Crie um site como este com o WordPress.com
Comece agora

Carta para Epicuro

Caro íntimo de ideias, 

Não havendo temporalidade para a prática da filosofia creio que haja para o nosso encontro que tornará nosso nosso debate sobre a felicidade mais dinâmico e pungente. Lhe escrevo em resposta porque em muito me vislumbro em suas constatações que sem dúvidas me tiraram da inércia da morbidez cotidiana e já aproveito e compartilho uma dúvida que me surgiu contemplando sua escrita.

Me contenta ter alguém de meu íntimo compartilhando a ideia sobre a morte ser somente a privação dos elementos formadores de vida, que dentre eles está o prazer que veemente aborda em sua carta e infelizmente é interpretado erroneamente e confundido com outros sentimentos. Creio que este medo que nos sonda sobre este inevitável evento se deve ao curto alcance que nossas mentes possuem sobre a morte e seu por vir, legítimo, mas sem dúvidas um encalço para a plenitude do viver.

Não me surpreende que declarem-no um ateu completo por aqueles que o entendem com equívoco ou se esquivam de suas afiadas questões sobre a situação da existência dos deuses e a construção de suas imagens pelo senso comum, pois sua existência sempre foi atrelada na crença de paraísos, superioridade, castigo e condenação e divindades que compartilham características humana. Sendo, portanto exposto a ideia de que os deuses são parte da construção humana vai contra tudo aquilo que já viveram e nos faz sentir o inevitável medo e incerteza.

De fato a filosofia não se prende ao tênue tecido temporal da vida, porque não entende por completo, tanto as faculdades mentais mais primárias, ou seja, os ignorantes – aqueles que escolhem e aceitam sê-lo – quanto às puídas decifram seus significados e creio ainda que nunca iremos saber, nos resta, portanto, as indagações e digo de fato com pesar, porque compartilho de seu anseio do saber e sempre convido sofia para me fazer companhia.

Confesso com ansiedade de sua resposta que me confunde a ideia de que o sábio sagradamente vive em plenitude, tendo em vista que a felicidade por ser extremamente subjetiva não se prende a regras. Faço aqui então uma questão que não sei bem a resposta ainda: Se a sabedoria nos atrai até a felicidade a ignorância de igual forma a repele? Tendo em vista que ao nos darmos conta de nossa verdadeira existência as ansiedades e inquietações se tornam ainda mais presentes, mas que poderia a ignorância dissipá-las como um bálsamo, caso estas não inflamem o íntimo da alma, pois assim nem a ignorância entorpece.  

Carpe diem! Carpe Diem! Entendo os porquês de tantos se perderem em suas colocações acerca do prazer humano, pois estão apegados a conceitos limitados do que realmente venha ser o prazer, que difere da luxúria. Compreendo porque tal ideia venha a semear em suas reflexões depois de se colocar em posição de questionar as construções que há sobre as imagens dos deuses e buscar se livrar da angústia de suas análises e julgamentos e condenações finais. Em êxtase finalizei sua carta o que me demandou alguns dias para absorver seus conceitos e espero respondê-lo de igual forma. 

P.S: Em certo desconforto materializo nesta carta as minhas inquietações, mas me encontro agradecida de tal dinamismo das ideias. Carpe Diem!

Referências

EPICURO. Carta sobre a felicidade – A Meneceu. São Paulo: Unesp, 2002.

Ensinando sobre Liberdade no Jardim

por Caio Alexandre Negrão, estudante da Licenciatura em Ciências Sociais do IFG câmpus Anápolis

Que a filosofia grega é fundamental para compreender o pensamento ocidental é incontestável; e entre os filósofos gregos que contribuíram para a construção de uma “razão ocidental” está Epicuro, fundador da escola filosófica chamada Jardim. O presente ensaio trata justamente sobre o papel do ensino, da educação, na construção das liberdades individuais à luz dos ensinamentos do “Filósofo do Jardim”, o que é especialmente caro no Brasil atual, onde hordas inconscientizadas clamam pela violação de seus próprios direitos, reclamando a instalação de uma autocracia.

Hodiernamente ficou clara a relação entre Ciência, ou Epistemologias, para usar um termo de Boaventura de Souza Santos (2010), e a educação, mas pouco se diz do contributo da Ciência/Epistemologias para a liberdade. Neste sentido, o sociólogo lusitano questiona o “papel de todo o conhecimento científico acumulado no enriquecimento ou no empobrecimento prático das nossas vidas” (Santos, 2008, p. 18), ao qual o próprio parece responder (Santos, 2010, pp. 45-47) com a conceituação do “pensamento abissal” e do “fascismo social” produzido pelo pensamento abissal. A Ciência, que surge com o propósito
de “desencantar o mundo” e libertar as mentes humanas das trevas da ignorância, parece ter contribuído para o reencantamento do mundo; isto ocorre quando supostos cientistas, valendo-se da chancela de verdade que lhes é conferida, resolvem abandonar as próprias verdades científicas, do método científico de experimentação, e passam a, em uma escancarada promiscuidade, relativizar seus próprios métodos em favor da propagação da ignorância.

Toda esta situação é evidenciada no Brasil com a pandemia do “Coronavírus”. Logo no começo da pandemia, médicos diversos sustentaram a utilização de medicamentos para o combate à pandemia, mesmo tendo a ciência de que os medicamento não se prestavam a combater o novo vírus. Estes mesmo médicos, não se comprometiam a assumir a responsabilidade técnica pela falha do medicamento, pois sabiam que ela era provável, talvez muito confiassem no efeito placebo, mas às custas da vida alheia, desde que isto não atingisse
a reputação de qualquer médico. É um claro exemplo do “pensamento abissal autofágico”, para inovar um pouco na categorização de Santos (2010); a caracterização da Ciência do Colonizador como selo de validade, em oposição à própria Ciência que não se subordina ao maniqueísmo colonialista. A Ciência serviu ao empobrecimento da vida humana, ao reencantamento do mundo, reforçando o fascismo social que produz mentiras disfarçadas de verdades e exige que a Ciência ateste uma veracidade inatestável.

Surge aí a grande contribuição do Jardim, como metáfora, no sentido de plantar o que se espera colher, e como metonímia, no sentido de revisitar o pensamento de Epicuro. No sentido metafórico está contido o anseio de uma educação que sirva, por mais contraditório que possa parecer o termo, à emancipação do pensamento, o anseio que uma educação que ensine sobre toda a ética da liberdade que a sociedade espera que seja respeitada por cada um
dos indivíduos que educa. Já no sentido metonímico, onde se toma a instituição (a parte) inventada por Epicuro pelo todo (o pensamento epicurista), reside a ambição de uma educação libertadora, uma educação que faça as mentes livres de fatalismos e outras variações de autoritarismos que agrilhoam os humanos ao fundo de uma caverna escura chamada ignorância. As duas coisas se confundem como elementos de uma antítese já presente no pensamento abissal colonialista que deverá reconhecer a falibilidade científica como contributo à emancipação humana, no momento em que, ruindo, estiver sendo negado em
favor do nascimento de epistemologias plúrimas.

Este é o principal compromisso da Ciência e da Filosofia no mundo atual, conscientizar os educandos de sua liberdade como meio de evitar fanatismos (Freire, 2018, p. 32) autofágicos, como os que puderam ser presenciados durante a pandemia do Coronavírus. Esta conscientização não tem limite etário, pois “ninguém é demasiado jovem ou demasiado velho para alcançar a saúde do espírito” (Epicuro, 2002, p. 21). Este processo deve permitir a cada
indivíduo a certeza de que “o futuro não é nem totalmente nosso, nem totalmente não-nosso” (Epicuro, 2002, p. 33), de modo que, cientes das responsabilidades, cada um possa viver prudentemente e honestamente, respeitando seu semelhante na mesma medida em que por
este deverá ser respeitado.

Na prudência, portanto, reside a maternidade/paternidade de todos os demais princípios (Epicuro, 2002, p. 45), razão pela qual, educar os indivíduos a partir desta, consiste em plantar a própria liberdade, que aqui pode ser entendida como livre arbítrio ou supremo bem. Então se poderá concluir que abdicar da própria liberdade não é uma opção válida, uma vez que quem o apregoa só o faz enquanto for livre para tal, o que consiste em grande desonestidade. Assim,
o Educador, o Cientista, o Filósofo deve ter sua conduta pautada pela prudência, visto que quando ela falta, são os grilhões que sobejam, de modo que, honestamente viver implica em não negar a emergência de novas epistemologias e nem servir ao encantamento e agrilhoamento humanos.


Referências


EPICURO. Carta sobre a felicidade – A Meneceu. São Paulo: Unesp, 2002.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 65a ed. Rio de Janeiro/ São Paulo: Paz e Terra, 2018.

SANTOS, Boaventura de Souza. Um discurso sobre as ciências. 5a
ed. São Paulo: Cortez, 2008.

SANTOS, Boaventura de Souza. Para além do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes. In; SANTOS, Boaventura de Souza. Epistemologias do Sul. São Paulo: Cortez, 2010 . pp. 31-83.

Ensaio Filosófico sobre o filme “Batman – Cavaleiro das trevas”

O filme “Batman- O cavaleiro das trevas”faz uma excelente abordagem a temas filosóficos dentre eles o mais explícito é  “o ser humano é naturalmente inclinado para o mal”, conceito defendido pelo pensador Thomas Hobbes, neste conceito Hobbes traz que em situações de desespero o ser humano tende optar pelo mau desde que seja beneficiado. Destaca-se como principal cena do filme a cidade sendo evacuada em duas balsas onde uma delas está com civis de bem e a outra está com criminosos e o vilão  Curinga sabota-as com barris de gasolina e explosivos, nas embarcações estavam os detonadores invertidos, seu principal objetivo era mostrar que nas situações de desespero as pessoas se corrompem e se voltam contra os outros, no em tanto a ação foi frustrado, pois em ambas as embarcações não houve quem teve coragem de acionar o detonador.

Fazendo um paralelo com o ocorrido da cena e como esse conceito do Hobbes, fica explicito o conceito é questionável se ele está correto, pois esse desfecho foi iniciado justamente pelo lado que é julgado como os errados da sociedade levando a refletir será que o homem realmente tem essa inclinação para o mal? Para Hobbes sim, mas para Jean-Jacques Rousseau “O homem é bom por natureza. É a sociedade que o corrompe.”, a cena demonstrou que mesmo aqueles que cometeram crimes não foram capazes de detonar a outra embarcação demostrando que existe bondade em seu coração, mas se foram condenados é porque fizeram algo ruim, se fizeram algo de ruim é porque no momento não tinha bondade em seu coração, indo de encontro com o conceito do Jean-Jacques Rousseau.

O pensador John Locke também tenta explicar essa situação, afirmando que “todas as pessoas nascem sem conhecimento algum (i.e. a mente é, inicialmente, como uma “folha em branco”), e todo o processo do conhecer, do saber e do agir é aprendido através da experiência”, podendo concluir que dependendo de quais experiências forem preenchidas será a sua natureza, mas nada impede que em um determinado ponto tenha uma experiência forte  que mude  seu jeito de ser. Um exemplo dado nesse filme é quando o promotor Harvey perde Rachel pelo plano do Curinga, onde o Batman conseguiu salvar apenas ele e não sua amada, sendo que Harvey não foi salvo totalmente inteiro, ficou com metade de seu rosto totalmente queimado. Com tanta dor física e psicológica bastou apenas uma pequena intervenção do vilão para corromper Harvey demonstrando que a melhor pessoa pode se tornar a pior pessoa nas circunstâncias apropriadas.

Batman, o protagonista do filme, também amava a Rachel e queria fazer de tudo para ficar com ela. No filme anterior “Batman Begins” ela descobre que ele é o Batman e lhe fez uma proposta bem complicada, pois ela queria ficar com ele, mas teria que deixar de fazer seus atos heroicos então ele entra em um grande dilema porque a amava, mas não queria deixar de ser o Batman sem que completasse sua tarefa de limpar Gotham, pois a sua figura de herói surgiu quando seus pais foram assassinados, jurando vingança contra os criminosos.

A criação do Batman se deu devidos vários fatores, dentre eles dois se destacam o primeiro foi quando ao seis anos ele caiu no poço cheio de morcegos, onde mesmo após ser resgatado por seu pai não deixou de reviver cada momento em seus sonhos e o segundo ocorreu quando tinha 8 anos seus pais são assassinados. O Bruce Wayne, o Batman, teve bastante influência, enquanto pequeno, do Zorro e do Sherlock Homes. Após dar início a sua vida de herói contou com muita ajuda, como: seu Mordomo e o tenente da polícia. Ao final do filme o tenente diz uma frase muito reflexiva “Ele é o herói que Gotham merece e não o que ela precisa.”, essa frase leva a pensar o que é ser um herói que um local merece, mas não o que precisa? Porque teoricamente a imagem do herói é alguém se dispôs para ajudar  a polícia contra o crime e deveram receber tal mérito, mas não é o que foi visto ele é perseguido, mesmo fazendo o certo a única diferença são as regras que eles seguem, no caso do Batman, uma única regra onde ela não quebra, ele não fala qual é mas ao prestar atenção no filme percebe que a regra é não matar, que é onde o Curinga vê um ponto frágil para corrompe-lo, mas ele segue firme e não à quebra.            

Fazendo um paralelo com o conceito de do Hobbes com a figura do Batman, podemos perceber que suas ações segue contra Hobbes, pois ele, pelo fato de agir como justiceiro, nega o estado que para esse pensador é chamado de Leviatã que ele serve para pôr ordem, mas ele ao ver tantas pessoas que causando o mau decide se tornar um justiceiro negando as regras do estado e segundo a sua regrada e fazendo as coisas da maneira dele. Parando para pesar sua ações não são corretas, pois vão  de encontro com as leis do estado, ou seja, comete crimes, isso faz que seu personagem ser muito complexo.

Adriel Prado

ORDEM E PROGRESSO – O CURTA METRAGEM

O curta-metragem nomeado ‘Ordem e Progresso’ foi escrito por Willian Haubert, dirigido por Pablo H. Souza e interpretado por Jéssica Lorrayne, Willian, Giovanna Guedes e Marcus Vinícius. A proposta surgiu após um projeto multidisciplinar proposto pelos professores: Eduardo Carli de Moares, Francine Rabelo e Jacques Elias. O professor Eduardo acompanha a turma desde 2017 e sempre propõe trabalhos audiovisuais e teatrais, com as experiências anteriormente propostas, foi possível produzir um curta com uma produção e roteiro com maior elaboração.

O enredo conta a história do personagem Martinho, um bravo estudante periférico que não se omite diante a opressão. Levando o conhecimento filosófico e sociológico para todos, o estudante se torna líder de movimentos em prol dos direitos dos trabalhadores e desfavorecidos, isso fará com que ele seja visto com um alvo nas costas por todos os poderosos que pensam diferente. Iniciando período eleitoral, Bruno e Lívia com o auxílio da milicia, farão de tudo pra ter o seu candidato favorito no poder.

LIBERDADE ACIMA DE TUDO, A DE ALGUNS ACIMA DA DE OUTROS!

As diversas opressões as quais grupos os minoritários sofrem em território brasileiro colocam em questionamento a ideia de liberdade nesse país. A noção de liberdade é umas daquelas questões das quais não existe um consenso, e apesar disso a sociedade, de modo geral, tende a acreditar e reproduzir a narrativa de que somos todos livres e que o Estado assegura esse direito; seguindo essa ideia, onde se vigora a noção de universalização da liberdade, de modo prático se todos são livres há, portanto, uma presunção de igualdade e, ainda, ao entender que somos iguais e livres qual seria a justificativa para que a liberdade seja usada como ferramenta de poder? – poder esse que sobrepõem liberdades alheias. O porquê do questionamento é factual, uma vez que ao analisar a conjuntura do Brasil de 2019 percebesse que caminhamos de forma análoga à uma realidade distópica como, por exemplo, a que fora apresentada no livro “1984” de autoria do pseudônimo George Orwell.

Nesse cenário controverso da conjuntura nacional uma maioria de governantes e seus eleitores, que se reconhecem dentro o espectro político da chamada “direita brasileira”, afirmam veementemente ideais fundamentados em práticas liberais e, contraditoriamente, conservadoras: o paradigma da defesa da liberdade individual e simultaneamente o apoio e difusão da censura observado nos últimos anos, que são promovidos por esses mesmos indivíduos, sustentam a incoerência e “ambiguidade seletiva” dessa conjuntura. Podemos exemplificar de forma sucinta o noticiado caso da exposição “QueerMuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira” que foi censurado cancelado por um descontentamento do grupo dominante em relação às obras e suas respectivas expressões e impressões artísticas; outro caso, mais recente, é de autoria do atual prefeito do Rio de Janeiro que ordenou o recolhimento de livros de heróis, na Bienal do Livro em São Paulo,  na “razão” de que continham a ilustração de um beijo homoafetivo, o que segundo ele expõem crianças a um conteúdo sexual. Aqui a subversão de qualquer noção de liberdade é claramente proposta para atender os interesses ideológicos desse grupo dominante. A arquétipo de “duplipensamento” cunhado por Orwell em “1984” se estabeleceu no inconsciente coletivo de grande parcela dos brasileiros:

“Saber e não saber, ter consciência de completa veracidade ao exprimir mentiras cuidadosamente arquitetadas, defender simultaneamente duas opiniões opostas, sabendo-as contraditórias e ainda assim acreditando em ambas; usar a lógica contra a lógica, repudiar a moralidade em nome da moralidade, crer na impossibilidade da democracia e que o Partido era o guardião da democracia; esquecer tudo quanto fosse necessário esquecer, trazê-lo à memória prontamente no momento preciso, e depois torná-lo a esquecer; e acima de tudo, aplicar o próprio processo ao processo. Essa era a sutileza derradeira: induzir conscientemente a inconsciência, e então, tornar-se inconsciente do ato de hipnose que se acabava de realizar. Até para compreender a palavra “duplipensar” era necessário usar o duplipensar.”. (GEORGE ORWELL, no livro 1984.)

Ainda, é imprescindível explicitar que para além da perca intelectual, a sustentação do modus operandi da sociedade brasileira é estabelecida a partir de percas humanas. A motivação é clara: para que o grupo privilegiado perpetue seu poder se faz necessário uma sistematização de ferramentas de dominação que, subsidiado pelo processo de formação histórica do país, resulta no que entendemos como racismo. Em conjunto com esse sistema de poder temos uma série de outros aplicados de forma simultânea e, também, sistemática para consolidar a manutenção do status quo. Exemplos claros do que fora afirmado são: o machismo e a misoginia, a homotransfóbia e a intolerância religiosa (principalmente àquelas de matriz africana)… É difícil separar e delimitar essas opressões de forma isolada, uma vez que a aplicação delas é interseccional, ou seja, funcionam de forma interligada e com muitos aspectos em comum. O repúdio a religiões que fogem do dogma cristão, com raízes no nosso processo de colonização, infere diretamente a uma potencialização dessa opressão quando se adiciona a questão racial e de gênero, como podemos verificar nos infográficos levantados pela Gênero e Número e pelo DataLabe com base em dados fornecidos pelo governo:

Podemos demostrar a ideia de analisar e compreender as opressões a partir, então, do conceito de interseccionalidade e aplicar ao contexto brasileiro exemplificando o assassinato de Marielle Franco ocorrido em março de 2018:

“A intersecionalidade é uma ferramenta analítica que favorece a percepção dos margeamentose sobreposições de situações de opressão, por conta da condição humana quanto ao gênero, cor, classe social e orientação sexual, discriminadas na sociedade sexista, racista e classista. Marielle teve uma experiência intersecional e militava de forma integral, como mulher, negra, pobre e com uma relação homoafetiva.” (TEIXEIRA, Sérgio Henrique. Pensando a intersecionalidade a partir da vida e morte de Marielle Franco. Dignidade Re – Vista , v. 4, n 7, julho 2019)

Essa lógica de poder se estruturou de tal forma que os próprios indivíduos, vítimas, desse processo opressivo involuntariamente reproduzem comportamentos que corroboram com a ordem social estabelecida. Em meio a toda essa discussão, a “liberdade” se esvai e se torna sinônimo de imposição, de ditadura. Talvez o mais próximo que possamos chegar da idealizada liberdade só dê à partir desconstrução das amarras mentais impostas desde o momento em que houve a concepção de cada indivíduo.

Se o que sustenta o modus operandi são mecanismos interrelacionados, pensar numa ruptura social que redefina a lógica de funcionamento da sociedade e de suas instituições já organizadas só é possível através, também, de um pensamento que correlacione todas essas opressões: pensar a interseccionalidade se torna indispensável. O papel da educação crítica promovido pelos campos sociológicos e filosóficos são meios para este fim; não obstante grande parcela dos governantes hoje fomentam o sucateamento desses campos do saber, a questão é clara: a liberdade desencadeada por esses meios abala a estrutura social estabelecida, uma vez que as pessoas se organizam, reivindicam e lutam pelo que acreditam e, logo, para a elite dominante não há maior perigo do quê permitir que a população perceba criticamente às problemáticas relacionadas a forma como são regidas às estruturas sociais.

Feminismo: relações de opressão

Por Priscylla Graziella

Observa-se ao longo dos anos que as construções históricas humanas, no que refere ao desenvolvimento social de convívio, os grupos de parentescos desde o inicio se deu através de uma explicita relação de poder, onde o homem detém total soberania para com sua mulher, seus filhos, animais e suas propriedades. Ressaltando que o domínio sobre o outro não é especifico ao pai, chefe, da família e sim pertencente à figura masculina. Partindo desta analise o patriarcado tornou se parte fundamental na formação estrutural da sociedade. A partir desse momento os papeis hierárquicos de poder se estabelecem e o lugar, principalmente, da mulher se mostra delimitado por sua atribuição funcional, apenas para reprodução, eliminando toda possibilidade de identidade feminina.

A sociedade da atualidade se modificou e se miscigenou, porém os conceitos -às vezes primitivos- baseados nos preceitos sexuais como a divisão do trabalho a partir do gênero do individuo, por exemplo, permanecem. Essa característica propicia o surgimento de desigualdades de gênero, que se iniciam muito antes da mulher estabelecer se no mercado de trabalho, a construção social do patriarcado influencia, de forma negativa, na formação psicológica das mulheres, isso por que a opressão ideológica do machismo estruturado perpassa toda a infância feminina. Temos como exemplo as formas distintas de criação das crianças, os meninos são estimulados desde cedo a ser forte, reprimir sentimentos e ser independente, inclusive o mesmo possui maior preparo para o mercado de trabalho se comparado ao investimento realizado para uma mulher, por exemplo, já as meninas possuem sua educação inteira voltada para o cuidado do lar, ser delicadas, dóceis e submissas a outrem, a elas não são ensinados mecanismos de auto-suficiência.

A criação baseada nos quesitos abordados anteriormente ocasiona inúmeros problemas para o desenvolvimento social feminino, a mulher não esta preparada para a liberdade, por que ela nem sequer deveria ter – no ponto de vista patriarcal – quando esta se vê diante dos desafios impostos pela sociedade ela não possui estrutura suficiente para se manter no mercado de trabalho e enfrentar todas as desigualdades existentes se sentido insuficientes e incapacitadas, gerando um desejo de retorno ao protecionismo exercido pelos pais, assim, ou essas mulheres não consegue se desenvolver ou constantemente estão à procura de alguém que a possa salvar. Quando esta se desenvolve, por vezes, a ocorrência é em uma posição secundária, o que reforçar a auto estima fragilizada que é gerada no psicológico de grande parte das mulheres. Estrutura essa, fragilizada não por falta de capacidade, mas por questões externas, no caso do âmbito familiar e social.

Segundo Bauman a sociedade “Pós-Moderna” é caracterizada pela perda dos valores culturais antes estabelecidos como os mais nobres e elevados, traduzindo na perda da identidade social atual. Os princípios anteriores vêm sendo remodelados redimensionando os valores familiares atingindo também as mulheres, ressignificando sua funcionalidade na sociedade. As mulheres no mundo atual necessitam se inserir no mercado de trabalho para atender as novas modelagens da sociedade e nesse cenário além de enfrentar as questões relacionadas ao desenvolvimento psicológico afetado pela estrutura patriarcal opressora ela se vê em um espaço de clara desigualdade de gênero, já que mulheres cumprindo funções empresariais compatíveis a dos homens recebem salários menores, sendo de ate 7% favorável ao homem, analisando apenas questões de gênero. Se avaliarmos a divisão social de trabalho, veremos que além do trabalho formal, isso se o mercado permitir que ela alcance emprego formal, as obrigações das mulheres se estendem para as atividades da vida privada, ou seja, a mulher moderna necessita conciliar a carreira profissional e as obrigações referentes a afazeres domésticos e a educação dos filhos.

Se para uma mulher branca as opressões são claramente visíveis quando esta se compara ao homem, branco, como a mulher negra se encaixa nesse processo de múltiplas opressões. Já que no caso da mulher negra em especifico as questões sociais e raciais se mostram presentes durante toda sua vida, enquanto a mulher branca sente as opressões de gênero, principalmente, quando inseridas no mercado de trabalho a mulher negra se vê oprimida desde que nasce por sua cor.

Opressão dentro do feminismo

Analisando os períodos históricos referentes ás lutas e pautas feministas, observa-se que em alguns momentos as necessidades abordadas não abrangiam totalmente os problemas enfrentados pela população majoritária feminina. A exemplo dessa afirmação temos a primeira onda[1] feminista, nesse período a pauta principal era a ampliação de direitos públicos, como o direito ao voto e maior participação nos quesitos políticos e econômicos. A mulher, geralmente branca e de classe media/alta, que usufruía o direito de maior liberdade necessitava transferir a responsabilidade do cuidar do lar a outrem, tornando expressivo a partir de então o lugar da mulher negra, esta que não foi alcançada pelos direitos conquistados, devia conciliar sua vida “profissional” (trabalhando e sendo submissa a mulher branca) e proteger seus filhos e a si mesma do racismo sangrento do período em questão.

Outro momento histórico que marca a segregação racial presente dentro do movimento feminista é o período da segunda onda feminista, nele questões sobre sexualidade se mostra como forte candidato de pautas, as mulheres lutavam por questões como métodos contraceptivos e questionavam o sexismo. As mulheres negras, mas uma vez, não tinham suas reais dificuldades e problemas representados, alem de que as questões raciais ainda eram fortes. Com o avanço de tecnologias na área da saúde e como resultado de lutas sociais, mulheres que desejavam não ter mais filhos através de intervenção cirúrgica conseguiam efetivar seus direitos, porém a mulher negra que conseguia ter acesso a esse recurso se via diante de um processo mais doloroso se comparado ao de mulheres brancas, isso por que se acreditavam no mito de que mulheres negras possuíam maior resistência que mulheres brancas, assim sendo a quantidade de anestesia utilizada em mulheres negras, quando usadas, eram extremamente inferiores[2]. Cabe ressaltar que esse tipo de pratica ainda se faz presente na sociedade atual, não sendo um caso isolado do período da segunda onda.

A terceira onda feminista surge nos anos de 1980 e 1990, e sua vertente é originária, justamente, da interpretação desse cenário de indiferença de representações dentro do movimento em questão, as mulheres negras se percebem como grupo e entendem sua posição funcional social, já que por questões históricas a mulher negra, por sua vez, é submissa a mulher branca em contextos de hierarquia referentes à escravidão, a partir daí a percepção de interseccionalidade em que a mulher negra se encontra se torna visível, o feminismo negro serve para pensar a generificação da raça e a racialização do gênero, ele proporciona a ponte de ligação entre os dois “mundos” gênero e raça. A mulher negra precisa lidar com questões raciais, presentes no racismo estrutural, e em alguns casos por conseqüência, problemas sociais, desde o inicio de sua formação moral e ética as oportunidades atingidas por grande parte das mulheres brancas não chegam sequer a serem imaginadas por mulheres negras.  Como disse Viola Davis em discurso no Emmy “a única coisa que separa as mulheres negras de qualquer outra pessoa é oportunidade”. A mulher negra não pode conseguir papeis na sociedade se eles nem mesmo existem. A diferenciação em que o racismo submete a variedade de mulheres encontra-se presente, da mesma forma em que diferencia homens de mulheres, na infância, pois enquanto mulheres brancas, geralmente, são educadas para serem delicadas, frágeis, para casar e se tornarem “mães de família”, a mulher negra é educada para servir a “mãe de família”, a promiscua, na maioria dos casos.

 “Aquele homem ali diz que as mulheres precisam ser ajudadas em carruagens, erguidas sobre valas e ter o melhor lugar em todo lugar. Ninguém me ajuda em carruagens, ou em poças de lama, ou me dá o melhor lugar! E eu não sou mulher? Olhe para mim! Olhe meu braço! Eu arei e plantei, e juntei a colheita nos celeiros, e homem algum poderia estar à minha frente. Arei a terra, plantei, enchi os celeiros, e nenhum homem podia se igualar a mim! Não sou eu uma mulher? Eu podia trabalhar tanto e comer tanto quanto um homem – quando eu conseguia comida – e aguentava o chicote da mesma forma! Não sou eu uma mulher? Dei à luz treze crianças e vi a maioria ser vendida como escrava e, quando chorei em meu sofrimento de mãe, ninguém, exceto Jesus, me ouviu! Não sou eu uma mulher?”

Sojourner Truth

O machismo estrutural da sociedade, ainda presente, na atualidade é responsável pela segregação e exclusão no que tange gênero, para além do machismo, as questões raciais ainda se mostram como fator determinante de inúmeras desqualificações do ser, além da estrema e expressiva violência e genocídio de um povo baseado em princípios infundados de uma superioridade racional inexistente, essas questões por si só, e separadas, já provocam desigualdades suficientes, para que ainda ocupem lugar em movimentos sociais, que em sua essência teriam que lutar contra as opressões, as questões raciais existentes no movimento feminista, como a retirada de fala de mulheres negras dentro desse ambiente que tenta se opor ao sistema patriarcal apenas enfraquece um movimento que por “natureza” já não possui visibilidade suficiente, frente às relações de poder direcionadas ao homem, branco, o questionamento que permanece é: um contingente de pessoas oprimidas pode em um determinado momento promover a opressão?

“Se a primeira mulher criada por Deus foi forte o suficiente para, sozinha, virar o mundo de cabeça para baixo, estas mulheres, juntas, devem ser capazes de colocá-lo de volta no lugar! E agora que elas estão pedindo para fazer isso, é melhor que os homens deixem que elas façam.”

Sojourner Truth

[2]   Em alguns casos ocorria a esterilização forçada na tentativa de inibir o nascimento de pessoas negras, “embranquecendo” a população.

[1]     Uma “onda” feminista foi um momento histórico relevante de efervescência militante e/ou acadêmica onde determinadas pautas e questões das mulheres se insurgiram e dominaram o debate. (QG feminista)


O poder da criação é a maior maldição

O poder da criação é a maior maldição

Homo Sapiens , homem, espécie humana e etc, há várias denominações para este animal, um animal diferente do restante, o topo da cadeira alimentar, tudo por ter uma habilidade a na qual nenhum outro animal desenvolveu tão bem, a habilidade de criar, mas não apenas objetos, o maior poder da raça humana não são lanças, espadas, arcos, armas de fogo ou bombas, o maior poder que a humanidade possui é criar o que não existe, e lidar como se fosse real, essa característica é responsável pela humanidade ter se avançado, mas tudo tem seu lado negro.

Resultado de imagem para evolução da sociedade
a imagem expressa a “evolução” dos meios de comunicação

Desde o início da espécie, essa característica já havia se manifestado, na ideia de relação de poder que o macho e a fêmea teriam, pela fêmea menstruar ela seria mais suscetível a ser encontrada caso ela estivesse caçando, além dela produzir leite e gerar os dessedentes da espécie, por este ponto de vista os humanos primitivos acreditavam que o melhor seria mulher ficar em um local seguro e cuidar dos filhotes, em quanto o homem deveria ir atrás da comida, gerando uma situação de dupla dependência o homem dependia da mulher para criar o futuro da espécie e o homem, trazia o alimento, como sem alimento não há como sobreviver, a mulher se tornava dependente do homem, porém mesmo após a estabilização do homem em locais fixos devido a descoberta da agricultura, a mulher continuou sendo vista como dependente do homem.

Desde o princípio da humanidade essa característica haveria se manifestado, sendo visível na divisão de trabalho entre o macho e a fêmea, na qual como na maioria dos mamíferos o macho era maior e mais forte, e por tal era o macho quem caçava e trazia o alimento, além dela ser mais fraca, por ter o risco de menstruar ela seria detectada mais facilmente pela presa, e por tal ficou com ela a tarefa de cuidar dos filhos, além de que por eles serem nômades nas viagens era dever do macho proteger a fêmea e os filhotes a qualquer custo.

Resultado de imagem para mulher das cavernas cuidando das crianças

Isso resultou em uma dupla dependência em quanto o homem precisava da mulher para criar o futuro da espécie, o homem trazia o alimento, no qual sem não teria como sobreviver, porém essa relação de poder com o homem a cima da mulher mesmo que não fizesse mais sentido continuou após a estabilização humana gerada pela descoberta da agricultura (na qual provavelmente foi descoberto pela mulher já que ela pro ficar parada podia analisar o ambiente a sua volta).

Resultado de imagem para agricultura idade da pedra polida

Após a estabilização, o número de pessoas em locais fixos cresceram, e formaram vilas, na qual era liderada pelo membro mais forte, e desde seu período nômade os humanos já haviam crenças de algo maior, então com vários humanos juntos e historias sobre esse algo maior surgiu a crença de divindades para explicar o mundo a seu redor.

Resultado de imagem para sacerdotes e divindades
Alguns exemplos de divindades do egito

Os deuses eram responsáveis por controlar algum elemento da natureza a sua volta, e por tal acreditavam que o melhor seria agradar essas entidades, e por tal surgiu a figura do sacerdote um membro da vila que seria responsável por essa ligação com os deuses e era o encarregado de realizar rituais para agradar os seres superiores, e por tal até mesmo o líder da tribo seguia seus ensinamentos.

Contudo o surgimento de diversas vilas, ao se encontrarem talvez por serem diferentes e o ser humano assim como os outros animais não sabe lidar com o diferente e por tal ocasionou em conflitos, na qual a vila vencedora submeteria a perdedora a trabalho forçado e sem recompensa, além de impor sua cultura na vila perdedora, e suas crenças deveriam ser a mesma da vila vencedora.(visto que se eles venceram os deuses deles eram mais poderosos).

As vilas foram crescendo, porém uma cresceu e se desenvolveu mais que as demais, seu nome é Uruk a primeira cidade, nela havia uma grande produção de alimentos, havia trocas e foi a primeira a desenvolver a escrita e seu próprio código de leis, na qual seu líder era a figura do rei, que havia poder total (visto que era considerado uma divindade)

Resultado de imagem para piramide social da mesopotamia
Apesar de escravos estarem ilustrados na piramide, na verdade escravos eram considerados fora da sociedade visto que eles eram propriedade e não pessoas.

Ao decorrer dos séculos por muito tempo o sistema de um rei com todo poder concentrado, permaneceu mas os povos helênicos, além de inventaram a filosofia ocidental, foi na cidade de Atenas onde nasce a democracia onde os cidadãos poderiam tomar as decisões, através de discussões, mas o poder ainda assim era concentrado, pois cidadãos na Grécia deveriam ser homens, filhos de pais e mães atenienses, com mais de 18 anos, alem de que o individuo com renda maior tinha também uma importância maior na participação nas deliberações.

Dentro dos cidadãos também teria uma divisão, na qual grandes donos de terras estão acima de comerciantes que estão acima de pequenos proprietários de terra.

Mesmo com o passar do tempo as guerras não cessaram, e os gregos venceram e conquistaram diversos povos, devido a sua tecnologia e táticas sofisticadas para a época, porém a Grécia caiu devido a uma guerra interna entre Esparta e Atenas, na qual ambos perderam afinal devido a esse enfraquecimento eles foram conquistados pelo império macedônico, que iria conquistar todo mundo antigo e espalhar a cultura helênica por seu território, e assim espalhando os ideais

Mapa do império macedônico

Após o fim imperio macedonico iria surgir o novo grande império, no caso o romano que teve ao seu período 3 sistemas de governo: monarquia no qual o rei possuía todo o poder, republica onde a população escolhia representantes para tomar a decisão(mesmo que a classe politica não necessariamente considerava a vontade do povo e a recentralização do poder nas mãos do imperador.

Império Romano - Origem, história, conquistas, imperadores e queda

Em determinado momento Roma adota o cristianismo como principal religião o catolicismo, porém ainda se mantiveram os escravos, porém com isso o catolicismo foi espalhado para grande parte do mundo, e a queda de Roma faria surgir a idade das trevas, na qual a igreja católica junto aos senhores feudais haviam a contração de poder dentro das cidades muradas na qual os antigos romanos haviam se escondido dos povos bárbaros.

A idade das trevas foi um periodo marcado principalmente pelo medo, se acreditavam que o que aconteceu com Roma fora por causa que haviam saindo do caminho do senhor, com isso se perseguiam, torturavam e matavam qualquer coisa que fosse contra o cristianismo, desde homossexuais(que eram comuns na grécia e roma) até cientistas que haviam ideias diferentes dos dogmas religiosos.

Resultado de imagem para deus fez a familia original

No final da idade media o crescimento do comercio fez com que surgisse a classe burguesa, na qual se juntaram aos reis entregando o poder novamente aos reis e não mais nas igrejas, porém o povo continuou sendo oprimido.

E por tal razão começou a surgir os pensamentos iluministas, que se espalharam rapidamente pelo mundo, gerando diversas revoltas por todo globo, muitas delas Retiram o poder do rei ou o próprio rei e trouxeram “liberdade” aos Europeus, e retiraram Deus do centro do universo e colocaram o homem em seu lugar, é importante citar que mulheres tiveram sua participação mas o homem continuou ser considerado superior a mulher, mesmo tendo igual e fraternidade entre os ideias iluministas.

Revolução Francesa

Mesmo com o homem sendo o centro do universo o pensamento cristão continuou pela Europa, apesar de que para manter o nova economia, os Europeus passaram a escravizar negros, nos quais eles acreditavam ser inferiores e por tanto não humanos ou iguais a eles, e por isso eles acreditavam que Deus permitiria que eles fossem escravizados.

Resultado de imagem para escravos não são pessoas

Ao mesmo tempo que eles escravizavam outros humanos, na Europa principalmente por causa de Napoleão acabou surgindo o Nacionalismo, no qual a população de uma nação deveria fazer de tudo por ela e seguir os ideais de sua nação, os governantes utilizaram o nacionalismo para justificar diversas atrocidades, desde a colonização de novas terras até o genocídio de outros povos.

Com o surgimento das colonias, as nações Europeias imporão sua cultura nos nativos de suas colonias, o que levou ao perdimento de diversas culturas e conflitos com o povo local, também gerou nos que nasceram na colonia um sentimento de vira-lata, afinal eles eram membros de uma nação dominada por outra.

Porém com a ascensão da inglaterra e do capitalismo, passou-se a se libertar os escravos, afinal escravo não tem renda, e por tal não poderia comprar, com a abolição da escravidão, o principal alvo das opressão por poder econômico seria classe proprietariada, na qual era livre porém tinha que trabalhar 16 horas por dia e recebia o bastante apenas para se alimentar.

Localização de Império Britânico
Território do império britânico ou o império em que o sol nunca se põe

E por tal diversos trabalhadores se revoltaram e exigiram melhores condições de vida, mas não apenas os trabalhadores, surgiram diversos movimentos sociais na idade contemporânea (movimento negro, movimento feminista, movimento LGBT+ e etc), apesar da maior parte só terem conseguido melhoras no século XX.

Apesar dos movimentos terem conseguindo mais espaço aos dessedentes de escravos, as mulheres e aos homossexuais, até hoje se tem muito preconceito, a esse indivíduos, apenas por causa de ideias erronias criadas pelos próprios seres humanos a milênios atrás, o que é bastante irracional, o que no final prova que essa especie apesar de ter uma alta capacidade transformadora no final não veem o mundo pela logica e razão, mas assim como os outros animais eles o veem pelos seus instintos

A FILOSOFIA E A REFLEXÃO: MECANISMOS DE AUTOPROTEÇÃO

Por Rafael A. França
Estudante do Curso Técnico Integrado em Comércio Exterior
Instituto Federal de Goiás câmpus Anápolis.

Historicamente erguem-se ideais, em meio à sociedade, cujo objetivo é o silenciar do conhecimento, da crítica e da reflexão. Consequentemente, existem aqueles indivíduos que se subjugam aos perigos deste caminho na qual rejeita a capacidade de pensar. Com base nessa percepção, é de considerável importância compreender os motivos que promovem a ascensão e a fácil aceitação popular dessas ideias de modo a apresentar a filosofia e a reflexão como objetos para autoproteção e emancipação do indivíduo das mais variadas opressões. Isso, pois permitem a conscientização de si, do local que ocupa e do poder revolucionário que possui para a promoção da mudança.

No decorrer da história a hierarquização da sociedade faz-se presente, todavia, essa, não se manteve com a mesma face. Nas primeiras civilizações, por exemplo, os reis e nobres exploravam os menos favorecidos, como os camponeses e escravos. Agora, na atualidade, dá-se com aqueles que possuem maior poder aquisitivo, no patamar de dominância, e os que não têm, como dominada. Nas duas faces apresentadas, vale ressaltar que aqueles que atuam como dominadores guardam para si o conhecimento, pois sabem que se quem está em posição de explorado obter este saber a hierarquia predominante estará ameaçada. Portanto, os que controlam o Estado, a mídia e outros meios influentes não veem a democratização da educação, que oferece crítica e reflexão, como benéfica. Assim, trabalham incessantemente a alienação da população, através de seus mecanismos, fazendo com que os subordinados rejeitem a própria chance de libertação e crescimento. Um exemplo que pode ser observado na charge de Erlich a seguir.

A frase “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses”, cuja identificação do autor ainda está em questão, fez-se presente desde a Grécia Antiga. Assim, mesmo que configurada a deuses e o universo, vale analisar que se conhecer possui papel importante na proteção de si. Ressalta-se que o autoconhecimento atua conjuntamente com a compreensão do lugar que está. Podendo assim, ambos, fornecerem a insatisfação que colabora para o desejo de mudar e que, consequentemente, tornará possível a visualização do lugar que deseja estar.

Em crítica ao parágrafo anterior e como alerta, a estrutura hierárquica que estabelece dominadores e dominados nem sempre deixa de se perpetuar após o desejo de mudar. Com sensatez, sobre isso, o pensador Paulo Freire afirmou: “quando a educação não é libertadora o sonho do oprimido é ser o opressor”.  Ou seja, revela que não basta somente imaginar o lugar que esteja estar, mas cabe a análise, trabalho da educação libertadora, de como querem estar e se irão ou não serem colaboradores para a perpetuação desse sistema.

“O modo mais comum das pessoas rejeitarem seu poder é acreditando que não possuem poder nenhum”, foram as palavras de Alice Walker. Com base nesse relato, compreende-se como o processo de alienação ocorre a ponto de fazer os indivíduos não perceberem o poder que possuem para promoverem e concretizarem a revolução. Assim, submetendo a exploração. Para adição, o pseudônimo George Orwel, antes de escrever o livro “A revolução dos bichos”, observou que se um cavalo, que é maltratado e subjugado por seu proprietário, obtivesse a consciência da força e do poder que tem jamais se submeteria a tais situações.

Com ambas as reflexões, vale concluir que tomar consciência de si, de onde está e da capacidade que se tem é extremamente importante para proteger-se do sistema vigente e, não apenas isso, mas, também, para suscitar a mudança. Esses, proporcionados pela filosofia e a reflexão que são pontos preponderantes do princípio de educação como meio de libertação.

Materialismo vs idealismo

O que Hegel buscou com o desenvolvimento de sua filosofia foi tentar explicar o mundo. Ele irá encontrar na Razão o elemento que o faria chegar ao entendimento do mundo. Daí afirmar que a Razão se explica a si própria, como também afirmar que a Razão é quem dirige a história. Para isso escreveu a Ciência da Lógica para poder traçar o corpo de categorias que, numa relação de movimento, caracterizariam a dialética. 

A dialética hegeliana se compõe de várias unidades, das quais Hegel enumera três: tese, antítese e síntese. A tese poder ser entendida como o momento da afirmação; a antítese é o momento da negação da afirmação, gerando a tensão que origina a síntese, o último momento que corresponde à negação da negação, ou seja, é o resultado da antítese anterior, no qual suspende a oposição entre a tese e a antítese. A síntese representa uma nova realidade marcada pela aparição da Razão Absoluta, da consciência de si, ou, o que dá no mesmo, da autoconsciência. A dialética é o movimento contraditório dentro de unidades que a cada nova etapa nega e supera a etapa anterior, num fluxo contínuo de superação-renovação (NÓBREGA, 2005).                                                                                                                                               

​Explicitando de forma mais detalhada esse movimento de passagem do Espírito Abstrato ao Espírito Absoluto, Hegel utiliza as seguintes categorias: o ser-em-si, o ser-aí, o ser-para-si e o ser-em-si-para-si. Na realidade, dentro das três unidades acima descritas operam quatro momentos. A diferença que há nesses quatro momentos é que do momento inicial para o segundo momento, ou seja, na passagem do ser-em-si (que corresponde à afirmação) para o ser-aí (corresponde à antítese, a segunda etapa) opera-se a primeira negatividade, caracterizada pela imediatez do ser mediatizada pela reflexão. Na passagem do ser-aí para o ser-para-si(corresponde ao segundo momento da antítese) opera-se a segunda negatividade, onde não apenas o ser-para-si diferencia-se do sem-em-si, mas, o supera, se separa e se isola, para além da imediatez do ser-ai anterior.

O momento do ser-para-si é o que há de novo, é fase crucial, é o momento de invenção da dialética hegeliana, pois é a partir desse momento que o ser se torna pessoa, ser livre, é a etapa de maior grau de subjetividade. Essa passagem que Hegel caracteriza como mediação ele a denomina de essência. É nesse sentido que ele se torna livre, segundo Hegel. A idéia de liberdade surge da operação dessa passagem que é marcada pela interferência do movimento dialético, o que no momento anterior não havia, pois na primeira negatividade houve uma passagem imediata, ainda presa ao momento inicial marcado pela ingenuidade, inconsciência no domínio da Razão. 

​A dialética é também um processo de concretização. O momento inicial da tríade é de abstração, por ser mais amplo, pois engloba as três etapas em seus movimentos contínuos e opostos. O momento final do processo que resulta na síntese é o menos amplo, é a fase final do primeiro ciclo dialético que eliminou as demais. Daí que, o que é importante, o movimento dialético representa o processo que vai do abstrato até o concreto. 

​A categoria mais abstrata que, segundo Hegel, se encaixa na tese é o ser, ser puro, livre de seus atributos. Seria a categoria mais abstratamente universal. A antítese do ser seria o não-ser, ou seja, o nada. Este é o elemento mediador, a negação da negação. E na síntese, como mesclagem dessas duas, teríamos o devir ou devenir. A idéia é percorrer o transcurso que levaria do Espírito Abstrato até o Espírito Concreto, através do elemento de mediação que Hegel chama de essência ou a negação da negação. Hegel trata na sua lógica Idéia, Razão e Espírito como sinônimos.

O materialismo de Marx sai das entranhas do materialismo de Feuerbach, mas com uma nova roupagem, pelo seu caráter histórico-concreto. Enquanto Feuerbach observa no materialismo o caráter natural, Marx dará ao seu materialismo um caráter histórico. Na medida em que o materialismo de Marx tem por fundamento a história, ele assume o caráter sócio-histórico, desenvolvendo seu pensamento no âmbito da teoria social. Portanto, o materialismo histórico-dialético de Marx tem uma base material, centrada no binômio forçasprodutivas-relações de produção, que desenvolveremos mais adiante. Marx sai do campo da filosofia para o campo da teoria social.

Nas onze teses de Marx sobre Feuerbachestão as bases de sustentação do materialismo de Marx. Na primeira tese Marx afirma que o principal defeito de todo o materialismo, incluindo o de Feuerbach, é que a realidade, o mundo sensível só são apreendidos sob a forma de objeto ou intuição, mas não como atividade humana sensível, enquanto práxis. Na mesma tese adianta Marx que Feuerbach acata objetos sensíveis distintos dos objetos do pensamento de Hegel, mas não considera a própria atividade humana como atividade objetiva (MARX, 1845-46, p. 99).

Na sexta tese diz Marx que Feuerbach teve o mérito de transpor a essência religiosa para a essência humana, mas que a essência humana não pode ser algo em abstrato, inerente ao indivíduo isolado, sendo, em realidade, o conjunto das relações sociais. Esse último aspecto – o conjunto das relações sociais – é um dos aspectos de maior importância da teoria social de Marx. Acrescenta Marx na sétima tese que o indivíduo abstrato que Feuerbach analisa é ele, na realidade, uma forma social determinada (idem, p. 102). 

Deduz-se que o sujeito em Hegel é produto da Razão. Em Marx, o sujeito é fruto das condições materiais através das quais eles se reproduzem, ou seja, o conjunto das relações sociais de produção e das forças produtivas. Em síntese, Hegel faz da consciência o sujeito e do ser o objeto, enquanto Marx faz do ser o próprio sujeito em sua atividade prática e da consciência o objeto apreendido pelo ser em sua realidade objetiva, material. Assim, conforme as visões de Hegel e Marx acerca da determinação do sujeito e do objeto, vamos ter caminhos diferenciados quando entendidas tais categorias à luz da questão da universalidade no âmbito da relação entre sociedade civil e Estado

As diferenças de pensamentos: Idealismo x Materialismo.

Resultado de imagem para materialismo versus idealismo"

Redação Multimídia ministrada pelo Prof. Eduardo

Anna Luiza de Abreu Dutra

SETEMBRO
2019

“qual é a primeira causa de tudo o que existe, a matéria ou o espírito?”

● Definições:

Idealismo:
É qualquer teoria em que o mundo material, objetivo, exterior só pode ser compreendido plenamente a partir de sua verdade espiritual, mental ou
subjetiva.

Materialismo:
É o tipo de fisicalismo que sustenta que a única coisa da qual se pode afirmar
a existência é a matéria; que, fundamentalmente, todas as coisas são
compostas de matéria e todos os fenômenos são o resultado de interações
materiais; que a matéria é a única substância.

Um amigo olhou desaprovadoramente para a comida de Andrew Pessin, autor de Filosofia em 60 segundos. “O que foi?”, perguntou-lhe. “Está deliciosa!” “Não está, não”, ele respondeu. Pessin não continuou essa discussão porque não havia nada a argumentar quanto a isso…

Por quê não?…não podemos dizer que a percepção de alguém esteja correta e que a do outro não está. As características percebidas aqui são subjetivas: não no objeto, mas na mente do observador. Beleza, como se diz, está no olho do
observador.

A moeda na sua mão parece redonda, mas, de outro ângulo, parecerá oval;
de longe, você a verá como pequena, ao passo que, de perto, parecerá grande.
Em todos esses casos, certa qualidade varia entre os atos de percepção, ao passo
que o objeto em si não mudará: é a mesma moeda seja parecendo redonda ou oval, pequena ou grande.

O materialismo, isto é, a crença de que não há nada fora da natureza que possa ser apreendido pelos sentidos, logo, de que não há Deus nem ideais, entrou em moda pela primeira vez no século XVIII com o Iluminismo francês.
O materialismo afirmava que a base de tudo o que existe é a matéria e procurava
estudá-la profundamente, foi ele um grande auxiliar do desenvolvimento das
ciências, mas desde que via na matéria um elemento imutável, de formas definitivas e eternas, tropeçava forçosamente, com o tal ponto de vista, num entrave á verdadeira concepção da natureza.

Exemplos: Teoria Marxista bem materialista.

CURIOSIDADES

materialistas= empiristas
idealistas= racionalistas
Origem inglesa

Retomando o materialismo, em geral, se contrapõe ao idealismo; não se pode
realmente compreender o materialismo sem conhecer o seu oposto — o idealismo.
Para se responder à pergunta, sobre o que vêm a ser materialismo e idealismo, não colocaremos a questão tão metafisicamente, do seguinte modo: “qual é a primeira causa de tudo o que existe, a matéria ou o espírito?”, se há principio e fim em tudo o que existe. Formularemos a questão um tanto diferentemente. No mundo em existência que concebemos, sentimos primeiramente a nossa própria existência que se compõe em certo sentido de duas partes:


● 1º), vemos a nós mesmos como um corpo: — nosso corpo material;
● 2º), sentimos a nós mesmos como elemento de manifestações internas: —
pensar, sentir, saber. São esses os dois momentos principais que cada “eu”
sente em sua própria existência. Por isso, ao construirmos uma escola
filosófica, temos diante de nós dois caminhos a seguir:
● 1º), a escola materialista afirmando que em todo o existente está a matéria, o
corpo; que tudo na natureza é objeto da percepção dos nossos sentidos e
que o pensamento humano é o resultado da matéria — o pensar é atributo da
matéria, como todos os outros, ou
● 2º), a escola idealista que diz sentirmos primeiramente a existência das
nossas emoções, dos nossos pensamentos e que o corpo, — a matéria
existe tão somente porque o “eu”, o nosso pensamento concebe. A pedra,
por exemplo, que não se concebe a si própria, não tem existência
Percebemos um fenômeno com os nossos órgãos, vemo-lo com os nossos
olhos, mas o ato em si de ver, o fato como tal, não é material, não pode ser
visto nem tocado. Esta escola toma por isto como base o espírito, o
pensamento. A matéria é por ela tomada como um acidente ou como
corporificação do espírito.

A que pode conduzir e a que nos levaram o materialismo e o idealismo em seu
desenvolvimento histórico?
Desde que verificamos ser o corpo, a matéria, o objetivo, o que realmente existe,
devemos estudá-lo antes de tudo, conhecer suas prioridades e só assim é que
poderemos conhecer o mundo. O materialismo tornou-se assim um propulsor do desenvolvimento das ciências, graças ao fato de construir as suas concepções
sobre a matéria.

Os idealistas, ao contrario, diziam que se devia antes de tudo investigar as
manifestações internas, — o espírito, o fator básico de tudo o que existe; que se
pode apresentar até sob a forma de matéria. Mas o espírito é algo que não se pode apreender, que não se pode investigar. O espírito, como tal, não pode estar sujeito a força alguma, e, pelo seu conteúdo, só pode ser explicado espiritualmente ou divinamente. O desenvolvimento histórico dessas duas doutrinas deu-se de tal forma, que o materialismo cresceu e se desenvolveu ao lado da ciência, ao passo que o idealismo achava-se quase sempre ligado á religião, ou se entretinha com a metafísica especulativa, divagando sempre nas esferas da metafísica e da teologia.

Fontes para realização do trabalho:

https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2014/07/12/idealismo-x-materialismo/

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-32831999000100017

%d blogueiros gostam disto: