe-se que a tecnologia é um dos maiores feitos do ser humano, com ela obtivemos grandes conquistas e avanços em todas as áreas como saúde, comércio e social, mas diante de tantos benefícios, temos que ter cuidado com o que a tecnologia pode fazer em mãos erradas, como vimos nos tópicos anteriores, há sempre um lado ruim de todo o assunto, e claro o capitalismo está atrás disso, como vemos no episódio em questão, como se trata de uma pesquisa, a empresa não nega esforços para obter resultados em seu próprio benefício, até mesmo tratar vidas humanas como algo facilmente descartável e substituível e isso claramente retrata o mundo atual, no qual lucros importam mais que vidas humanas, pegamos de exemplo a criação do metaverso, um ambiente virtualizado, no qual tinha o objetivo de “socialização” de diversas pessoas ao redor do mundo, mas hoje, com o seu total fracasso, sabemos que esse é apenas um motivo “falso” para que a empresa obtivesse grandes margens de lucro, vendendo terrenos na faixa de milhões. Com isso percebemos que não importe qual área seja, o capitalismo falha e falhará em cada vertente em que colocar os seus tentáculos.

Conclusão

Por fim, conclui-se que a tecnologia é acompanhada fortemente da dualidade, onde podemos ter coisas extremamente benéficas e evolutivas no quesito de sociedade, como reviver momentos específicos, aproximar pessoas, contribuir para a educação e a saúde, mas também temos o outro lado da moeda, na qual a tecnologia em mão maléficas, pode se tornar uma arma, influenciando em opiniões, criando pessoas despreparadas para uma realidade e até mesmo como forma de produto para grandes empresas obterem lucro, por isso deve-se ter cuidado quando se trata de uma tecnologia que está em extrema ascensão.

Cyberpunk 2077: O presente, possível futuro e como nossos dados são manipulados

Cyberpunk 2077 é um jogo com uma história de ação e aventura de mundo aberto ambientada em Night City, uma megalópole obcecada por poder, glamour e biomodificações. Você joga como V, um mercenário fora da lei atrás de um implante único que carrega a chave da imortalidade. Você pode personalizar aparatos cibernéticos, conjunto de habilidades e estilo de jogo do personagem e explorar uma vasta cidade onde as decisões tomadas definem a história e o mundo ao seu redor.

CD Projekt RED

Cyberpunk 2077 é um jogo lançado em 10 de dezembro de 2020, nele possui muitas críticas políticas e sociais que podem vir a ser pertinentes em nossa sociedade: como nosso dados são tratados pelas corporações, o estado não possui poder diante as grandes corporações e a falta de segurança, direitos e oportunidades aos pobres.

Ao adentrarmos em Cyberpunk 2077 temos que escolher entre três vertentes para o seu personagem: Marginal(um fora da lei da periferia da cidade), Nômade(que suas origens seriam voltadas mais do interior, afastado da cidade grande) e Corporativo(que estaria trabalhando dentro de uma grande corporação). Cada uma delas atribui um passado diferente ao seu personagem e vai influenciar durante toda a história de sua jogatina em suas escolhas e opções. E aqui já vemos uma crítica, pois se escolhe o caminho marginal já é apresentado ao jogador logo de cara uma vida mais sofrida, um ambiente sujo e abandonado no qual há pessoas pedindo esmola(imagem abaixo) e o personagem tendo que aceitar trabalhos fora da lei para conseguir dinheiro e mudar de vida.

Homem pedindo esmola por não ter condições

A manipulação de dados

Nos é apresentado em Cyberpunk 2077 um mundo altamente tecnológico em todos os sentidos desde à cidade com construções gigantescas, drones, carros voadores, muitas luzes e pouca vegetação; assim como as pessoas também possuem várias modificações em seus corpos, como: partes do corpo mecânicos, olhos biônicos, órgãos sintéticos, processadores conectados ao cérebro e etc, ou seja, a ideia de Transumanismo é presente nessa sociedade.

O que é Transumanismo: é um movimento filosófico intelectual que visa transformar a condição humana com o uso de tecnologias alcançando as máximas potencialidades em termos de evolução humana, deixando em segundo plano a evolução biológica, alcançando o patamar de pós-humano. Ou seja impelindo assim a erradicação do sofrimento causado por doenças e obtenção da imunidade aos efeitos do tempo (como envelhecimento e a morte) e a capacidade de se transformar em diferentes seres com habilidades altamente expandidas a partir da condição natural.

Exemplo de transumanismo.

Essas modificações no corpo e toda tecnologia presente na obra me fez pensar enquanto jogava: “quem fabrica todos essas modificações?”; e não muito tarde descobrimos que a maior produtora e financiadora destes produtos é a organização bilionária que governa a cidade. Isso nos faz crer que ela utilizou destes produtos conectados intrinsecamente a cada pessoa para poder vigiar, manipular e vender os dados de cada um para aumentar seu dinheiro e influência.
E esta é uma outra críticas apresentada, pois não é muito diferente na nossa realidade, a todo momento as grandes corporações como a Meta, Apple, Amazon, Google e Microsoft nos vigiam na internet, smartphone, nos computadores, TVs smarts e até geladeiras. Elas fazem isso para conseguir nossos dados, que são muito importantes, e utilizarem como querem para aumentar seus lucros e satisfazerem seus interesses.


Um dos maiores exemplos que aconteceu nos últimos anos sobre vazamento de dados tenha sido da Meta (antiga Facebook). Em 2018, um desses vazamentos atingiu 30 milhões de usuários, enquanto um do início de 2019 fez com que dados de 419 milhões de pessoas fossem expostos. O de 2018 esteve diretamente ligado ao escândalo do uso de dados indevidos da Cambridge Analytica para fazer propaganda política nas campanhas do então candidato à presidência dos EUA, Donald Trump, e pelo Brexit. O escândalo fez o Facebook perder US$ 35 bilhões em valor de mercado na bolsa em um dia.
Isso nos mostra o quão nossos dados são importantes e eles podem, como conseguiram, mudar uma eleição através deles. Também nota-se que os dados não estão protegidos da maneira correta e estamos a mercê das grandes corporações e elas controlam o mundo que vivemos.

O “Estado” é a corporação

Ao desenrolar da história é mostrado que existe uma Gigante corporação que controla a cidade de Night City, o nome da corporação é Arasaka. Esta big tech possuir mais poder que o próprio estado na região, prova disso é como a sociedade local quase nunca fala sobre o prefeito e os orgãos estatais e apenas citam a Arasaka para reclamar ou elogiar a cidade pois foi ela quem a moldou daquela maneira. Este fato revela algo do mundo contemporâneo que está acontecendo, as grandes empresas estão cada vez mais governando os países e ficando acima do estado.

É alertado esse problema no Artigo escrito por Michael Kwet-A ameaça nada sutil do Colonialismo Digital. Michael nos revela dados, fatos e opiniões muito relevantes sobre o tema.

É importante ressaltar que essa dominação não é de forma democrática, simplesmente as empresas do Vale do Silício com seu viés politico liberal estão adentrando os países, principalmente os emergente e subdesenvolvidos, e de forma sutil assumindo o controle das nações e quando os países percebem já é tarde. Por exemplo, nas décadas de 1970 e 80, o Congresso dos Estados Unidos começou a fortalecer os direitos autorais de software. Houve uma contra-tendência a isso na forma de licenças de “Software Livre e de Código Aberto” (FOSS, na sigla em inglês), que concediam aos usuários o direito de usar, estudar, modificar e compartilhar software. Isso trouxe benefícios claros para os países do Sul Global, pois criou um “espaço digital comum”, livre de controle corporativo e da busca por lucros. No entanto, à medida que o movimento do Software Livre se espalhava para o Sul, foi provocando uma reação corporativa. A Microsoft humilhou o Peru quando seu governo tentou abandonar o software. Também tentou impedir que governos africanos usassem o sistema operacional GNU/Linux FOSS em ministérios e escolas do governo.

Para combater esse avanço e monopólio das Big Techs na Europa foram instauradas novas regras para regulamentar essas empresas visando maior concorrência, menos monopólio e mostrar que eles não tem mais poder que os países da região.

Conclusão

A era do mundo conectado requer muita atenção e cuidado, pensamos que temos privacidade, mas não possuímos, sempre estamos sendo vigiados pelas Bigh Techs e nossos dados sendo usados cada dia mais para aumentar sua riqueza. Assim como deve-se alertar quanto a dominação e pode das grandes empresas, elas querem governar tudo sem nenhuma democracia e instaurar seus governos que só olham para o dinheiro e economia, enquanto isso vão deixar pessoas com fome, sem casa, sem saneamento básico… enfim sem as mínimas condições de segurança e de vida.

Obrigado por ler!

Autor: Eduardo Henrique

Blade Runner 2049 e o significado de ser humano.

Sobre a obra :

Blade Runner 2049 é um filme dirigido por  Denis Villeneuve e escrito por Hampton Fancher e Michael Green,baseado no livro Androides sonham com ovelhas elétricas?, do americano Philip K. Dick (1928-1982). Lançado em 1966. Tendo em seu elenco atores como Ryan Gosling e Harrison Ford,o filme retrata de forma sutil uma sociedade e um planeta distópicos, onde seres humanos “de carne e osso” são uma minoria e a sociedade é composta majoritariamente por máquinas,sendo o enredo do filme a busca de um replicante (máquina com uma inteligência artificial avançada) pela descoberta de sí mesmo e o que/quem ele é.

Algumas Reflexões…

Recursos naturais se tornaram raros devido a devastação do meio ambiente com o passar dos anos. Madeira de “árvores de verdade” tem um valor muito alto. Muitos lugares do planeta,através do trabalho fotográfico detalhado do filme se tornaram completamente vazios e desolados,muitos até mesmo tendo altos níveis de radiação. Implica-se que o planeta não conseguiu sobreviver aos próprios seres humanos,não só por causa do “Apagão”,mas também pela degradação no decorrer dos anos. O estado lamentável dos cenários é retratado de uma forma que mescla entre o perturbador,o vazio e o belo,levando o espectador a se sentir lado a lado com o protagonista enquanto ele vaga por estes ambientes.

Um vídeo curto com edição contendo algumas cenas que destacam os cenários : https://www.youtube.com/watch?v=Yy9YXhcm0PA

A idéia de que a tecnologia evoluiu ao ponto de se tornar uma tarefa difícil distinguir o que é um humano real e uma máquina é um dos principais tópicos abordados no filme. Pois afinal,o que seria ser um humano e o que significa existir ? O protagonista,oficial K possui memórias nas quais ele não sabe se de fato viveu ou se são memórias implantadas,também artificiais,e após a descoberta da existência de um suposto humano vagando por ai e a suspeita vinda dele mesmo de que ele seria esse humano,começa uma busca frenética e desesperada em descobrir sua real origem. Memórias moldam quem cada um é,o que significa que através das memórias artificiais seria possível criar qualquer replicante que tenha vivido qualquer tipo de experiência, assim como as pessoas possuem sua própria história individual,também é possível criar essa individualidade com as máquinas no universo da obra. Com um comportamento,hábitos, pensamentos e sentimentos completamente mimetizados de humanos e até mesmo memórias moldadas de acordo coma vontade do criador.Porém,a diferença entre um replicante e um humano é a de que um replicante ou qualquer inteligência artificial nasce com um propósito pré definido,seja o de fazer um trabalho,ou apenas fazer uma tarefa específica que ela terá de seguir e muito provavelmente vai,porque é apenas pra isso que ela existe,diferentemente de seres humanos que nascem e definem um propósito pra própria existência e tem uma liberdade inerente (que também pode ser tirada por outro ser humano em certas ocasiões) e capacidade de sentir e pensar por si próprio de forma natural,não de uma forma programada de acordo com os desejos de outro.

K é basicamente um escravo,que foi feito com o único propósito de seguir ordens de forma calada e obediente,que não é ninguém especial e não tem nenhum propósito de vida ou algum tipo de conexão, sendo a mais próxima e maior seu relacionamento com a inteligência artificial JOI,que é um holograma da imagem de uma mulher (interpretada por Ana de Armas) que diz “tudo o que você quiser ouvir” e JOI independente da situação irá validar K,ou quem for o dono da unidade dela pois este é o seu propósito e é pra isso que ela serve. Simular uma namorada/esposa perfeita. E ela não tem outro significado pra existir não sendo esse,o que é deixado claro no filme quando K a desliga nos momentos que não quer seus serviços.Como um legítimo produto sem vontade própria.

A idéia de saber que era alguém especial e não apenas uma máquina programada pra seguir ordens o deixa excitado ao ponto de ele iniciar uma busca desejando por dentro ser a tal “criança especial” que seria o filho de Rachel,uma replicante que foi capaz de engravidar,pois seria realmente muito satisfatório até mesmo pra uma IA se sentir especial e não ser apenas um objeto descartável.
Mesmo nos tempos atuais,por mais que a sociedade não seja composta por replicantes ou qualquer tipo de robô ou IA super avançada,e sim seres humanos, ainda é muito fácil se identificar com a posição, sentimentos e situação do protagonista. Muitos vivem uma vida completamente robotizada,escravos de uma própria rotina criadas por si mesmos e pelo próprio sistema que exige que todos façam algo para que sobrevivam e não passem fome. Mas diferente de uma máquina,as pessoas sentem,e podem não aguentar esse tipo de vida. Ser só mais um trabalhador descartável que pode ser substituído facilmente quando morrer é algo que por dentro incomoda,e por isso é inerente o desejo de sentir que a vida tem um propósito e que existe uma razão para estar vivo.Uma razão que vai além de apenas trabalhar e repetir a mesma rotina todo dia até morrer.

Considerações Finais

A obra é linda tanto visualmente quanto no roteiro e compensa assistir cada minuto,tanto pela história que é intrigante,como também pelos personagens carismáticos,efeitos e ambientação. De uma forma fantasiosa, futurística e distópica,que ao mesmo tempo em que é muito distante da realidade consegue ser tão próxima,aborda temas que são importantes e podem até mesmo serem psicologicamente perturbadores. Como a ideia niilista de a vida não ter um propósito, a necessidade de ser especial e o desespero em imaginar a possibilidade de suas memórias serem falsas e não saber quem você de fato é, além de também fazer um paralelo entre os trabalhadores atuais que sofrem de uma alienação com a própria rotina e as máquinas presentes no filme.

Porém, vale lembrar que mesmo no fim,independente do que K fosse,replicante ou humano,o fato de ele ter decidido buscar sobre si mesmo e a diferença que ele fez na vida de outros personagens o tornou diferente e mesmo ele não sendo a criança procurada,ele ainda conseguiu através de suas atitudes e impactos ser alguém único e ser especial dentro de uma grande história na qual ele teve uma grande participação. Pois no fim,não é sobre ser ou não especial,e sim sobre como nossas atitudes impactam na vida daqueles ao nosso redor e consequentemente o mundo,pois são cada uma dessas pessoas que decidem fazer uma pequena diferença que acabam de fato tornando o mundo um lugar mais suportável e melhor. Na cena mais famosa do filme,onde K após perder tudo encontra um anúncio de JOI,e depois de uma fala icônica dela,ele percebe que mesmo não sendo “0 escolhido”,ele é capaz de fazer algo sobre a história na qual decidiu se envolver e mudar o futuro. Não é sobre ser especial,e nem sobre ser “o escolhido”,é sobre fazer aquilo em seu alcance e que há como mudar.

Feito por : Pedro S. Rodrigues Candido

Tron: O legado da busca pela perfeição

Em um mundo virtual, a busca constante pela perfeição do criador e seu clone acaba por ter um resultado inesperado que traz a reflexão sobre como lidamos com a perfeição no dia-a-dia, em nossos próprios mundos virtuais, as redes sociais.

Sam, filho do famoso programador de jogos de computador Kevin Flynn, sofre desde a sua infância pelo desaparecimento repentino de seu pai. Um sinal estranho leva Sam ao fliperama de Flynn, onde é puxado para dentro de um mundo cibernético, o mesmo em que seu pai criou e está preso há 20 anos.

Nesse mundo, o “Grid”, tudo era perfeito, ordenado e controlado. Onde Flynn, o seu criador, e CLU, um clone do alter-ego mais jovem do criador, eram os responsáveis por manter a ordem e o desenvolvimento desse novo mundo. Tudo ocorria bem até que o surgimento das ISOs (seres feitos de algoritmos extremamente avançado que surgiram do nada no Grid, sem terem sido programados) pôs em cheque o conceito de perfeição de Flynn. O Criador, que até então era fissurado em reformar tudo e desejava deixar tudo perfeito para os habitantes do Grid, passava a adotar uma visão mais pacifista, conformadora e reflexiva, algo que CLU (o retrato da versão jovem de Flynn) rejeitava a aceitar.

CLU e Flynn

Nessa sequência do clássico filme, TRON, é abordado diversos temas, desde a relação entre criador e criação até a capacidade humana de mudar as opiniões em relação a suas próprias crenças. Nessa postagem, trataremos sobre como a busca da perfeição retratada no filme pode ser trazida como reflexão para os dias atuais.

A Revolta de CLU

CLU, por ser um programa que representa o Flynn mais jovem, não possui a capacidade de se readaptar as mudanças que as ISOs trouxeram. Tal fato resulta na crescente repulsa do Alter ego do criador por tais seres. Para ele, as ISOs eram desorganizadas, imprevisíveis, incontroláveis, tudo aquilo que jamais se encaixaria na visão perfeccionista que era mantida pela sua própria programação.

A “imperfeição” das ISOs, somada a soberba e inveja desses seres dos quais o Criador dava grande atenção levou CLU a tomar para si o poder sobre o mundo. Dando início a um expurgo das ISOs e o estabelecimento de uma forma de poder semelhante a uma ditadura, onde os rebeldes são eliminados, ou são levados para uma arena de combate onde irão batalhar pelas suas vidas.

Para CLU, tudo tinha que ser certo, ordenado, previsível, controlado. Aquilo que não se encaixasse nesses parâmetros deveria ser reprogramado ou desintegrado. Tal perfeccionismo, por mais que seja exacerbado para fins poéticos, pode ser trazido para o contexto atual com a seguinte reflexão:

O Perfeccionismo de CLU pode estar presente no dia-a-dia?

Com a forte presença das redes sociais em nossas rotinas, é imprescindível afirmar que o crescimento do seu uso catalisado por um mundo pós pandemia (14,7% no Brasil em 2022, segundo a RD Station) pode trazer impactos nos valores que compõem o conceito de perfeição para os seus usuários, principalmente no quesito de beleza.

As mídias sociais podem reforçar o narcisismo e padrões de beleza, podendo impactar fortemente na imagem corporal de seus usuários. Além disso, ao se deparar com um ambiente onde o show do eu predomina, com diversos perfis mostrando o melhor lado do dia das pessoas juntamente com a ostentação exacerbada de conexões e bens materiais, a auto comparação pode levar o indivíduo a idealizar a perfeição que é observada da vida de terceiros.

Entretanto, há de se questionar essa perfeição retratada nas mídias sociais. A espetacularização da vida pessoal pode demonstrar apenas um lado teatral da vida, onde momentos ruins, seja nos relacionamentos, trabalho ou finanças do “protagonista”, são desconsiderados e até mesmo negligenciado pelo dono do perfil. Esse fenômeno se associa com o conceito de modernidade líquida de Zygmunt Bauman, onde a quantidade de likes, conexões e bens materiais são tidos como parâmetros da “perfeição”.

O Perigo da Perfeição

Na busca pelo sistema perfeito, CLU torna-se responsável por cometer o genocídio dos ISOs, seja através dos jogos na arena ou execução. CLU, ao “purificar” e trazer o estado perfeito ao GRID novamente, mirava um novo objetivo, o mundo exterior.

Diante uma crença de perfeição deturpada, a esse ponto CLU não só eliminou uma raça de seres como também traiu o seu próprio criador, caçando-o e eliminando quaisquer resistências que se mostrasse no caminho. CLU havia se tornado controlador, agressivo e arrogante, se tornara a sombra de Flynn.

O Longa Metragem mostra, de forma exagerada, os efeitos nocivos que essa busca pela perfeição idealizada pode provocar nas próprias pessoas e em terceiros. Trazendo pro contexto real, o Indicador de Confiança Digital(ICD) da Fundação Getúlio Vargas(FGV) mostra o impacto das redes sociais nos jovens brasileiros, apontando que 41% dos entrevistados obtiveram sintomas como tristeza, depressão ou ansiedade.

A imposição dos modelos líquidos de valores através das mídias sociais influenciam negativamente, em sua maioria, no bem-estar do indivíduo, seja por se menosprezar por não ter ou poder alcançar o que é tido como “vida perfeita” seja pela aversão ao estilo de vida proposto nas redes sociais.

Conclusão

Diante do pandemônio estabelecido no Grid por causa de CLU, Flynn durante o arco final do filme explica ao antagonista sobre o seu ponto de vista:

“O problema com a perfeição é que ela é irreconhecível.

Ela é impossível, mas ao mesmo tempo está à nossa frente o tempo todo.”

Flynn

Levando em consideração a afirmação de Flynn, será viável adotar uma postura estoica e crítica ao se construir uma visão acerca da perfeição? Ou mais vale evitarmos construírmos um senso de perfeição, justamente pela impossibilidade de se alcançá-la?

A perfeição é um conceito abstrato, utópico, criado pelo homem. Nem a própria natureza, por mais bela, funcional e suficiente que seja, é perfeita. Se repararmos na proporção áurea, tida como parâmetro da perfeição na beleza, percebemos que o número de Ouro não é um número exato, é um número quebrado…

Será que já não somos perfeitos? Se não, o que nos falta, o que falta em nossas vidas, trabalho, relacionamentos ou finanças? Até que ponto devemos buscá-la? É nosso propósito sermos perfeitos?

O Longa Metragem traz um senso conformador, onde a vida (representada poeticamente pelos ISOs) não é necessariamente perfeita apenas pela sua ordem, controle e previsibilidade mas também pelo caos, liberdade e imprevisibilidade.

Nessa busca por uma vida perfeita, talvez só precisemos perceber que ela já se encontra presente.

Rede de Ódio

Introdução


Depois de ser expulso da faculdade de direito por plágio, o jovem Thomas encontrou trabalho em uma agência que administrava mídias sociais. Ele se tornou responsável por criar perfis falsos e incitar a difamação de celebridades e políticos poloneses. Gradualmente, Tomasz descobre seu talento na arte da manipulação digital enquanto descobre o efeito prejudicial que as fake news podem ter na vida de suas vítimas.


Críticas


O tema deste trabalho não poderia ser mais moderno: o impacto das fake news e das campanhas de difamação na vida privada das vítimas e na política nacional. Embora a trama se passe na Polônia, este país europeu enfrenta uma situação semelhante à do Brasil, com um governo de extrema direita, conservadorismo cristão, xenofobia, homofobia, etc.Tomasz (Maciej Musialowski) é contratado para criar perfis falsos nas redes sociais e incentivar movimentos de repúdio a celebridades e políticos nacionais. É importante lembrar que esse jovem não possui nenhum talento hacker ou habilidade sobre-humana para manipular dados: qualquer consumidor médio de Facebook, WhatsApp, etc. tem acesso ao conhecimento utilizado na missão. A única qualificação do protagonista para o papel é sua moral flexível: ele é definido como um plagiador (motivo pelo qual foi expulso da faculdade), um homem que não tem nada a perder porque não tem família nem amigos.
Por isso, o roteiro investiu muito na construção psicológica do protagonista, o que é raro em filmes políticos que refletem grandes movimentos sociais. Entendemos como a distância dos pais, os laços sociais frágeis e a masculinidade frágil influenciam as decisões de concorrer em campanhas secretas. Ele queria se afirmar, assumir o controle de sua vida e ser admirado.O protagonista se infiltra em casas inimigas, prédios vizinhos e quartéis-generais de um movimento político com surpreendente facilidade. O projeto corre o risco de se tornar uma lógica argumentativa, especulativa, em nome de uma articulação mais clara de seu tema. Na lógica da ficção e do suspense, algumas concessões são aceitáveis. O filme tem um falso final feliz onde tudo dá certo: a ilusão de amor, família, vitória e reconhecimento através das redes sociais é engendrada.No entanto,demonstra ciência da fragilidade destas conquistas, enquanto a imagem distante, captada de um prédio alheio, sugere que Tomasz se tornaria o próximo alvo de ataques digitais.


Conclusão


O teor mordaz desta sequência conclui muito bem a história perturbadora sobre estes tempos de histórias absurdas surtindo efeitos profundamente reais,e surge a famosa frase “Beber do próprio veneno” já que ele será o próximo alvo.

Cada um colhe o que planta?

The Red Strings club: O dilema entre liberdade e felicidade.

A cidade se levanta entre prédios de neon pixelizados do lado de fora do The Red Strings Club. Do lado de dentro do bar, um hacker, uma ciborgue e um barman com habilidades mediúnicas buscam uma forma de derrubar uma corporação que planeja dominar a humanidade. É este cenário futurista construído por uma sociedade corrompida que ambienta o game indie do estúdio Deconstructeam, distribuído pela Devolver Digital.

Uma tecnologia capaz de eliminar seus maiores medos e limitações é uma solução tentadora, afinal. Um mundo livre de raiva e intolerância pode ser um mundo livre de violência. Um mundo livre de medo pode ser um mundo promissor e contemplado por total felicidade. Mas qual a coerência de felicidade em um mundo artificial? O quanto os sentimentos ditos ruins são necessários para a evolução e crescimento dos indivíduos? Quão saudável seria uma sociedade sem filtros de realidade, sem enfrentamentos e discussões que podem encaminhar ao progresso? Diante de tanto poderio tecnológico, perde-se muito da consciência de humanidade e jogo deixa isso claro ao insinuar uma espécie de segregação entre aqueles que usam os experimentos e os que se negam e, na linha Black Mirror de pensamento — aproveitando a deixa –, a tecnologia surge com um retrocesso, oferecendo soluções para problemas até então inexistentes.

 

A liberdade está em risco

As temáticas da humanidade nas máquinas, muitas vezes capazes de sentir mais empatia pelo próximo do que o próprio ser humano; do livre arbítrio e das escolhas que tornam cada ser único e, ainda assim, acorrentado a uma série de imposições sociais impostas por fascistas; das crenças e das defesas destas opiniões a qualquer custo, mesmo que isso signifique transformá-las em uma espécie de religião; e da crescente inovação tecnológica em prol da sociedade em paralelo com o seu limite, desafiando questões de cunho ético e moral; não são exatamente novidades.

Ao final, podemos ter como pensamento que nos é trago sobre a felicidade e livre arbítrio, ja que uma das premicias do game é debatido sobre a tecnologia que controla o sentimentos do portador, o deixando mais feliz ou até mesmo mais triste se for da vontade da big tech continental, ou melhor se caso essa empresa resolver apoiar candidatos políticos a sua vontade? fazendo com que  toda vez que a pessoa veja tal político ela se sinta feliz? o impacto que isso pode causar em uma eleição majoritária? isso pode ser equiparável ao poder de BigTechs do mundo real, especialmente as redes sociais que tem poder de influenciar muito com o famoso ‘algoritmo’,  o poder que elas possuem, e o pior das coisas e que quem pode regulamenta-las? quem decide o que é algo que pode ser circulado por elas? o governo? governos que possam decidir o que pode ou nao ser postados em redes sociais nao soa como algo muito justo, visto que quem ta no poder pode mudar as regrinhas a seu favor, complicando muito a situação de manipulação de massas.

 

Outro ponto abordado é a falta de ‘humanidade’ da humanidade que deixa de tratar de sentimentos intricicamente ligados a natureza do ser humano para se tornar cada vez mais frio, algo a ser abordado é que: como nossa socedade perdeu a capacidade de lidar com certas situações, atualmente as pessoas não sabem como lidar com o tédio, sempre tem que estarem com altos níveis de adrenalina, o mesmo ocorre com o luto, todos passam a impressão que irão viver para sempre e não aprendem a lidar com essas sensações e com certeza se essa tecnologia fosse acessível a grande maioria do globo teria ela na cabeça para não ter que lidar com a própria natureza.

O que Red Strings club nos traz de melhor é nos forçar um pensamento de como lidar com esses dilemas, se precisamos de liberdade para sermos felizes e se não, o que nos garante que é realmente felicidade?

Muitas obras recentes como a série Altered Carbon e o game Nier: Automata; e antigas como o filme Blade Runner (baseado em um livro de Philip K. Dick) e a franquia Battlestar Galactica também abordam esses assuntos. O diferencial em The Red Strings Club é a maneira como a narrativa se desenvolve, novamente utilizando de poucas, mas efetivas mecânicas, e mostrando abertamente questionamentos dignos de um episódio de Black Mirror.

 

Viver ou Sobreviver?

Com base em um filme infantil da Disney lançado em 2008,podemos parar e refletir sobre a atualidade mundial. muitos fatores nos levam a pensar que em um futuro não muito distante corremos um serio risco de ‘enfrentar os problemas tão graves quanto ao o abordado no filme.

O filme relata sobre o avanço da industrialização e tecnológico onde o mundo e imerso por toneladas de lixos descartadas de formas agressiva no ambiente chegando ao ponto de fazer do planeta terra um lixão ambulante tornando assim a vida impossível no planeta.

As autoridades competentes em uma atitude desesperada de reverter a situação, criam super naves com alta tecnologias capazes de cuidar da manutenção e propulsionar total conforto as pessoas para que elas não precisassem fazer absolutamente nada para si próprios tinham tudo nas mãos, com os super cuidados dos robôs a bordo da nave.

W-121:            WALL•E (right)

O planeta foi evacuado, e as pessoas foram para um cruzeiro no espaço com duração de 05 anos, nesse meio tempo eles criaram uma frota de robôs coletores de lixo, os quais deram o nome de WALL-E “para desentulhar você” e as enviaram para a terra, na esperança que as pequenas máquinas resolvesse os anos da negligência humana, com tudo a frota falhou tirando a esperança dos humanos em voltar.

O filme relata que ele vagaram no espaço por aproximadamente 700 anos, o que levanta inúmeras perguntas como sobreviveram por séculos no espaço? como uma única maquina sobrevivente ‘da frota WALL-E se manteve funcionando por séculos esquecida na terra?

A inteligência contida no Wall -e, um pequeno robô que ficou para trás no avanço tecnológico e exemplar, pois o pequeno robozinho foi capaz construir sua própria casa dentro de um container, organizando ali tudo que era preciso para o seu dia a dia, Wall -e foi capaz de reunir peças de seus companheiros estragados e guarda-las para que quando suas peças quebrassem ele pudesse substitui-las.

Quanta inteligência não? Wall -e desenvolveu sentimentos ele vivia como uma pessoa, tinha sua casa, assistia televisão, se auto concertava, tinha todo o cuidado de não deixar sua energia acabar, então todas as manhãs ele abria seus painéis solares e recarregava suas baterias, para ir trabalhar passava o dia todo compactando lixo ele e sua fiel companheira a barata, que seguia ele para todo lugar.

Todas as manhãs Wall -e arrumava sua maleta recarregava sua bateria e ia trabalhar com a companhia de sua fiel companheira a barata, nessas jornadas dia após dia ele encontra uma semente brotando em meio ao lixo, com todo cuidado ele pega a mudinha e a transporta para uma bota para levar para casa nesse momento algo chega no planeta Wall -e como todo bom curioso, corre para ver o que esta acontecendo.

Ele se depara com a sonda Eva, que chega ao planeta em busca de vida que comprove que a vida no planeta pode ser reestabelecida, ela esta em busca de algo capaz de produzir fotossíntese o que levanta outro assunto, o da importância das plantas para manter o equilíbrio e tornar a vida possível no planeta.

Eva e Wall -e se apresentam ele como todo bom anfitrião apresenta o lugar a ela, quando chega em sua casa mostra tudo que ele tem de importante, ele tenta de tudo para agradar ela por fim ele mostra a planta para ela. Ali Eva conclui sua missão pega a planta e entra em modo vegetativo aguardando o retorno da nave para buscar ela.

WALL-E por sua vez sem entender de nada cuida dela, leva ela num passeio de barco para ver o pôr-do-sol, até jantar romântico ele faz com ela. Wall -e desenvolveu uma inteligência que superou sua época.

Ele embarca em uma aventura depois de séculos para o espaço quando a nave vem buscar Eva, ele todo preocupado com ela vai junto chegando lá ele se depara com um mudo totalmente surreal onde as máquinas dominam os humanos.

Humanos esses que aparentam formas totalmente arredondadas devido terem suas vidas controladas pelas máquinas, o sedentarismo tomou conta das pessoas impedido elas de qualquer esforço físico, por mínimo que seja.

Ao chegar na nave Wall -e se depara com pessoas totalmente diferente das quais ele esta acostumado ver em seus vídeos porem não da muita importância pois seu foco é encontrar Eva que esta sendo levada para o gabinete do comandante.

WALL_E na nave nos mostra também um pouco da desigualdade social onde ele sofre descriminação por esta sujo e ser diferente das demais maquinas bem mais evoluídas que ele, o que não impede ele de ir em busca de seus objetivos, com tudo enfatizo temos muito o que aprender com esse pequeno robô, de cara ele consegue com seu jeito atrapalhado de ser tirar duas pessoas do transe vicioso em que viviam por anos, e apresenta a eles que existe um mundo real além daquelas telas que os prendiam.

As pessoas libertas ficaram estarrecidas com as coisas que eles tinham na nave e não usavam como piscina, sala de jogos ou até mesmo sentar e conversar sem o uso de tecnologias.

Quando Eva presenta a possibilidade de retorno a terra, o piloto automático se rebela contra o comandante pois não quer permitir que eles retorne pois sabe que eles voltando de certa forma ele perde um pouco o controle sobre os humanos.

O sedentarismo é tão evidente a ponto do comandante dar comando de voz para o livro, a máquina o instruir que ele deve abrir o livro e ler ele fica espantando. que tem que ler e não tem uma voz para lhe dizer o que fazer.

A possibilidade de retorno a terra enche de esperança o robô por sua vez tenta destruir a planta para impedir eles de voltar pois a planta é a chave que coloca a nave em curso para retorno ao planeta, depois de muita luta WALL-E E EVA conseguem levar a tripulação de volta ao planeta para recomeçar do zero.

O pequeno Wall -e nos passa importantes mensagens, a questão da preservação do ecossistema para manter o equilíbrio e não colocar em risco a vida no planeta, não nos deixar ser controlados pela tecnologias sabendo impor limites e a importâncias das atividades as quais não te deixam cair na rede do sedentarismo.

aborda também o fato do consumismo exagerado e o descarte inapropriado de embalagens no ambiente o que pode nos levar a uma situação parecida em um futuro não muito distante.

dos seres vivos existentes na terra os seres humanos de fato são os mais “irracionais” pois não basta ter mentes brilhantes capazes de grandes evoluções é preciso saber também quando seus feitos pode ser usado contra você.

O humano e capaz de grandes criações, porém ele mesmo se sabota colocando em risco sua própria existência.

Onde vamos parar com os avanços tecnológicos será que estamos ilesos de vivenciar algo parecido ao abordado aqui? são questões que nos levam a pensar até que ponto a ganancia humana pode chegar para aderir poder.no mundo de hoje já podemos ver que é cada vez mais raro a interação entre pessoas a comunicação verbal esta ficando escassa. é fato, a tecnologia esta ganhando em grande escala o controle da vida de muitos, atualmente sem a tecnologia muitas coisas estão deixando de ser vividas.

a pergunta é eu consigo viver sem toda essa tecnologia e industrialização?

Anna Lucia Sales

Men Against Fire, fake news e bolhas sociais.

Não sabemos exatamente quando isso acontece ou onde acontece. Simplesmente observamos um exército que, urgentemente, deixa a base militar para ir para uma cidade onde, segundo os moradores, parece que houve um assalto. Eles dizem que foram novamente as “baratas”. A partir desta primeira cena o espectador pode intuir que as chamadas baratas constituem uma guerrilha que perturba e põe em perigo a ordem estabelecida. Tudo aponta para que as baratas agem como maquis: refugiam-se no mato, mas eles frequentemente descem às aldeias para roubar comida e estocar provisões. O exército tem que intervir para que a região recupere a calma e tudo volte, assim que possível, à normalidade. Então tem início “Men Against Fire”, quinto episódio da terceira temporada de Black Mirror —série criada por Charlie Brooker—, que foi lançado na Netflix em 21 de outubro de 2016. Black Mirror, além de ser uma obra de entretenimento, é uma série que tem explorado, através de ficções situadas em futuros não muito longe, os efeitos nocivos que tem, ou poderia ter, tecnologia em nossas vidas. Black Mirror mostra como avanços tecnológicos não funcionam como uma tecnologia de si, esta é, como um dispositivo que permite ao sujeito realizar sua individualidade de forma plena e autônoma, ou

“(…) A “alma coletiva” que, segundo Freud, é diferente do que seria a soma das vontades singulares que a compõe, se sente aparada amparada pelo grupo e capaz de cometer ousadias que o indivíduo, sozinho não cometeria” (Freud. )


“Men Against Fire”, mostra a relação entre os avanços tecnológicos e sua aplicação em contexto de guerra. O capítulo leva o título do livro de um general da Segunda Guerra Mundial Mundial, S. L. A. Marshall, intitulado Men Against Fire Batalha (1947). Em seu livro, o general declara, segundo Wikipedia, que “durante a Segunda Guerra Mundial, 75% dos soldados não disparariam seus rifles, mesmo sob ameaça imediatamente e, de fato, a maioria deles, quando o faziam, visavam acima da cabeça do inimigo” (“Homens Contra…”). o episódio que que estamos prestes a analisar levanta a maneira pela qual seria possível fazer humanos perderem sua humanidade através do uso de tecnologia de guerra, através da aplicação de um dispositivo capaz de superar os limites que ao serem humano em tempos de guerra.


Para isso, Black Mirror leva plataformas existentes ou redes sociais e exagera seu funcionamento, levando-o ao extremo, para encenar como, longe de liberar nossa subjetividade, essas ferramentas acabam sequestrando a liberdade.


Na primeira cena, e no início da nomeação do inimigo como barata, um dos princípios básicos da propaganda de guerra. A historiadora belga Anne Morelli, em um livro intitulado Princípios Elementares da Propaganda de Guerra (2001), entende, numa espécie de decálogo, as narrativas que se ativam durante conflitos de guerra para legitimar atos de guerra e violência. Vários desses princípios elementares da propaganda de guerra são presentes no capítulo “Men Against Fire” de Black Mirror, mas aquele que é mostrado de forma mais transparente, talvez seja o terceiro ponto da lista feita por Morelli: “O inimigo tem cara de diabo” (ib: 21-26).

O inimigo é a personificação do mal e, em consequentemente, carece de características humanas. Há uma desumanização do inimigo que, no caso de “Men Against Fire”, é realizado através de sua animalização: o apelido de barata é uma forma de subtrair — ou de negar a humanidade a esses indivíduos. A desumanização/animalização do inimigo funciona como estratégia ideologia de construção da alteridade. Isso desenha uma linha que divide e distingue entre nós, os membros de uma comunidade que vive —ou finge viver— pacificamente no interior dela, e as outras que, de um exterior ameaçador e desestabilizando, colocando em risco a comunidade.

Este princípio elementar da propaganda de guerra funciona, então, como uma ficção imunidade que a comunidade constrói para se proteger desse outro
construído como um inimigo. Para que a comunidade sobreviver você deve aniquilar as baratas, fazer o inimigo desaparecer da face da terra. Esta é a “dura verdade” biopolítica: a sobrevivência da comunidade passa por “sacrificar as baratas”. Porém, está “dura verdade” não passa de uma ficção construída. A celeridade típica da Sociedade da Informação é um dos fatores que acabam por corroborar com a problemática de compartilhamento de informações. Somos bombardeados a cada segundo com dezenas de notícias, imagens, vídeos e áudios, nos fazendo muitas vezes não checar a veracidade daquele conteúdo. Dentro de nossas bolhas encontramos conforto e estamos protegidos por uma rede criada para nos passar a sensação de que sempre estamos com a razão.

A sociedade do fluxo informacional, a velocidade das redes sociais, dos aplicativos, tudo nos deixa inquietos, e a inquietude só causa prejuízos: compartilhamos o que não lemos, aceitamos a sedução como verdade, pois ela nos conforta no momento de angústia (FERRARI, 2018). Ocorre que esse grande fluxo de informações que recebemos habitualmente é pensado de maneira proposital para que não tenhamos tempo de analisar e verificar tudo. Na dúvida de se aquilo é verdade ou não, se segue o mesmo padrão do que já acreditamos, simplesmente é aceito como verdade. Ferrari (2018) discorre que vivenciamos o líquido, pelo volume de postagens, o cérebro não tem o tempo necessário para verificar a veracidade das informações expostas. A título exemplificativo, os usuários compartilham a informação apenas pelo que está escrito no título, sem de fato ler o corpo do texto ou verificar a fonte usada para aquela informação. Toda violência será legítima.

Não é absurdo pensar que em “Men Against Fire” o fato de que esta cena termina, uma vez que os soldados descobriram a presença de baratas – e, é fácil imaginar, sua subsequente tortura e assassinato – de um civil, mostra até que ponto, em tais condições, tudo é permitido. A distinção entre soldado e civil : todos são inimigos em potencial e, se necessário, os civis também serão aniquilados se seus atitude, ainda que passivamente, põe em risco a imunidade da comunidade.

A cenas iniciais representam a primeira “caçada” — assim chamado, no jargão militar do capítulo, promover semduvidar da desumanização/animalização do inimigo— de Stripe Koinange, o protagonista de “Men Against Fire”. Stripe chama a si mesmo pelo primeiro nome, não pelo sobrenome, impronunciável para o seu amaradas nas forças de ocupação. Este fato denota que o Stripe não chegou ao local com o resto das forças coloniais, mas é um nativo recrutado. Stripe encarna aqueles jovens sem vocação, esperança ou expectativas que se alistam no exército na ausência de um horizonte de prosperidade e bem-estar (o descobriremos no final do capítulo através de um flashback).

Em sua primeira caçada, Stripe verá as baratas pela primeira vez. o espectador também os verá pela primeira vez, através dos olhos do recruta. Na verdade, eles não são como nós; em vez disso, eles são como monstros. Não há humanidade em seus rostos. A tensão o drama da cena atinge seu ápice quando Stripe é visto com sérias dificuldades em se livrar de um dos inimigos, com quem manterá o combate corpo a corpo, até que finalmente alcance e o mate esfaqueado o mesmo repetidamente no coração.

Durante o combate, a barata havia retirado um aparelho, aparentemente inofensivo, emitindo uma luz verde. Tudo o que ela fez foi mostrar para o soldado, o colocando diante de seus olhos.

De volta à base, Stripe começa a se sentir mal. ele não dorme bem e ele tem sonhos eróticos, que descobriremos mais tarde, são programados por aqueles que detêm o poder— fica tonto, percebe sons que antes não percebia e, nos campos de treinamento ele falha em um dos treinamentos e, então ele visita o médico que, não detectando qualquer doença física, recomenda que ele visite o psicólogo para avaliar se você sofre de algum transtorno pós-traumático. Arquette, esse é o nome do psicólogo, pergunta que ele conte a ele sobre seu confronto com a barata. A primeira coisa que impressiona Arquette e sem dúvida o deixa preocupado é a humanização espontânea que Stripe faz do inimigo de todos, ao se referir a ele por meio do pronome ele, reservado em inglês para assuntos humanos, em vez de usar “isso”, em relação ao coisas ou outros assuntos sem humanidade:


Stripe: (…) ele (ele) estava no chão comigo.
Archette: Ele? (Hã?)
Stripe: Isso era um ele (era um ele).

Stripe, com sua resposta não foi com intencão para marcar o gênero humano da barata – que sem sem dúvida preocupa Arquette – mas como uma marca do gênero masculino. Dentro
Em todo o caso, para saber as razões desta humanização, Arquette então o questiona sobre seus sentimentos, pede-lhe para Expresse o que você sentiu em sua luta corpo a corpo contra a barata:


Arquette: E o que você sentiu?
Stripe: Como…?
Arquette: Emocionalmente.
Stripe: Eu não senti nada. Quer dizer, foi muito rápido. Foi um
ato de legítima defesa eu estava, eu acho, aliviado.
Arquette: Apenas aliviado?
Stripe: U-uh.
Arquette: Não é incomum experimentar outros sentimentos. Euforia, mesmo.
Stripe: Sim, eu acho. Não sei, talvez eu tenha sentido, não sei…
Arquette: Mais alguma coisa?
Stripe: Sim, tipo…
Arquette: Arrependimento?
Stripe: Mais ou menos, mas não sinto mais.
Arquette: Então, você faria de novo?
Stripe: Sim, claro.
Arquette: Então… por que você está aqui? [risos]


Sentimento de alívio e euforia são aceitáveis, mas não os de arrependimento e a cena termina com risadas, após Arquette certificar que Stripe agiria da mesma forma se uma situação semelhante ocorresse, é possível interpretar que aquela risada realmente esconde uma desconfiança e uma preocupação por parte do psicólogo. Arrependimento pode ser um indicativo de que uma fissura se abriu em sua consciência.

“(…) a novidade, para a qual Freud começa a preparar o leitor, é que o coletivo e o individual obedecem à mesma estrutura e respondem às mesmas leis. A diferença está em que forças do desejo que permanecem “sob controle” (reprimidas e recalcadas) no individuo resultam desencadeadas no grupo. Como se para cada um dos participantes não fosse mais necessário cuidar das regras de polidez. ” (Freud)


A partir dai o tom da episodio muda e uma nova visão das baratas é mostrada. Uma vez que, o aparelho visual do personagem principal começa a falhar, a imagem das baratas vira algo mais humanizado, trazendo duvidas em Stripe. Assim há uma quebra na expectativa dando dos espectadores quando do personagem, esse conceito é explorado a partir de um dialogo iniciado por uma mulher que se enquadra nas características das baratas.


De acordo com o filosofo Karl Popper, no seu livro A Sociedade Aberta e seus Inimigos, de 1945, fala sobre a importância de praticar a tolerância, mesmo que isso leve a não tolerar a intolerância, ideia que foi denominada como Paradoxo da Tolerância. Para chegar ao nível de tolerância, proposta por Popper, é necessário que os indivíduos utilizem direito do dialogo baseado em argumentos racionar.

“Nessa formulação, não insinuo, por exemplo, que devamos sempre suprimir a expressão de filosofias intolerantes. Desde que possamos combatê-las com argumentos racionais e mantê-las em xeque frente à opinião pública, suprimi-las seria, certamente, imprudente.”(Karl Popper)


Baseado nisso, o dialogo entre os dois personagens se torna um tópico importante no “estouro” da bolha que Stripe esta incluído. Com isso o personagem se questiona sua ações como um individuo da sociedade.

Já no final do episodio, Arquette propõem em a volta do Stripe para o conforto da bolha ou viver lembrando dos acontecimentos como algo ruim. E é desse jeito que “Men Against Fire” fazendo questionamentos sobre a sociedade, bolhas sociais e “fake news”.

Altores: Pablo Silva e Luann Felipe.

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