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Carta para Epicuro

Caro íntimo de ideias, 

Não havendo temporalidade para a prática da filosofia creio que haja para o nosso encontro que tornará nosso nosso debate sobre a felicidade mais dinâmico e pungente. Lhe escrevo em resposta porque em muito me vislumbro em suas constatações que sem dúvidas me tiraram da inércia da morbidez cotidiana e já aproveito e compartilho uma dúvida que me surgiu contemplando sua escrita.

Me contenta ter alguém de meu íntimo compartilhando a ideia sobre a morte ser somente a privação dos elementos formadores de vida, que dentre eles está o prazer que veemente aborda em sua carta e infelizmente é interpretado erroneamente e confundido com outros sentimentos. Creio que este medo que nos sonda sobre este inevitável evento se deve ao curto alcance que nossas mentes possuem sobre a morte e seu por vir, legítimo, mas sem dúvidas um encalço para a plenitude do viver.

Não me surpreende que declarem-no um ateu completo por aqueles que o entendem com equívoco ou se esquivam de suas afiadas questões sobre a situação da existência dos deuses e a construção de suas imagens pelo senso comum, pois sua existência sempre foi atrelada na crença de paraísos, superioridade, castigo e condenação e divindades que compartilham características humana. Sendo, portanto exposto a ideia de que os deuses são parte da construção humana vai contra tudo aquilo que já viveram e nos faz sentir o inevitável medo e incerteza.

De fato a filosofia não se prende ao tênue tecido temporal da vida, porque não entende por completo, tanto as faculdades mentais mais primárias, ou seja, os ignorantes – aqueles que escolhem e aceitam sê-lo – quanto às puídas decifram seus significados e creio ainda que nunca iremos saber, nos resta, portanto, as indagações e digo de fato com pesar, porque compartilho de seu anseio do saber e sempre convido sofia para me fazer companhia.

Confesso com ansiedade de sua resposta que me confunde a ideia de que o sábio sagradamente vive em plenitude, tendo em vista que a felicidade por ser extremamente subjetiva não se prende a regras. Faço aqui então uma questão que não sei bem a resposta ainda: Se a sabedoria nos atrai até a felicidade a ignorância de igual forma a repele? Tendo em vista que ao nos darmos conta de nossa verdadeira existência as ansiedades e inquietações se tornam ainda mais presentes, mas que poderia a ignorância dissipá-las como um bálsamo, caso estas não inflamem o íntimo da alma, pois assim nem a ignorância entorpece.  

Carpe diem! Carpe Diem! Entendo os porquês de tantos se perderem em suas colocações acerca do prazer humano, pois estão apegados a conceitos limitados do que realmente venha ser o prazer, que difere da luxúria. Compreendo porque tal ideia venha a semear em suas reflexões depois de se colocar em posição de questionar as construções que há sobre as imagens dos deuses e buscar se livrar da angústia de suas análises e julgamentos e condenações finais. Em êxtase finalizei sua carta o que me demandou alguns dias para absorver seus conceitos e espero respondê-lo de igual forma. 

P.S: Em certo desconforto materializo nesta carta as minhas inquietações, mas me encontro agradecida de tal dinamismo das ideias. Carpe Diem!

Referências

EPICURO. Carta sobre a felicidade – A Meneceu. São Paulo: Unesp, 2002.

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