NOT OKAY: um reflexo do show do eu

Como você se sente quando posta uma foto, sobe um vídeo ou expõe sua opinião nas redes sociais? Qual é a sensação? Você se sente satisfeito? Talvez integrado à sociedade? Quem sabe um influenciador? São questionamentos que podem gerar inúmeros caminhos, alguns mais superficiais e outros mais complexos. O filme “NOT OKAY” se desenvolve na rota mais intensa da busca por aceitação, relevância e autopromoção.

O filme NOT OKAY é um filme de comédia dramática bem contemporâneo, lançado em 29 de julho de 2022, no Hulu nos Estados Unidos e aqui no Brasil pela Star+. Seu título foi adaptado para “Uma influencer de mentira”, demonstrando a temática da história.

Direção: Quinn Shephard

Produção: Brad Weston e Negin Salmasi

Roteiro: Quinn Shephard

Elenco: Zoey Deutch como Danni Sanders, Dylan O’Brien como Colin, Mia Isaac como Rowan, Embeth Davidtz como Judith, Karan Soni como Kevin, Brennan Brown como Harold, Nadia Alexander como Harper, Tia Dionne Hodge como Linda, Negin Farsad como Susan, Sarah Yarkin como Julie, Dash Perry como Larson

O filme conta a história de Danni Sanders em sua busca incessante por aceitação, fama e seguidores, para isso a personagem não considera as implicações e simula uma ida à França com fotografia e posts falsos, porém o que parecia ser uma mentirinha transforma sua vida. 

Por que Danni faz isso? Ela quer se sentir amada, pertencente à sociedade, possuidora de propósito, relevante e tantos outros aspectos que são inerentes ao ser humano, porém nas redes sociais essas necessidades são potencializadas à níveis astronômicos, criando assim um ciclo de carência e prazer que se retroalimenta, o mesmo condicionamento de um adicto com seu entorpecente. 

A forma de interpretar a vida passa a ser modulada pelas redes sociais, para Danni alcançar o status de influencer famosa solucionaria todos os seus problemas, tanto os externos como os internos, um verdadeiro pote de ouro no fim do arco-íris, como se um feed e um número expressivo de seguidores pudesse ser a totalidade de sua vida.

A discussão sobre auto-exposição nas redes, culto à personalidade, o pavor da solidão, a gestão de si como marca e seus efeitos não ficam restritos à arte. A ciência também elabora suas respostas sobre os novos fenômenos, desenvolvendo conceitos e métodos próprios para uma discussão fundamentada.

Nesse sentido, Paula Sibilia produziu o livro “O Show do Eu: a intimidade como espetáculo”, originado de sua tese de doutorado para a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Sibilia apresenta um panorama concreto e científico para esses fenômenos que também são tratados no filme, por isso nossa escolha em definir esse artigo como “Not Okay: um reflexo do show do eu”. 

Para não ficar apenas em nossas palavras, e caso você queira aprofundar um pouco mais no assunto, separamos uma entrevista dela ao Canal Brasil disponível no YouTube: 

Trilha de Letras recebe Paula Sibilia | Programa Completo

SPOILERS A SEGUIR! DANGER! DANGER! DANGER! 

Danni para convencer as pessoas que foi à França, fica reclusa em seu quarto por uma semana produzindo e editando as fotos ela mesma engendrou em seu quarto, para isso utiliza-se do Adobe Photoshop, programa de edição bem conhecido para tratamento de fotografias, montagens e artes digitais. Ela recorta sua imagem em primeiro plano e altera o fundo do quarto para algum ponto turístico parisiense, também se esforça em utilizar elementos característicos, como vestuário e itens da gastronomia francesa. 

Na mente de Sanders, o plano não teria como dar errado, até que um terrorista ataca o Arco do Triunfo no momento seguinte de uma postagem da protagonista, a partir desse momento o filme ganha outra rítmica e o sonho (ou pesadelo) da personagem se inicia.

Danni tinha à sua frente uma grande decisão, ou revelava que estava no seu quarto em segurança, ou se aproveitava da “oportunidade” para aplacar seu nome como uma sobrevivente de uma tragédia histórica, adivinha qual foi sua decisão?! 

E assim a personagem se dirige até o aeroporto no horário do desembarque do primeiro voo vindo de Paris, o local do atentado, se mistura aos passageiros e é recebida pelos pais (que não sabem a verdade), onde é filmada pela TV norte-americana, visível nesta cena:

A vida da protagonista se transforma bruscamente, ela se torna amada e destacada como sempre sonhou: valorizada no trabalho, notada pelo crash famoso, convidada para eventos sociais, sua fala centra as atenções e principalmente, se transforma em uma influencer famosa. Para sustentar a farsa, Danni recorre a um grupo de apoio composto por pessoas que sofreram traumas da mesma natureza, seu objetivo é obter relatos que a ajudem escrever um artigo sobre o episódio marcante, do qual ela nunca viveu.

Se o que ela está fazendo é moralmente errado ou eticamente indevido não importa para Danni Sanders, ela está desesperada por reconhecimento, para ser vista e reconhecida. O que você faria em seu lugar?

O filme mostra que o “mundo” das redes sociais tem um mecanismo de hierarquização e poder muito poderoso, se você não tiver seguidores, não terá amigos e a protagonista está desesperada por ter alguém que goste dela, alguém que se importe, logo o foco dela está em escrever um artigo que emplaque nos trend topics, ou seja, ser vista, admirada e estar nos assuntos de todos é o que importa. E principalmente, ter seguidores o bastante para nunca mais se sentir sozinha, pelo menos é o que Danni Sanders acredita.

A dor pode ser capitalizada para impactar um grande número de pessoas, gerar produtos e criar celebridades, assim age Danni, utilizando-se da compaixão para criar uma identificação. Ao escrever seu artigo, ela expõe de forma tão “crua” a sua dor, embora não estivesse no local do atentado, a protagonista possui sofrimentos internos que estão intimamente ligados à sociedade do “show do eu”.

Sua publicação gera engajamento nas redes sociais e identificação massificada, principalmente pelo hashtag #IAMNOTOKAY (não estou bem), indo de encontro ao imaginário coletivo. Por que será? O roteirista consegue problematizar a relação com as redes sociais, elas contemplam nossos melhores momentos em representações sintéticas, como se a dor, a tristeza e a frustração não fizessem parte da vida, portanto admitir que “não se está bem”, gera um engajamento mundial no filme.

O desejo de existir, vai além de uma questão de ego, é uma necessidade de bem estar mental, não ser apenas um número nas estatísticas ou um rosto entre milhões de rostos que passam em uma multidão sem nunca realmente ter sido percebido por alguém. Ela conseguiu isto, com base em um artigo escrito por relatos de participantes de um grupo de alto ajuda que ela foi apenas para conseguir uma base sólida e argumentativa de sua mentira. Ao usurpar os traumas das outras pessoas ela roubou suas histórias e traumas para criar um circo midiático para se engrandecer de certo modo aos olhos do público.

Neste grupo de alto-ajuda ela conhece a digital influencer e defensora da causa anti-armas Rowan, que ao passar por um evento traumático envolvendo um tiroteio na escola que estudava, resolveu utilizar as mídias sociais para conscientizar a todo. Danni Sanders se aproximou de Rowan visando utilizar sua fama e seus relatos para se tornar relevante nas redes, apesar de surgir um sentimento de amizade durante a relação das duas, as mentiras teriam efeitos desastrosos.

De modo que as pessoas amam rapidamente celebridades, é uma espécie de culto da personalidade, como aponta Sibilia, essa é a regra para ser um influencer, características pessoais midiáticas que levam uma legião de fãs, porém da mesma maneira e intensidade se odeia nas redes, gerando ataques violentos e massificados, sendo ameaças virtuais ou não. A comunidade online é tóxica e não tentam disfarçar, quando amam é demais e quando odeiam são catastróficos ao ponto de destruir a vida de uma pessoa.

É o caso de Danni, obviamente a história entraria em colapso com a descoberta da mentira, com a mesma repercussão que a tornou amada, a protagonista é comparada no crivo desmedido das redes à Hitler. Ofensas não ficam apenas por de trás das telas, ela é ameaçada quando reconhecida e seu nome que outrora se tornou um marco de uma geração que sabe que não está bem, torna-se o objeto das frustrações generalizadas.

O filme tem um final aberto e esta discussão também, a ideia aqui não é fechar o assunto, compreender a totalidade do fenômeno ou definir com exatidão as consequências dessa realidade. Esse tempo que passamos juntos serviu de reflexão e quem sabe, pode proporcionar uma relação diferente com as redes, pois a radicalidade da vida digital pode produzir consequências extremas como o filme NOT OKAY retratou.

The Circle

Redigido por Alexandre Arthur e
Pedro Santana

•Introdução

O filme “The Circle” retrata de forma caricata atual realidade da sociedade perante a tecnologias impostas pelas “BIG TECH”. Nota-se, a diferença de ambiente do início do filme, onde a nossa protagonista Anne tem uma vida pacata com sua família, com um trabalho comum de telemarketing, até determinado momento. Com, uma ligação inesperada de sua amiga te oferecendo uma vaga de emprego em uma das maiores empresas desse universo, desse modo dando início a um nova perspectiva sobre o que são realizadas dentro dessa empresa. Desse modo, levantando os principais pontos sobre nosso artigo, como a invasão de privacidade, que é bem evidente durante o decorrer do filme, a dependência de boas avaliações/(ou as carinhas nesse mundo), o show do “Eu”, em que a personagem se torna o centro das atenções, depois de um fatídico evento, além do principal que a imposição da tecnologia aos funcionários da empresa.

•Invasão de privacidade

Nesse filme é percebido a falta de privacidades das pessoas que pertencem a essa empresa, onde suas vidas são monitoradas a todo momento, desde do uso de suas redes sociais para registrar suas atividades do dia-a-dia até a filmagem sem pausa da vida da protagonista.

Esse trecho do filme mostra a tecnologia facilmente pode encontrar dados das pessoas, partindo de um reconhecimento facial fazer a coleta de seus dados dentro das suas redes sociais e descrever todo o histórico comportamental seu, além de informações pessoais e todos de seu convívio, mas nesse caso o elevador apenas reconhecer a protagonista e faz uma busca para trazer fotos dela e projetar essas fotos em suas paredes, mostrando que tudo que entra na rede é pode ser encontrado e a nenhum dado que entre na rede pode ser deletado, sempre vai está em algum espaço da Internet.

•Avaliação das Carinhas

As carinhas nesse filme representam as avaliações positivas dos apps, como as estrelas do Uber ou o próprio like do Facebook, e perceptível que, ao receber a carinhas felizes por exercer um bom desempenho em seu atendimentos a protagonista se sente mais feliz por receber essas avaliações, que pode se comparada a politica do pão e circo, onde os imperadores orquestravam lutas dentro do coliseu e dava pão ao povo, desse modo agradando a população e escondendo as decadência que era a política desse período. O significado das carinhas é para deixá-lá motivada com seu trabalho para que não perceba como ele a consome tanto mentalmente e fisicamente.

•Show do “EU”

Em uma parte do filme a protagonista passa a filmar todos os momentos de sua vida, depois de um acidente com seu Kaiaque, ela grava desde do momento que acorda até a hora de dormir, onde sua vida se torna um show de entretenimento para milhares de espectadores.

Imagine viver uma vida, onde cada passo seu é assistido por milhares de pessoas, desde do momento em que você acorda até o ultimo raio de sol de um dia, sem pausa para um momento íntimo seu. A natureza de se torna o centro das atenções, gera esse tipo de acontecimento, onde a maioria das pessoas que alcança esse nível desejam voltar ao anonimato novamente. Mas, diferentemente do filme, a protagonista mostra o outro lado da moeda, onde podemos descobrir a definição do termo “Show do Eu”, onde através de toda a fama que ganhou com esse acontecimento, ela pode influência as pessoas em relação ao seu viés, que todo mundo deveria usar a conexão do circulo, como o novo meio de identificação para o país, tornando desnecessário o uso de qualquer outro documento e além de obrigar que todo mundo seja transparente sobre o que está fazendo, um mundo sem mentiras. Devido, o poder provindo do “Show do Eu”, ela consegue que essas ideias sejam aprovadas, mas acabou perdendo vários amigos em relação a esse comportamento, já que não podem ser eles mesmo em frentes as câmeras, que julgam cada movimento deles. Pois, a natureza do ser humano é apenas de mostrar sua verdadeira face, apenas para quem realmente digno de sua confiança e não para milhares de desconhecidos que apenas irão te criticar, com intuito de ter machucar.

•Imposição do uso da tecnologia


Ao analisar essa imagem de forma mais aprofundada, perceber-se que, a vida deixa de ser uma coisa orgânica, o modo de viver agora depende da conexão com a internet, onde todos o seu comportamento tem que ser registrando e exposto para todos na internet. A nova onda tecnológica, tornou-se a era das ideias meticulosas, onde que não segue o avanço e antiquado, as empresas se aproveitam de todos os avanços para lucrar mais explorando as pessoas fúteis que adquirem seus produtos por influência de comerciais apelativos ou pelo próprio uso de influencers, resultando na manipulação em massa de uma população que não tem um pensamento crítico e também facilitando na imposição de tecnologias desnecessárias. No filme é mostrando 4 imposições do uso da tecnologia, onde todas podem ser consideradas invasivas, as quais são

Ao impor que a protagonista tem que postar tudo que faz em sua rede social

Na ideia de implantar chip em crianças para que não sejam sequestrados.

Ao oferecer sem informação prévia que a protagonista consuma nano-robos para coletar dados sobre seu estado de saúde.

A protagonista sugerir que todos sejam obrigados a votar e usando a sua conta do “The Circle”

Ideias essas que não estão muito distante de nossa realidade, visto que analogamente cada vez mais as tecnologias são forçadas na população subliminarmente, sendo confundido por muitos se aquilo que essas pessoas utilizam é fútil ou não para as suas vidas.

Conclusão


Com este filme podemos tirar boas reflexões sobre as nossas atitudes na sociedade atual, tendo em vista que, como a protagonista todos nós queremos ter uma vida melhor, ser bem sucedidos, conhecer novas pessoas e talvez quem sabe também influenciar vidas. Porém, é necessário atentar a que meio usamos para cumprir os nossos objetivos pessoais, tendo em mente alguns pontos como:

É necessário viver uma “mentira”, só para melhorar a imagem que outras pessoas tem de você?

Deve-se mudar quem você é só para poder se encaixar em algum grupo?

Eu tenho que aceitar tudo o que é emposto em nossa sociedade?

Até que ponto devemos nos submeter ao que as grandes empresas fazem com nossas informações e produtos que já são “indispensáveis” em nosso dia-dia?

Nós acreditamos que essas perguntas devem ser ponderadas para que se realmente a vida que temos/buscamos realmente é algo saudável e se temos algo ainda mais importante, controle sobre as nossas próprias vidas, não sendo apenas vigiados pela sociedade em que vivemos.

Se um médico lhe dissesse hoje que, com toda probabilidade, só lhe resta um ano de vida, como você passaria seu tempo?

Por Diego Meireles Silva

Deve se começar pensando quais efeitos isso causaria após escutar aquela fala, muitos irão pensar no que fazer, outros iriam se desesperar, mas uma resposta é certa “como devo viver a partir de agora?”. Deve-se começar pensando quem deve estar presente com você, onde, até quando. Eu pensaria em minha família na maior parte do tempo com os amigos mais próximos, depois iria pensar no meu bem estar, viver o resto daquela vida tranquila, já com o sentimento de aceitação em que após aquele tempo não estarei mais presente naquele meio.

Mas alguns se perguntariam “Será que o diagnóstico e opinião este profissional é realmente válida?”, isto seria um caso em que depende de quem disse isso, uma opinião de um especialista, que tem maior conhecimento e nome no meio, será de maior valor do que um recém formado, e ai tomando isso como argumento, seria fundamental buscar ou não outra opinião.

Se for pensar que a doença que uma doença degenerativa seria algo que afetaria bastante como a pessoa iria viver bem, ou seria algo que faria o indivíduo vegetativo, e com isso retornaríamos a pergunta se viveríamos intensamente ou angustiado, se você se tornar uma pessoa vegetativa, obviamente você não seria bem mentalmente e a viveria o pouco que lhe resta de uma forma bem ruim. Em que não poderia se sentir feliz, rodeado de pessoas que te fariam sorrir e você se sentir que aquele momento eram sim especiais e que foram bons momentos
em sua vida.

Portanto se hoje um médico que teria um renome na área, bastante conhecimento da antiga e avançada medicina, e eu tivesse uma doença que não atrapalharia minhas capacidades físicas e mentais, eu viveria intensamente, com meus amigos próximos e família, falaria tudo que sinto e penso naquele exato momento, sem ter medo de consequências futuras, claro se eu tivesse certeza que morreria, já que tudo pode acontecer, então mesmo que eu morra daqui um ano a partir de hoje, tentaria passar para os indivíduos a minha volta, minha melhor versão. Então viva bem.

Platão e a caverna

Por Paulo Fernando

O mito começa falando sobre algumas pessoas que nasciam e viviam em uma caverna,
eram aprisionadas e viviam algemadas, tudo que eles viam era sombra do que ele dizia
ser uma fogueira mas era o Sol e a sombra das pessoas que passavam, de animais que
passam, e que era só uma ilusão do que existe lá fora, então um dia, um deles acordou
e estava com algema solta e quebrada. Então ele levantou bem lento e saiu da
caverna, e quando ele chegou lá fora, ele ficou cego pelo sol mas depois de algumas
horas ele voltou a enxergar, então ele viu pessoas, viu cores, viu casas e tudo mais que
o mundo podia ter, então ele voltou para falar para seus amigos que tinha acontecido
e os libertarem da vida nas sombras. Ao tentar fazer isso, eles falaram que ele era um
louco e que se ele continuasse a falar sobre o que tinha lá fora que para eles era
mentira, eles iriam matá-lo.
O que podemos retirar disso é que nós somos iguais aos prisioneiros, ou seja, pessoas
comuns que vivem baseados em seus conhecimentos e muitas vezes achando que
sabemos de tudo e não temos nada pra aprender. A caverna é a junção de nossos
sentimentos e nosso corpo é o nosso armazém de conhecimentos, mas muitas vezes
nos leva ao erro. Os ecos e sombras são simulações da realidade, sendo a forma que não
vemos e julgamos as coisas, seja com opiniões rotuladas.
A luz do sol é a dificuldade que temos em mudar a nossa caminhada para a mudança
de opinião (a dificuldade de enxergar). Na sua volta, os outros prisioneiros poderiam até mesmo mata-lo
por levar a eles a chance de sair da caverna o que se refere à morte de Sócrates.

Hoje podemos vê que temos muito mais semelhança com os prisioneiros,
do que com o rapaz que conseguiu fugir, porque estamos amarrados ao senso comum e com o
preconceito prevalecendo como se fossem as correntes nos privando da passagem e amedrontando-nos do conhecimento real.

Analisando Mitos: A Caixa de Pandora

por Ricardo Richard Moura

Certamente um dos mais famosos mitos da Grécia Antiga, a caixa de Pandora narra a história do surgimento da primeira mulher da humanidade. Até então, só havia os homens criados por Prometeu e seu irmão, Epimeteu, cujos nomes significavam respectivamente o prudente e o inconsequente. Acontece que, como dito em outro mito, Prometeu roubou o fogo do Olimpo e presenteou a humanidade com o mesmo e para se vingar, Zeus que já não era muito simpático ao titã, arma um plano e esculpe uma mulher a partir do barro, faz com que os quatro ventos lhe soprem vida e pede para que as deusas a enfeitem, essa mulher era Pandora. No objetivo de castigar Prometeu e a humanidade, ele oferece a mulher junto a uma caixa que não deveria ser aberta nunca a  Prometeu que, temendo se tratar de um plano de Zeus, recusa o presente.

Frustrado, o deus muda seus planos, arranja outra maneira de punir o titã e para punir a humanidade oferece a mulher a Epimeteu que aceita Pandora junto com a caixa. Ele guarda a caixa em casa e encarrega duas gralhas de vigiarem o item. Um dia, Pandora revela temer as gralhas e pede que Epimeteu se livre delas e ele faz o que ela pede, depois, eles têm um momento romântico e Pandora o domina sexualmente até a exaustão. Quando o titã cai no sono, ela aproveita para abrir a caixa e com isso liberta todos os males físicos e espirituais sobre a humanidade e quando fecha a caixa percebe que lá só restara a esperança.

Há quem diga que o mito se trata da imprudência de Epimeteu que, em um momento de distração, permite que algo terrível aconteça. Também há aqueles que dizem que o mesmo se trata de esperança porque quando tudo de ruim acontece a esperança deve permanecer conosco. Duas interpretações educativas, contudo, há nesse mito uma outra interpretação quando observamos a interpretação da mulher na história e a maneira como está é associada a tudo de ruim no mito.

Podemos fazer um paralelo desse mito com um outro mito cristão, o mito de Adão e Eva, em ambos há essa inferiorização da figura feminina como o ser que surgiu depois como um presente para os homens, um ser dotado de atributos de sedução e manipulação, curioso e principalmente, sua retratação como a responsável por toda a desgraça humana. Os dois mitos foram criados em sociedades machistas em que a mulher não tinha valor nenhum e só tinha as funções de servir o marido e procriar, no caso cristão estas não podiam nem ser detentoras de conhecimento pois eram acusadas de bruxaria e traços dessa cultura são observados ainda hoje, ainda há esse preconceito com mulheres formadas, independentes, entendidas da vida, há um medo de que elas se tornem superiores aos homens. Naquela época, mitos como estes eram utilizados por homens para justificar o impedimento a mulheres que buscavam conhecimento e ainda alertar outros homens a respeito de sua natureza curiosa, sedutora e manipuladora. Embora muitos digam que a moral do mito seja que mesmo com todas as adversidades a esperança deve seguir conosco o real significado deste mito é algo muito mais profundo e enraizado em nossa sociedade, o machismo e a opressão sofrida pelas mulheres, se antes, segundo os homens, as mulheres usavam sua sedução para fazer o homem se curvar às suas vontades hoje, de acordo com os mesmos homens, essas mulheres usam essa sedução para “pedir” para serem violentadas quando usam roupas julgadas inadequadas.

Mitos como esse perpetuam a ideia de que as mulheres devem ser submissas aos homens porque se deixadas no comando podem gerar catástrofes, elas não podem ser livres nem mandar em si mesmas, não podem ter o próprio dinheiro, escolher as próprias roupas, devem por obrigação casar e ter filhos além de cuidar deles, da casa e do marido e por ter todos esses deveres até estudar não é bem visto porque uma mulher formada academicamente pode faltar com suas obrigações dentro de casa.

Para concluir deixo claro que não concordo com as ideias transmitidas por esse mito por ver que são injustas. Devemos deixar para trás essas ideias antiquadas e perceber que homens e mulheres devem viver em harmonia e essa harmonia só pode ser trazida pela igualdade de gêneros e pelo respeito bilateral.

fonte: https://brasilescola.uol.com.br/mitologia/a-caixa-pandora.htm

Carta para Epicuro

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Muito obrigado pela carta meu amigo Epicuro. A mesma me fez divagar em diferentes pensamentos. Demonstrarei agora, algumas de minhas conclusões.

Na questão referida ao limite imposto pelo temor a morte, concordo com os pontos apresentados. Muitos delimitam sua experiência em vida por conta deste medo trivial. Além do medo a possíveis punições vindos de divindades, que mal se pode confirmar a existência. Toda essa pressão em um único individuo faz com que o mesmo se “encaixote”, passando a acreditar que só a um caminho para uma possível salvação.

Dependendo da crença, o sujeito é impossibilitado de ceder aos prazeres do álcool juntamente a alguns prazeres carnais. Em alguns casos extremos, o mesmo recebe a pior proibição possível: é proibido de filosofar. Vivendo em uma única linha em toda a sua vida, na qual todas as frases ditas em sua bolha são verdades absolutas e todos os possíveis questionamentos se tornam heresias disfarçadas em inverdades. O mesmo se torna um ser vazio e opaco, que passa avida inteira tentando cumprir dogmas hereditários, esquecendo de viver em sua essência.

No entanto, muitos indivíduos, mesmo livre da amarra dos deuses, vivem a vida presos em futilidades. Muito por conta de um sistema social perigosamente bem estruturado, no qual cada indivíduo é uma mera mosca fisgado por uma grande teia. O que torna tudo muito mais aterrorizante, é a que a mosca ao menos sabe que seu fim aproxima. Já o homem, padece lentamente e nem percebe a aranha se aproximando. Essas futilidades são encontradas no dia-a-dia, seja no desejo de adquirir roupa marca, na vontade ver o time de futebol se consagrar campeão. Entre tantas outras ameaças do sistema moderno. Todos esses pontos citados, impedem o indivíduo de atingir uma real felicidade, presente apenas nos mínimos detalhes e no filosofar.

Com isso, my bestofriendo, eu finalizo minha carta. Com o entendimento de que até o mais sábio dos homens cede a armadilhas diariamente. Por mais forte que seja sua força de vontade, é impossível se desvencilhar de todas as amarras da sociedade, pois se isso acontecesse, o mesmo não conseguiria interagir dentro de um âmbito social. Espero que o conteúdo aqui presente o ajude a refletir e espero muito ansiosamente por uma nova carta, para reiniciarmos essa discussão e iniciarmos muitas outras.

P.s: Epicuro visualizou a minha carta e nunca mais me respondeu.

E se o médico te dissesse que com toda a probabilidade, te restasse somente mais um ano de vida, como você passaria o seu tempo?

 Receber a notícia de ter uma doença que me mataria, seria um baque e grande. Ter o tempo encurtador poderia gerar um grande medo e talvez um trauma, nesse caso de noticia eu iria buscar realizar cada meta dentro do tempo estimado.
 E sim, seria possível gozar da vida mesmo com o tempo sendo cortado, pra isso basta fazer os seus objetivos que lhe deixaria feliz; no meu caso eu iria construir minha família, me casar, ter um filho e uma filha, ver eles crescendo e junto vendo suas felicidades. Para isso eu precisaria de no mínimo 33 anos, depois disso eu poderia morrer de boa, porém eu não veria eles crescendo então eu descarto esse plano . Bem, já que eu não poderia aproveitar o plano anterior eu iria viajar para alguns locais do mundo e aprender mais sobre suas culturas; como a religião deles funciona, como a sociedade dele gira, culinária e tradições. Eu iria anotar tudo em um diário de couro, acho que isso seria um ótimo ultimo ano
 Em relação a doença no corpo, eu me recuso a imaginar que o meu perderia a sua força, eu me recuso pensar que eu perderia o movimento e que eu não poderia jogar basquete ou segurar alguém, e para ter certeza se o corpo iria entrar em degradação muscular, eu buscaria no mínimo 6 avaliações medicas (não me contento com uma apenas)
 Em relação se o tempo encurtasse novamente, provavelmente eu não mudaria   nenhuma resposta

Se você tiver só mais um ano de vida!!!

Se você tiver só mais um ano de vida! Esta pergunta foi feita para a nossa turma; Se eu tivesse só mais um ano de vida eu faria coisas que eu nunca fiz, para quando meu tempo estivesse se esgotando eu diria que fiz tudo oque eu realmente queria sem nenhum arrependimento, mais eu acho que não seria bem assim.

Se você como leitor fizer esta pergunta para uma pessoa desconhecida, provável ela iria te responder “ EU iria comprar diversas coisa pegar dinheiro emprestado iria viajar, comprar diversos carros, fazer coisas ilegais, N coisas”. Mais já parou para pensas o motivo porque esta pessoa não faz isso quanto esta saldável?

A vida e uma grande filosofia controversa, pois muitas das vezes você deixa de viver o hoje para viver o amanha, fomos criado vendo isto “ trabalhe o hoje, e viva o amanhã”.

Então assim uma coisa que aprendi a o longo das aulas e das discussões que tivemos foi que, não deixe de fazer as mínimas coisas, pois você não sabe o amanhã, não deixe de dizer oque você realmente quer dizer que o amanhã pode ser tarde, não leve com você o gosto do arrependimento.

QUEM PODE ME DIZER QUANTO TEMPO EU TENHO?

Por Mário Filipe.

Quando eu vi o tema fiquei refletindo um bom tempo antes de começar a escrever. E nesse tempo fiquei pensando no que faço hoje, e se teria alguma coisa que eu tivesse necessidade de fazer dentro desse 1 ano, caso ficasse sabendo que só me resta um mero ano de vida. Então percebi que estou na minha melhor fase, fazendo tudo que eu quero, rodeado de amizades “sinceras”, mas como o texto não é como estou e sim sobre o que eu faria se tivesse apenas 1 ano de vida, vamos lá.

Eu não seria hipócrita de falar que não iria querer fazer tudo que sempre quis. De querer viajar o mundo, de ir em varias festas, de querer beber todo tipo de bebida, de querer fazer muito sexo nesse tempo. Porém isso não seria um pouco irônico? Esperar tá quase morrendo para fazer tudo que sempre quis em um curto espaço de tempo, não seria melhor fazer isso durante sua vida toda, e não só quando está prestes a morrer?

Eu não acredito que seria possível gozar desse ano plenamente, fazendo tudo que eu sempre quis, sabendo que iria morrer depois daquilo tudo que vivi. Creio que ninguém sabendo que vai morrer consegue ficar alegre, ou até pode, porém não seria aquela plena alegria.

Ainda mais se a doença que eu tiver me deixar em uma cama, imagina preso em uma cama sem conseguir fazer nada por um longo ano, dependendo de outras pessoas para fazer tudo. Além de não conseguir fazer nada no meu último ano de vida, seria infeliz.

Escrevendo esse texto, eu percebi que não quero esperar ter uma doença terminal para viver meu último ano, pois prefiro viver cada ano como se fosse meu último, viver cada momento intensamente, pois creio que médico nenhum pode me dizer quanto tempo de vida tenho, a não ser eu mesmo.

Efemeridade e plenitude

por Cindy Campos


Vida e seu antônimo substantivos que desde o princípio causa dualidade nos discursos entre os filósofos que se dedicam a compreendê-los com variadas
finalidades. Compreendendo a vida como o conjunto de hábitos e costumes,
memórias, sensações e sentimentos, podemos então definir a morte como a
ausência total destes elementos formadores.

Com a marcação temporal, de um ano do rompimento dos meus conjuntos formadores de vida em aspectos gerais não causaria vultosas mudanças da atual forma de viver. Tendo em mente que tudo possui um começo, processo e fim, inclusive a existência humana, podemos nos filiar a ideia de que a marcação dannossa data final em pouco nos causa impacto, porque logicamente teremos um fim, logo uma data mas esta desconhecida.

Mediante o exposto o viver deve estar ligado sempre ao ato de filosofar
sobre as dinâmicas situações que nos são apresentadas a todo instante, assim como afirma Epicuro. Podendo assim compreendê-las, dissipando muitas vezes os sentimentos nefastos, sendo esses elementos que nos resguardam na inércia no processo de viver. Entretanto permitindo que as sensações que nos são acometidas tragam com sigo o significado de viver e nos levar a formar de forma individualmente ou coletivamente ideal.

Ciente pois então de que 365 dias me separam da inexistência, buscaria
compreender melhor a situação com base em outras opiniões e análises para então ter uma ação mais concreta no ato de existir. Mas caso tal ação se demonstre inútil, logicamente o abandonaria. Continuando com a costumeira cotidianidade me desligaria ao fato anteriormente exposto, não o apresentando aos demais e simplesmente vivendo o que me for possível. Além de me dedicar à paixão que nutro por conhecer e descobrir. Faria assim como Dom Quixote de La Mancha que de tanto ler e imaginar se tornou incapaz de distinguir a tenuidade entre o imaginário e o real e viver o irreal. Mas não como uma válvula de escape e sim a exímia formação e aglomeração dos elementos formadores da vida para que ao final não haja angústias e arrependimentos e sim memórias.

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